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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

A promessa

Esta viagem começou mais de uma década atrás, mais ou menos pela altura em que nasceu o Asteróide. Sem mais me alongar, direi que se trata de uma promessa feita ao meu filho. Que se começa a cumprir neste dia de Natal de 2018, quando eu, os meus trinta e dois quilos de bagagem e o meu filho embarcámos na Gare do Oriente em Lisboa. Destino? Fiquem por aí.

domingo, 23 de setembro de 2012

O circo está de volta

 
Na sexta-feira deixei para trás a Malásia e regressei a Singapura, onde passado uma horas apanhei o meu voo de regresso a casa. Já a caminho do aeroporto a Fórmula 1 estava por todo o lado, desde o trânsito condicionado aos jornais e placards. Fica a foto tirada a caminho já de Changi, que me lembrou que passou um ano desde a corrida do ano passado. Este ano não tive tempo de entrar em órbita nem de fazer figura de tolo...

Terras do sultão que nos tramou



De Singapura para a Malásia é um pulinho, à distância de um cacilheiro ou de uma travessia de uma ponte (há duas disponíveis). Deve-se evitar a fronteira no sentido Malásia - Singapura todas as manhãs quando uma horda de trabalhadores nas suas zundapps V50 (as motos serão de todas as marcas e maioritariamente japonesas, só uso o termo zundapp como analogia para o leitor português...) inunda a cidade-estado vinda de Johor Bahru, a cidade siamesa de Singapura do outro lado da fronteira. Vão trabalhar nos estaleiros, na construção civil e em todas as outras frentes de labuta onde nenhum singapurense está disponível para batalhar e para as quais se necessita qualificação para lá da que se encontra na força de trabalho chinesa, indiana, nepalesa ou bangladeshi que se importou e mantém armazenada nos dormitórios das imediações dos estaleiros. As motos parecem um tsunami e espalham-se pelas impecáveis autoestradas de Singapura como uma instantânea enxurrada. O incauto turista ou viajante de negócios também deve evitar a mesma fronteira no sentido oposto ao final do dia, onde a maré de força laboral se esvazia em sentido oposto. Os picos das marés dão-se às segundas-feiras de manhã para entrar em Singapura e nas sextas-feiras à noite para sair, pois há quem fique na cidade-rica durante a semana.

Para além da maré laboral montada em motos, temos outras horas de ponta a evitar. Para quem entra na Malásia de carro, como eu na semana que acabou , exige-se evitar as sextas feiras não só pelas motos mas também, e principalmente, pelos carros. Refiro-me aos série 7 (uma espécie de carro do povo em Singapura), Ferraris, Maseratis, Mercedes ou qualquer outro de pinta luxuosa que atravessam a fronteira direitos a destinos de fim de semana, sejam eles praia, campo ou cidade. Muitos deles vão pelo gozo de acelerar as máquinas para lá dos 250 Km/h na autoestrada de 400 km que une Johor a Kuala Lumpur. Por vezes unem-se em matilhas monomarca e não se preocupam se tiverem que untar as mãos a um polícia malaio. O que é isso comparado com o que lhes aconteceria em Singapura! Cordeirinhos em Singapura, transformam-se em lobos assim que cruzam a "causeway"... Claro que nos Domingos à noite as matilhas de alta cilindrada regressam e a fronteira volta a ser uma passagem a evitar.

Johor Bahru, a grande cidade do estado de Johor, não terá melhorado em estado de espírito desde há quatrocentos anos atrás. Sim, Johor foi o sultanato que nos tramou quando se aliou com os holandeses para nos correrem de Malaca e a sua maior cidade é hoje uma "sin city" muçulmana, coisa bárbara de se ver. Corrompida pela riqueza de Singapura ao mesmo tempo que tenta mostrar uma imagem moderna perante o brilho da cidade siamesa (mas tudo menos idêntica...). Aos arranha céus que também ostenta e às vias rápidas labirínticas soma agora a Zon, uma espécie de Docas duty-free com hotéis aceitáveis num "water-front" com restaurantes, bares manhosos e jovens malaias de mini-saia. No entanto tudo tem uma patine desgastada, pouco sofisticada e conservadora que a faz parecer uma caricatura má de Singapura. O meu hotel em Johor Bahru talvez tenha sido de cinco estrelas há muitos anos, com quartos enormes e todo o equipamento e funcionalidades... dos anos oitenta, depois de se avariarem ao longo dos anos e estarem sebentas pelo uso.

