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sábado, 14 de abril de 2012

Cores de Primavera é na Holanda




Há momentos em que ao Asteróide fica melhor ficar calado e deixar as fotos fazer o discurso. É o caso hoje, para partilhar o que parecia ser o mais prosaico dos momentos:aterragem em Schipol, na Holanda. Prosaico porque me acontece muito aterrar em aeroportos. O que não acontece com tanta frequência é ficar fascinado com o que se vê pela janela. Ficam para a posteridade os campos coloridos da Holanda na Primavera, entre canais e sem mais discurso. Para além de uma pergunta: serão túlipas?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Moinhos e panquecas para acabar a semana


Dizia eu no post anterior, pelas cinco da manhã, que estava pronto para embarcar para Amsterdão. E por aqui estive, começando a primeira reunião em Amsterdão pelas nove da manhã e terminando a última pelas cinco e meia da tarde nos arredores de Roterdão. Agora de fugida no aeroporto de Amsterdão prestes a embarcar de novo (agora direitinho a casa para o fim de semana!), cá vão as fotos do dia. Uma ilustrando o processo de metamorfose que os moínhos holandeses estão a sofrer, a outra com uma instituição nacional por estas bandas: a famosa panqueca holandesa! Esta última devorada há momentos, quando um amigo que me deu boleia de Roterdão para o aeroporto de Schipol teve a bela ideia de parar para lanchar. Agora, Portugal comigo, onde conto ficar praí dois dias e meio sem voar. Fixe...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sol no Mouchão da Póvoa do Norte

Se nunca estiveram por aqui e quiserem saber como é a Holanda, sugiro que imaginem um Mouchão da Póvoa gigante. Isso mesmo, quadrículas esverdeadas esventradas por canais de água até perder de vista. Só faltam o Mar da Palha e os campinos. Por aqui estou mais uma vez. Como sempre mais chuva que sol, mas da janela aqui do hotel de Schipol perto de Amsterdam onde me encontro consegui ver o solinho numa fugaz aparição ontem de manhã. Fica aqui a justa homenagem ao astro-rei por ter animado um lusitano macambuzio com pena de ter deixado o sol para trás esta semana.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O carocha tatuado

Mesmo no meio do frio e da chuva miudinha, em Amsterdão é sempre possível caçar umas fotos diferentes. Cá vai mais uma, desta manhã a caminho do trabalho...

Secas...

Ontem cheguei atrasado uma hora a Munique, mesmo a tempo de perder umas cervejas com um bom Amigo, por coincidência no mesmo aeroporto por instantes, vindo de Bucareste e a caminho de Lisboa. Depois, mais uma hora de seca para além do horário para apanhar o chaveco da imagem (um Avro qualquer coisa, muito motor para pouco avião...) para Amsterdão. Chegar a Schipol quase à meia noite, apanhar o comboio para a Central e chegar ao hotel tarde e cansado. Nem sempre é divertido ser Asteróide...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Amsterdão em fotos. Finalmente...

Foi preciso chegar a 2011 para finalmente encerrar o capítulo Amsterdão, um fim de semana entre 10 e 13 de Dezembro último que só agora termina verdadeiramente, pelo menos na blogosfera. Chega de conversa, este post fica-se pelas fotos... Cliquem aqui!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A herança de Torquemada: os Homens da Nação em Amsterdão



