Negro de petróleo, claro está... Embora continue a suspeitar da capacidade dos estados em viverem para lá da "maldição do petróleo" (Angola sendo o pior caso, Brasil correndo sérios riscos de se deixar inflacionar até ao estouro, e até a Noruega a viver à conta sem investir em infraestruturas), a verdade é que não consigo deixar de dar o benefício da dúvida ao Emir do Qatar. Aqui decerto ninguém se revoltará... Há um equilíbrio que se nota no ar, a riqueza é tanta e distribuída por tão poucos que verdadeiramente o incentivo para fazer barulho é muito reduzido. E se alguém acorda mal disposto e decide mandar um sms de protesto? Enterram-no logo debaixo de um milhão, o potencial organizador de manifs esquece o sms e compra um iPad novo para jogar o Settlers enquanto voa de férias para o Tahiti...
Venha um futuro negro! Se vier acompanhado de um Emir benigno...
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
Deserto com ideias
Qatar é quente. E não tem uma gota de água em todo o seu pequeno território (uma peninsula com vista para o Bahrein, com o tamanho aí do Alentejo e fronteira com a Arábia Saudita). Deserto, deserto e mais deserto. Ontem quando cheguei era noite e a temperatura tinha descido para uns "refrescantes" 36ºC. Hoje enquanto era conduzido do meu hotel em Doha para o trabalho (que me aguardava a uns 90 Km de distância para Norte) o carro marcava 44ºC. Um dia menos mau... A humidade, no entanto, estava surpreendentemente alta, o que torna o calor ainda mais difícil. Parece-me portanto que o clima é idêntico ao que me lembro dos Emiratos Árabes Unidos, aqui perto, anos atrás quando passava a vida caído no Dubai.
Como podem ver da amostra de Doha abaixo, colhida da janela do meu quarto como já é tradição, a cidade não é enorme nem super-produzida como o Dubai. No entanto lá mais ao longe espreitam os guindastes no que aparenta ser uma emergente "city a la megalómano". A ver vamos daqui a uns anos, com o Mundial de Futebol a vir para aqui em 2022, se não se acabam com uma bolha como o Dubai.
Por enquanto tudo vai bem nas terras de Sua Majestade o Emir Bom, Hamad bin Khalifa, sentado em cima de reservas de petróleo capazes de manter o Qatar por bastante mais tempo como o país do mundo com o maior PIB per capita (parece que durarão pelo menos mais 37 anos...). Claro que se divide o PIB pelos cerca de 200,000 qataris, numa população de 3 ou 4 milhões se incluirmos todos os estrangeiros que trabalham no petróleo, construção, refinarias, etc...
@
11.7.11
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Qatar
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