Ficam as fotos, não da cidade corrompida (Johor Bahru é a cidade com os mais elevados índices de crime na Malásia) mas sim das suas margens com vista para Singapura, onde o verdadeiro espírito original do local ainda se pode ver nas redes dos pescadores, aparentemente desapercebidos do cimento decadente que cresceu ali ao lado.

sábado, 15 de setembro de 2012

No topo da Lyon City

Ainda não há muito tempo partilhei com vocês imagens e impressões do fantástico Marina Bay Sands, casino e hotel que com as suas três torres unidas no topo pelo Sky Park se transformaram num edifício único do mundo e no novo ex-libris de Singapura. Foi inaugurado em 2010. Mas em Singapura o que é fantástico hoje é ultrapassado amanhã. Não em glamour ou "neck-breaking", o Sands continua único. Mas não já não é o topo... Fica aqui a constatação, ilustrada pela foto manhosa que tirei com o Blackberry no bar no topo do 1-Altitude. Nunca pensei olhar para baixo e ver as torres do Sands!

Com o fogo não se brinca

A frase em título ilustra bem o cuidado extremo com que o governo de Singapura trata as questões religiosas. Com pinças: equilíbrio entre todas as práticas religiosas (bem, pelo menos entre as monoteístas "mainstream"). A começar pelos feriados, budistas, cristãos, muçulmanos e hindus (dois para cada, sendo Natal e a Páscoa os do lado cristão). E a acabar nos quartos de hotel... Só me espantou não encontrar o Corão junto com os outros na mesa de cabeceira. Deve haver alguma razão, talvez não seja de bom tom em hoteis, e não se pode brincar com o Corão senão aparece logo uma turba a queimar-nos embaixadas em qualquer lado. E o que era um post alegre e respeitoso entristeceu um pouco, ao lembrar que uma das práticas religiosas potencialmente mais belas está no presente a ser corrompida por extremistas e a ser pasto da pobreza que grassa em muito dos países onde o islão é maioritário. Faço votos que um dia possa encontrar o Corão também na minha mesa de cabeceira. Se isso não for pecado.

domingo, 25 de setembro de 2011

Partida!

Para o GP Singapura 2011, do ponto de vista da Miss Universo e suas amigas. Mais o emplastro...

Asteróide entra em órbita...








E não foi o Vettel nem o Hamilton, tão pouco o Schumaker que me fez gravitar durante o Grande Prémio de Singapura de hoje. Calhou-me um camarote ao fundo da recta da meta e ter os Deuses comigo. Quando vi a Miss Ucrania sentar-se ao  meu lado achei engraçado. Quando ela se chegou para lá e fiquei ao lado da Miss Irlanda junto com a Miss Japão comecei a perceber que era mesmo a sério. Mais dois minutos e senta-se a Miss Universo, Leila Lopes! Não resisti a pedir a foto que vêem, em bom português que a Leila como angolana bem entende. Mais um bocado (e nessa altura já não fazia ideia nenhuma do que se passava na pista, tal era o bigode que o Vettel estava a dar aos outros...) e aprendi que a Miss Japão fala português! Foi na nossa língua e com pouco sotaque que me explicou que viveu um ano em Portugal, a estudar na universidade de Aveiro. Para que saibam. Agora vou dormir....

PS: quem ganhou?

Vruummm!




Singapura inclina-se sob o troar das máquinas. Amen!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Crime e castigo na Lyon City: take enésimo


Um dos meus passatempos favoritos em Singapura é ler os jornais. Tanto nos tablóides como no respeitável Straits Times, encontro sempre uma profusão de notícias trágico-cómicas para partilhar. Já por aqui leram umas tantas, sobre aldrabões épicos, velhinhas a pintar os próprios caixões, chihuahuas clandestinos, gravideses indesejadas, sexo na rua, porrada no rugby, etc. Tudo isto e muito mais em Singapura.

Trago-vos agora as últimas. Comecem por olhar para as fronhas dos dois morecões que aparecem nas fotos. Deu-me logo para começar a rir... Mas nem tudo é cómico. Vejamos caso a caso:

Take 1: O engenheiro de óculos parou o carro de repente e sem sinalizar para deixar sair a filha e não gostou da buzinadela emitida pelo dentista que conduzia o carro que o seguia. Sai o engenheiro do veículo e pespega um murro no parabrisas do dentista, rachando-o de lado a lado. O vidro, claro. Resultado: o engenheiro foi condenado a uma multa de 4000 singdólares (cerca de 2500 EUR). Cheio de sorte, porque poderia ter sido condenado até dois anos de prisão...