Shalom. Que quer dizer paz. Como em "shalom aleikehm" ("a paz esteja convosco", em hebráico). Ou em "assalamu aleikum", em árabe, que soa praticamente igual. Tão elaborados cumprimentos dos cultos árabes e judeus ibéricos intrigaram os bárbaros cristãos durante a reconquista, dando origem uma palavra bem portuguesa: "salamaleques"... E esta fusão árabe-judia-lusitana leva-nos a este post e às fotos acima, só possíveis graças à
resiliencia bíblica (literalmente...) de um povo. Vejamos...
Após a destruição do Templo (o Novo Templo, uma modernice de Herodes destinado a ultrapassar em dimensão o antigo templo de Salomão...) no ano 70 da nossa Era, o povo judeu espalhou-se pela Europa. A diáspora caracterizou-se pela formação de duas comunidades distintas, a dos judeus que fugiram pela Russia e a dos que se fixaram na Peninsula Ibérica. Estes últimos são os Sefarditas, e é por causa deles que hoje ainda se fala português em comunidades judaicas um pouco por todo o mundo, de Israel a... Amsterdão. O outro ramo acabou por se estabelecer durante a Idade Média na bacia do Reno. Ambos os ramos acabaram por se encontrar na tolerante Amsterdão em grandes números, ao longo dos séculos. Em 1939 estima-se que 80,000 judeus vivessem em Amsterdão, mais de dez por cento da população. Em 1945 já só restavam 5,000, depois dos nazis terem feito descer a noite sobre a Europa.
Mas antes do terror nazi já os judeus tinham enfrentado tempos e personagens muito difíceis. Os Sefarditas em particular começaram a ter problemas quando os primeiros reis Visigodos na Peninsula Ibérica se converteram ao cristianismo (o rei Recared foi o primeiro a obrigar a comunidade judia a converter-se ao cristianismo). Depois veio a bonança, com a conquista Árabe. Que ironia... Com excepção de alguns períodos, Judeus, Árabes e Cristão mantiverem uma profícua colaboração ibérica sob o domínio mouro nas artes e ciências durante vários séculos, ao ponto da lingua árabe ter nessa altura influenciado a própria gramática hebráica. Depois veio a reconquista e os problemas voltaram, principalmente nos reinos que viriam a formar a Espanha, sob o domínio dos reis Católicos e do seu Inquisidor-mor Torquemada. O ano de 1492 não foi só o de descoberta da América... Foi também o da queda do reino de Granada, último bastião árabe e também a casa de muitos judeus. Noventa a cento e vinte mil (!) judeus, na maioria "conversos" (cristãos-novos) fugiram de Espanha, dos quais trinta mil para Portugal, tendo com isto um impacto enorme na sociedade do nosso país. A comunidade judaica duplicou no nosso país, e atingiu os 60,000 (8% da população de então). Quando D. Manuel "obrigou" os judeus a converterem-se (uma condição da noiva, filha dos Reis Católicos...) criou simultaneamente condições para que estes preciosissímos recursos humanos se mantivessem por cá, ao garantir por lei que durante vinte anos não haveria Inquisição para "verificar" se as conversões eram genuínas. Na realidade tal lei acabou por ser prorrogada para lá dos vinte anos e foi preciso a chegada ao trono do "beato" D. João III em 1521 para que a comunidade de "homens da nação" (assim se auto-apelidavam os cristãos-novos na nossa terra) se começasse a sentir ameaçada. E tinham razão: em 1536 a Inquisição chegou a Portugal.
O poder e importancia dos "homens da nação"na sociedade lusa de então permitiu no entanto adiar o primeiro auto-de-fé até 1540. Algumas famílias começaram a deixar-nos nessa altura, mas mesmo após este evento dramático a maioria dos cristãos-novos resistiram por cá muito mais teimosamente que os seus avós em Espanha no século anterior. Isto segundo David Cohen Paraira - seria Pereira? - o autor do delicioso "The Esnoga" sobre a Sinagoga Portuguesa de Amsterdão que me serve de guia para muito do que escrevo hoje aqui.
Finalmente D. Sebastião desapareceu no nevoeiro e levámos com o Filipe II de Espanha em Portugal, em 1580. Para os Homens da Nação foi a gota de água e o início de uma fuga em massa. Primeiro para Espanha, onde tentavam passar despercebidos (sem sucesso...). Depois mais para norte. Amsterdão foi um dos principais destinos. Em 1598 celebrou-se em Amsterdão o primeiro casamento português em Amsterdão, entre uma Maria e um Manuel, claro (Maria Nunes Homem e seu primo Manuel Lopes Homem, ambos de de Ponte de Lima). Os pais da noiva eram acusados de "judaísmo" pela Inquisição e estavam presos em Lisboa, mas a verdade é que os noivos se casaram clandestinamente pela Igreja Católica, assumindo publicamente um comportamento religioso prostetante. Protestantes-novos, de facto católicos, e ex-judeus? Parece um jogo de sombras... O judaísmo não era proíbido em Amsterdão mas a o catolicismo sim!
A comunidade portuguesa de origem judia em Amsterdão creceu de tal forma no início do século XVII que a partir de 1670 construiu uma das mais imponentes e conhecidas sinagogas do mundo. A Esnoga. Foi aí que tirei as fotos acima, mais uma vez de fraca qualidade devido às minhas experiências com a máquina para evitar flash em sítios escuros... O que interessa, porém, é a mensagem. Hoje um pouco mais solene do que habitual no Asteróide, cá fica uma vénia à resiliencia do povo judeu e uma homenagem ao preço que pagaram por ela: os milhões de vítimas dos tiranos, do visigótico Recared ao sanguinário Hitler, passando por Torquemada.
Shalom.

Urinadelas avançadas


O que acontece às pessoas nas sociedades modernas quando estas evoluem, evoluem, evoluem? Pelo menos em Amsterdão a resposta é simples: acabam a urinar pelos cantos, à vista de toda a gente, noite e dia, mesmo quando um tuga tarado anda por ali a disparar a câmera fotográfica de forma incontinente. Claro que o facto de serem avançados a este ponto não significa que os holandeses gostem de ser fotografados no acto, daí as fotos que vos apresento: granuladas pelo ISO elevado que seleccionei e pela distância a que as tirei. Mesmo assim, o senhor que dentro da jaula verde aqui vêem de coisa na mão apercebeu-se que estava a ficar famoso. E não gostou. Saiu de lá com ar de poucos amigos, pelo que me disseram. Eu não vi, já estava a assobiar para o lado e a tirar fotos ao mercado de flores flutuante ali perto, para disfarçar...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Reino das Bicicletas