Take 2: O motorista de autocarro com cara de chorão parou numa passadeira para deixar passar a senhora Ang, de 97 anos (noventa e sete...). De louvar. No entanto a senhora deve ter sido um pouco lenta, e o nosso motorista chorão assumiu que bastava de baldas a nonagenárias e arrancou quando lhe deu a pressa. A senhora Ang foi passada a ferro pelo autocarro. Para além dos 97 anos ainda sobreviveu mais seis horas, até falecer no hospital mais tarde. O motorista chorão foi condenado a pagar 9000 singdólares de multa, foi despedido e inibido de conduzir durante três anos e meio. Trabalha agora como ajudante de cozinha num restaurante manhoso e sofre de insónias. Falta-lhe lavar 345,367 pratos até conseguir pagar a multa.

Take 3: as empregadas de limpeza de hoteis por aqui não devem ganhar mal. Uma delas tinha o suficiente para subornar o chefe com 1000 singdólares, para o levar a despedir uma colega de quem não gostava. O chefe denunciou a situação. A nossa criadinha chinesa foi condenada a 2500 singdólares de multa, mas como não pagou foi de cana. A pena para crimes de corrupção em Singapura vai até 100,000 dólares de multa e cinco anos de prisão.

Moral da história: se passarem por aqui cheios de pressa e tiverem dinheiro suficiente no bolso não se deixem atrasar por dentistas chatos ou velhinhas lentas. Esmurrem um e atropelem a outra sem pejo, vai-lhes custar uns tantos dólares mas pelo menos chegarão a tempo (onde quer que vão...). Mas nunca por nunca temtem subornar o juiz que os multa...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Típico...

Hotel super, piscina exótica... Mas chove e troveja desde que aqui cheguei ontem e a cidade de cimento rodeia-nos. Welcome to Singapore!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ecos do bailout ao pequeno almoço



Na semana passada em Singapura, estava o Asteróide a abastecer-se do habitual pequeno almoço reforçado, salta-me o Luso Cantinho do jornal. A nação chegou ao Straits Times com grande bruá, agora que vamos levámos com o FMI. Não posso dizer que o pequeno almoço me tivesse caído pior, mas desde aí e pelo que tenho lido receio bem que desta vez a situação vai ser bem mais confusa e preocupante. A ver vamos... Entretanto vou enchendo a barriga enquanto posso!


Não sei bem se são os alemães que nos vêm salvar se são os contribuintes portugueses que vão penar para salvar os pensionistas alemães com reformas milionárias à conta dos fundos de pensões teutónicos que arriscaram em dívida de risco ou alimentando desgovernos. Recebendo em troca generosos juros... Isto ainda vai acabar mal, digo-vos eu.


PS: na realidade os Lusos chegam às notícias aqui do Sudoeste Asiático dia sim dia não através do Cristiano Ronaldo e do Mourinho , mas não estou a contar com notícias desportivas neste post. Aqui em Saigão, para onde vim entretanto, fotos das nossas duas mais ilustres estrelas futebolísticas apareciam ontem em quatro das poucas páginas do desportivo local!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nadando no Céu


No final do mês passado, antes de marchar para o Vietname e daí para a Tailândia, pude finalmente visitar o já famoso Sky Park de Singapura. Já aqui falei deste novo ex-libris de Singapura quando passei por Singapura em Abril, altura em que o jardim do céu ("sky park"...), com a sua piscina no topo do hotel do Casino Marina Sands, estava prestes a ser inaugurado. Desta vez lá deu para trepar ao enésimo andar do hotel do Marina Sands (estava num evento ali mesmo ao lado no novíssimo centro de conferências) num intervalo do trabalho. As fotos não fazem justiça a uma das melhores vistas urbanas do mundo, ao nível do The Peak de Hong Kong, porque foram tiradas com o telemóvel. A minha fiel câmera tinha ficado no quarto... A vista é de facto deslumbrante, em todas as direcções: do lado Norte pode-se nadar à vista das torres da City, para Sul a vista estende-se até às ilhas da Indonésia mais próximas e ao cardume de navios que constantemente saem do Estreito de malaca. A Leste está outro Ex Libris, o Singapore Flyer, a maior roda do mundo. Vista do Sky Park fica um pouco menorizada, coitada...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Do Lamborghini amarelo ao búfalo de Mindanao, passando pelo caixão da Miss Kitty



Quem liga alguma coisa ao Asteróide sabe que este tem um certo fascínio pelas notícias dos jornais asiáticos, em particular as recolhidas em Singapura. Estando de novo de passagem pela Lyon City, e antes de marchar para a Conchichina logo à tarde, não podia deixar de partilhar aqui mais umas notícias pitorescas.

O Sr. Koh está preso. Assim ficará, pois não consegue pagar os 1,5 milhões de dólares de fiança que lhe foi estipulada. Não consegue porque estourou todo o dinheiro que gamou no cumprimento do seu trabalho ao serviço do Estado, como funcionário público. Estourou a massa toda a tentar passar despercebido: apartamentos de luxo, Mercedes à pazada e, para que de uma vez por todas não se pudessem aperceber que ele era apenas um honesto manga de alpaca vivendo do seu salário no Estado, um Lamborghini que custou um milhão e meio de dólares...
Quem já ultrapassou estas preocupações mais terrenas (por exemplo ler as intruções de uso do Lamborghini) dedica-se à arte. É o caso de um grupo de idosas que como terapia para reduzir a angústia da morte pintam os seus próprios caixões. Sábiamente conscientes que a maquillage não se vai aguentar muito bem quando descerem à terra, usam esta maneira mais duradoura de se apinocarem.

Enquanto Mr. Koh acelerava no seu Lamborghini e a nonagenária Miss Kitty dava umas pinceladas no seu caixão, algures na cidade uma "made" filipina ou indonésia enrolava-se com o seu namorado bangladeshi. Uma em cada duzentas criaditas internas que as famílias de Singapura importam à pazada, através de agências, acabam repatriadas porque cometem a imprudência de engravidarem. Diz o Sr. Silva (sim, é mesmo Silva, Martin de sua graça...), dono de uma dessas agências, que são as mais "experientes" (leia-se estarem aqui enterradas longe de toda a família há uma data de anos), com acesso a telemóvel e com um diazito de folga ao Domingo (estragam-nas com mimos!), que acabam por dar estes "problemas".

No dia do Juízo Final uma quermesse venderá o espólio de todos os Kohs deste mundo às velhinhas ricas que não querem morrer sem dar uma volta de Lamborghini e o dinheiro obtido será oferecido às mades filipinas de Singapura. Estas poderão voltar à sua aldeia no meio da selva em Mindanao, construir boas casas, ter filhos do seu amor local e passar as tardes estiraçadas de costas em cima do seu bufalo, a olhar para o céu azul enquanto este rumina plácidamente com àgua pelo joelho no meio dos arrozais. As suas mãos vão beliscando a pança do animal para saber quando este finalmente encheu a barriga. Com o sol já a pôr-se, voltará montada no bicho para o seu lar. Os seis filhos gritarão de prazer ao vê-la chegar e o pai deles, que já não precisa de andar embarcado, sorrirá para a sua amada. A criada Singapurense já pôs a mesa e começa imediatamente a servir o jantar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Big canguru bird





Apesar de no seu estado natural o Asteróide estar a voar, nunca se cruzara com o Airbus A380 antes. Este badalado superjumbo pode levar mais de 800 pessoas de um lado ao outro do mundo a 950 Km/h, se forem todas enjauladas em classe económica e bem barradas com desodorizante, ao longo dos dois andares do avião, ao longo de toda a fuselagem. Este procedimento não foi necessário no meu caso, pois viajei com a australiana Qantas de Londres para Singapura, que prefere uma configuração menos parecida com uma carruagem de gado: capacidade para 480 passageiros distribuídos por quatro classes: 14 em Primeira, 72 em Executiva, 32 em "Económica Premium" e os restantes 332 barrados no tal desodorizante.
Pelo menos no caso da classe Executiva recomendo este pássaro. As "células" permitem um bom isolamento quando o lugar é completamente rebaixado, dando origem a uma cama completamente plana. O ecran atribuído a cada lugar é razoavelmente grande e o touch screen permite escolher qualquer filme a qualquer hora, incluindo os mais recentes ainda nas salas de cinema. Para desentorpecer é possível espairecer no bar situado à vante do convés superior (que é completamente ocupado pelos lugares de executiva). Aí cada um se serve de vinho, queijos ou outros acepipes, a partir do bar que vêem na foto. Pode degustar a coisa sentado nos sofás vermelhos que também partilho convosco. Bem bom para variar. Claro que o melhor era descer para a proa do convés inferior pela escada que podem ver e refastelarmo-nos nos lugares de primeira classe... Até já em Singapura onde me (re) encontro.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tugas em Singapura