Apesar das peripécias da última semana já depois de passar pela Holanda, em termos de blogosfera ainda não arranjei tempo para sair de Amsterdão... Isto apesar de já estar em Portugal há cinco dias, onde consegui chegar fugindo da neve. Em Amsterdão os brancos flocos chegaram na segunda-feira da semana passada, mas não foi o suficiente para me impedir de voar para Inglaterra nesse dia e daí pular para a Escócia na quarta-feira. Em Aberdeen a neve quase me caçou... Mas lá me safei e cheguei a Portugal na quinta-feira, com duas horas de atraso devido ao caos de Heathrow onde fiz escala. Sei hoje que foi mesmo a tempo! Mais uns dois dias por lá e ainda passava o Natal no aeroporto do mundo que mais odeio...

Por enquanto, meus amigos, têm de aturar mais uns estereótipos antes de Amsterdão vos deixar da mão... E cá vão umas fotos a fazerem jus a um dos três mais afamados estereótipos da capital holandesa: bicicletas em barda. "Bicacity" poderia ser uma alcunha de Amsterdão, tal como "Cidade do Trolóró" ou "Red Light City". Sobre esta última falaremos num próximo post.
E é mesmo uma "Bicacity". Até um autocarro a pedais passou por mim, como podem ver na foto. E um "ferry" ajouzado delas. E bicicletas por todo o lado... Estacionadas às centenas junto aos canais, aos milhares nos parques de estacionamento principais e aos milhões na rua a tentarem passar-lhes por cima... Não tenham ilusões: os holandeses passam-lhes mesmo por cima, sem dó nem piedade! Aquele passeio bem nivelado por onde vocês caminham romanticamente à beira de um canal é provavelmente uma pista para as bicas, portanto estão a segundos de serem passados a ferro. E os donos das bicicletas ainda vão ficar ofendidos! A não ser que fosse o dono da bicleta hippy da foto...

Isto das bicas trouxe-me à memória o que me contou um taxista árabe em... Oslo! É que na capital Norueguesa a malta também anda toda de bicicleta, como já lhes disse. À excepção por vezes de ex-primeiro-ministros a caminho da cerimónia de entrega do prémio Nobel da Paz, que apanham um taxi, como foi o caso a 10 de Dezembro último. Um dos grandes sinais exteriores de riqueza e status em Oslo (para além de apanhar um taxi...) é comprar por milhares de euros uma bicicleta xpto melhor que a do vizinho. É de facto uma excelente ideia, excepto se se for negro retinto, como um certo amigo do taxista de que lhes falo. Africano de sucesso em Oslo, o tal amigo negro comprou uma bicicleta xpto para chegar mais rápido ao emprego (dizia ele, eu acho que foi para fazer inveja ao amigo árabe...). Infelizmente logo na primeira viagem a polícia mandou pará-lo duas vezes. Após duas semanas já o tinham parado dezenas de vezes e chegava cronicamente atrasado a qualquer sítio onde se dirigia... Para a zelosa polícia norueguesa a braços com uma epidemia de roubos de bicicletas parecia óbvio: negro + bica xpto = ladroagem... O pobre homem ainda arranjou uma declaração do vendedor de bicicletas em como ele era o genuíno dono, mas nem isso ajudou. Acabou por vender a bicicleta a um norueguês louro. E provavelmente albino também.

Moral da história: as sociedades holandesa e norueguesa são muito evoluídas. Excepto se o assunto meter bicicletas...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Yes we can!

Pois podemos, mas não é a mesma coisa. Isto de entrar num "coffee shop" e dizer "ó faz favor" e depois pedir a coisa como se estivesse a pedir um galão não tem tanta piada como estar escondido atrás de um arbusto nas imediações do Café do Tó nos Olivais Sul.

De qualquer maneira foi bem bom despir as vestes e poses de trabalho e calcorrear ruas e
canais de Amsterdão, aspirando o ar perfumado da cidade do mesmo modo que o Presidente da Gringolândia o fizera antes. Aparentemente…

A acordeonista de Amsterdão

Ao frio de Oslo, onde os deixei no post anterior, seguiram-se uma catadupa de voos, sempre com frio e frequentemente com neve, pelo Noroeste da Europa. Começando por Amsterdão, onde cheguei a 10 de Dezembro para passar o fim de semana. Infelizmente as órbitas foram apertadas e só agora tenho tempo para vir aqui pôr a escrita em dia...

Nos próximos posts tentarei falar um pouco sobre esta cidade tão especial, por enquanto deixo-vos com a foto que mais me marcou. Desta vez nem sequer reduzi o tamanho da foto antes de a carregar no post, pelo que se clicarem na imagem vale a pena olharem para o sorriso mais de perto. Que diz muito sobre Amsterdão: um sorriso diurno bonito mas um pouco triste devido ao frio. Há noite a coisa é diferente, nesta cidade única...