A RTP chegou a Singapura e com um elenco de luxo pôs de pé mais um episódio da saga "Portugueses pelo Mundo". O Asteróide recomenda vivamente, principalmente este episódio, o 7º de 8. Passou na RTP1 a 4 de Setembro e já está no You Tube em três partes:
Parte 2/3: http://www.youtube.com/watch?v=mI7EqkQxF8Q (esta parte é para quem gosta de praia e copos...)
Não é só a "minha" Singapura que transparece, mas acho que o programa capta muito bem o look e a alma da Cidade do Leão. Pelo menos vista pelos Tugas...

domingo, 30 de maio de 2010

Maré negra no Estreito




Na quinta-feira, três dias atrás, estava eu ainda em Singapura quando finalmente a "maré negra" a que também tivemos direito por aquelas bandas deu à costa. Estava no último dia de uma prolongada estadia na "minha" Singapura e já a fantasiar o regresso ao meu cantinho, ao Portugal de Junho, de calores e terra perfumada, de onde agora vos escrevo. Ainda faltam dois dias para o mágico mês, mas aqui onde me sento parece que já chegou! Já me estou a perder...

Voltando à passada 5a feira, estava eu com uma sensação de dever cumprido a planear o dia (último relatório, emails de despedida, fazer as malas e pouco mais) quando ao pequeno-almoço li a notícia no Straits Times que me fez dar um salto ao East Coast Park. Na madrugada de terça-feira anterior 2500 toneladas de crude haviam sido derramadas quando um petroleiro colidiu com um cargueiro numa passagem mais estreita no final do já de si Estreito de Malaca, à saída das águas de Singapura na direcção Sudeste, a 6 Km da ponta de Changi (o extremo leste de Singapura, onde se encontra o aeroporto e onde durante a segunda guerra os japoneses criaram um campo de prisioneiros britânicos que ficou imortalizado no livro "King Rat", de James Clavell, mais conhecido por ser o autor do badalado e televisionado "Shogun"). Lá estou eu a dispersar-me de novo...

Resumindo: na quarta-feira ao fim do dia o crude deu à costa, apesar de todos os esforços de uma mini-frota de dezanove embarcações e cento e vinte pessoas que com recurso aos mais modernos meios tentaram conter a mancha negra. E se Singapura está bem preparada para tal... Como não poderia deixar de ser: basta olhar para a foto do post anterior ou uma das fotos acima para se poder deduzir que, com tal volume de tráfego marítimo permanentemente a poluir a linha do horizonte, estranho mesmo é que acidentes destes não aconteçam mais vezes! Quando finalmente o Asteróide chegou às praias do East Coast Park já cerca de 7 km de linha de costa, desde a ponta de Changi até ao Big Splash, tinham sido atingidos pelo crude. Entretanto o impacte no areal tinha sido minimizado e colocado nos sacos de plástico negros que acima se vêem. Portanto a visão não era tão cataclísmica como eu cheguei a rechear. Mas as ondas ainda se enrolavam viscosas, e os banhos estavam naturalmente interditos. Foi a minha despedida desta enésima visita a Singapura, uma estadia de sete semanas entrecortada com um "saltinho" à Gringolândia via Toquio.

Agora os cães dormem à sombra da vinha selvagem que cobre a pérgula por cima da porta da cozinha, a gata não pára longe, embora sempre de olho nos canídeos, as tartarugas não param já, porque fugiram do canto onde as confinávamos e estarão algures pelos campos agrícolas que me rodeiam procurando o sentido da vida para anfíbios de trinta centímetros de comprimento, o peixe parou de vez, um verdadeiro matusalém dos peixinhos de aquário que só entregou a alma ao criador depois de ver a casa esparramar-se no chão da cozinha, onde passou 24 horas a estrebuchar até se cansar. Com os cumprimentos da sádica gata. Fui eu buscá-la ao cimo do meu pinheiro para isto... Bom, em suma: férias em casa durante uma semana!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Korsang cheu di saudadi


Na isti parti di mundo (Nesta parte do mundo)
Tantu tempu jah passah (Já passou muito tempo)
Mas, korsang nunca skiseh (Mas, o coração nunca esquece)
Korsang cheu di saudadi (Coração cheio de saudade)

A língua é Português. Não o Português de Portugal, nem o do novo Acordo Ortográfico mas sim aquele que resiste ainda em Malaca, a uns poucos centos de quilómetros aqui de Singapura, que por entre Sultões e Holandeses ainda chegou ao nossos dias. A estrofe foi "roubada" a um blog que vale a pena visitar, criado pela Cátia Candeias: Portugueses de Malaca, dedicado ao Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis. Um must, em directo do Bairro Português de Malaca.

Se me atrevi a usurpar estas palavras em Português de Malaca foi por tão bem reflectirem o meu estado de espírito desde que tirei a foto acima no último fim de semana, na praia da Sentosa. Estou em Singapura e olho para a saída do Estreito de Malaca, visão única de um mar coalhado de navios que se fosse há 500 anos pagariam portagem... ao Afonso de Albuquerque!

Por vezes até os Asteróides mais irrequietos perdem o brilho na cauda e a luz na alma e querem despenhar-se de volta a casa, transformarem-se de novo em areia e terra debaixo dos pés de quem amam. Korsang cheu di saudadi...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Global Private Eye

Esta fica sem muitos comentários, pois já hoje escrevi que chega por aqui... Pelos vistos o negócio é tal que até já dá para massificar a publicidade! Será que são as esposas que andam a portar-se pior ou os maridos que andam mais ciumentos? O que sei é que vale a pena visitar o website anunciado na foto, que vos apresentará uma respeitável agência de detectives de Singapura com mais de um quarto de século de existência, parte de uma rede global de "private eyes" peritos, principalmente, em fotografar mulheres nuas a pôr os palitos aos maridos. Ele há trabalhos ainda melhores que o meu...

PS: Concurso para o melhor nome de website para versão portuguesa desta rede de agências de detectives: http://www.apanha-a-gaja.corno/, perdão, .com? Venham mais ideias!

Fátima em Singapura

Todos vocês associam Fátima a algo muito nosso, os Três Pastorinhos e tal. Ainda agora passámos pelo 13 de Maio de novo, desta vez com direito a Papa em Portugal e tudo. Mas nem todos (apesar da minha fé na erudição dos leitores do Asteróide...) sabem que Fátima é muito mais que um nome de um sítio, para... os muçulmanos. no Acredito até que o nome do sítio "Fátima" poderá vir da presença moura no nosso território durante quatro séculos.


Fátima foi uma das filhas do Profeta Maomé. Mais exactamente aquela que casou com Ali, que ainda hoje nos dá dores de cabeça (é o tal que foi mártir, morto na sua luta contra demais "candidatos" a Califas, no que é hoje o Iraque). Com o seu martírio deu origem ao ramo Xiita do Islão, uma dissensão do Sunismo dominante.
Mas o que é que eu estou para aqui a falar? O que interessa é que Fátima está em todo o lado, nas nossas preces de terço em punho em Portugal, nas rezas no Iraque e... na tasquinha de hoje ao almoço, aquela que vendia comidinha muçulmana (nada de porco...) e onde comi um excelente borrego com uma molhenga picante, por cima do arroz "unidos venceremos" da praxe. Por 1,50 euros. Perdão, 1,70, porque o raio da nossa moeda está a desvalorizar à grande...

Saudades, pá...

Estes três estavam este fim de semana na gargalhada, a um canto de uma das torres de observação plantadas no que eu chamaria de ilha-da-ilha-da-ilha (ou seja, uma ilhota de areia ligada a uma das praias da ilha de Sentosa, que por sua vez é um pequeno apêndice no extremo Sul... da ilha de Singapura). Esta ilha-da-ilha-da-ilha ostenta um orgulhoso cartaz: "Southermost Point of Continental Asia"! Que é como quem diz, a Indonésia, mais para Sul e ali à vista, não conta para o campeonato, já não é "continental", é assim a modos que uma terra pulverizada por milhares de ilhas, entre o Índico e o Pacífico.


Mas não é para fazer analogismos com o Cabo da Roca que aqui estou. Já agora, este só se safa como "Westernmost Point of Continental Europe" porque não se conta com as ilhas (se não, na placa europeia, será Tearaght Island, na Irlanda (para lá da placa, com administração europeia, voltamos a ganhar: Fajã Grande, Ilha das Flores...).

Não, não estou aqui por causa do Cabo da Roca, estou aqui por causa desta foto, destes três que me fizeram lembrar os meus, mais crescidos sim, a "menina" como os "meninos", mas sempre no meu coração com sorrisos assim. Saudades...