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domingo, 23 de junho de 2013

O dia em que o Thames foi mesmo Tamisa



Um dia especial nas margens do Tamisa na semana que passou. Sim, Tamisa em bom Português. Começou com um inesperado workout solarengo nas barbas do Big Ben, uma corridinha antes das sete. Continuou com uma bela bica e um par de pasteis de nata no Café 89, um café-mercearia tuga que podia ser no concelho de Ponte de Lima mas que por acaso fica no Albert Embankment portas meias com os spooks do MI6. Depois de um dia de trabalho, uma carne de porco à Alentejana regada com Sagres ali perto no Madeira, enquanto o Poiares Maduro perourava na TV. Quando achava que já tinha que chegue para contar desta Londres no solestício de Verão do ano da Graça de 2013, eis que me surgem de novo o Parlamento e o Big Ben ao lusco fusco das dez da noite, servidos com um jovem casal de brasileiros à sobremesa, acabadinhos de chegar da manif que já cruzou o Atlântico até terras de Sua Majestade! Foi a terceira amena cavaqueira do dia em bom Português, ali mesmo ao pé do Grande Ben.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Lancashire profundo no seu melhor

Quando cheguei a este sítio perdido nos arredores de Manchester senti-me como se estivesse a revisitar Brideshed. Temperei um pouco o sentimento quando tive de enfrentar o sotaque da moça da recepção, senti-me mais a modos que entrando em Downton Abbey do que outra coisa. Mas depois de ter calcorreado quilómetros de corredores rangentes, subido e descido escadas e elevadores e cruzado o pátio frigorificado da foto até chegar ao quarto (que pela distância já deve pertencer a Liverpool) percebi que na realidade tinha chegado a... Fawlty Towers!



domingo, 10 de fevereiro de 2013

Picando o ponto

Refiro-me tanto à semana que passou como ao Asteróide. Uma semana típica pejada de vistas matinais sobre os telhados de Bolton, no enregelado Lancashire britânico, que de forma crescente é a forma profissional de picar o ponto. E um Asteróide que, de tão abandonado devido à concorrência do Facebook, me faz sentir culpado ao ponto de o preencher com um post razoavelmente inútil. Fica o ponto picado aqui na blogoesfera: "semana normal em Bolton, onde cheguei nas asas de um Flamingo* na segunda-feira e donde regressei na sexta noutro passaroco do mesmo tipo (como sempre atrasado...), com neve no início da semana e um raiozinho de sol aqui e ali para o final".

* aka Fokker 100 da Portugália, bem velhinho.

sábado, 20 de outubro de 2012

Here comes the sun, Kenny Dalglish, let it be...





Foi assim ontem, em Liverpool. Apareceu o sol e eu pela primeira vez vi a cidade que estava no meu imaginário desde a infância.

Liverpool colheu a minha admiração (e imaginação) desde que me lembro, por muitas razões. Penso até que, quando comecei a tomar consciência que havia outros países parta além do nosso cantinho, Liverpool foi a primeira cidade estrangeira da qual soube o nome. Mesmo antes de Tuy ou Badajoz! O Liverpool FC era a minha equipe favorita logo a seguir ao Glorioso. Mais tarde, já nos anos oitenta, ser fã do Liverpool ajudou-me a sublimar o choque de ver o Kenny Dalglish e o Ian Rush a dar baile no Estádio da Luz. E enquanto criança nos anos setenta Liverpool soava (literalmente) a modernidade, graças ao seu imortal lado musical. Até os meus amigos do sexto andar, com as suas guitarras, teclas e albuns dos Genesis, evocavam Liverpool (apesar dos Genesis serem do Surrey...). Na adolescência foi o capitão Hornblower que não me deixou esquecer Liverpool e as suas docas, mesmo quando navegava em agitados oceanos longinquos.

Foram só duas horas, quase todas passadas numa reunião. Mas da janela do carro ainda disparei a fiel Canon aqui e ali. Continuo a não conhecer Liverpool, mas gostei do ar que respirei. Se o sol tivesse aparecido mais ao Dalglish em Liverpool talvez ele se tivesse dedicado mais à música e nos tivesse deixado o SLB em paz... Eu cá apeteceu-me tocar guitarra.

domingo, 23 de setembro de 2012

Concorde forever!

Nem tudo foi mau em Heathrow ontem. A minha fiel Canon apanhou um passarão que julgava extinto: o Concorde ainda vive!

Heathrow sem emenda

Este Sábado de manhã eu já estava amuado por ter perdido a ligação em Londres. A culpa foi da Qantas e do seu A380 que já vinha atrasado de Melbourne quando o apanhei em Singapura. Mas o resultado foi ter de gramar dose dupla de segurança em Heathrow, primeiro no Terminal 3 onde era suposto apanhar um voo BA às sete da manhã para Lisboa, depois no Terminal 1 para onde me recambiaram para apanhar um voo da TAP para o mesmo percurso. Cheguei à Portela passava das três da tarde...

A foto reflecte o admirável sentido de humor dos britânicos, em particular o dos sádicos que trabalham em Heathrow. Uma data de viajantes frequentes ou milionários impacientes estavam como eu na fila do Fast Track, a linha prioritária para passar a segurança. Ter acesso a essa fila, para além de massajar o ego, é suposto fazer-nos passar a provação muito mais rápidamente do que os comuns mortais. Mas desta vez os comuns mortais, apesar de muito mais numerosos, fluiam rapidamente pelas quatro filas acessíveis para passar os raios X enquanto que nós, os tansos na Fast Track, penávamos numa fila única, acabando por demorar mais tempo para passar a inspecção do que os desabençoados. O climax foi quando abriram mais uma fila para o público em geral, fazendo a malta da Fast Track uivar de indignação! A foto foi a cereja no topo do bolo: não faço ideia do que na realidade queriam dizer, mas parece que estavam a gozar o pagode...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Subitamente, entre um bolo de arroz e um brownie...

...apareceram-me estes pastéis de nata. Está cumprido o desejo do nosso Álvaro, internacionalizámos os ditos! O negócio do pastel de nata singra pela mão do Cafe Nero, pelo menos no aeroporto de Manchester. Inglaterra hoje, o mundo amanhã! Infelizmente, penso que o nome da nação se espalha graças à habilidade dos ingleses em cuscar a receita no Google e não pelas artes exportadoras de Portugal... Pela via das dúvidas escolhi o brownie.

domingo, 22 de julho de 2012

O Shire


Passar esta semana passada à chuva em Bolton foi pouco surpreendente. O que foi uma surpresa foi descobrir que, passados uns meros dez minutos de condução a partir do meu hotel no centro, chegamos ao Shire. Bem, neste caso é o Lancashire, mas tive a sensação que a qualquer momento poderia ver um hobbit a saltar detrás de uma colina verde... Apesar da chuva e do lusco-fusco das nove da noite, percebi que o Reino de Sua Majestade não pode ser só uma fonte de anedotas meteorológicas. Fica esta vénia de um viciado do Tolkien aos verdes campos da Velha Albion, com os seus mémés, as suas pedras antigas e as carripanas do leiteiro a passar ao longe...

domingo, 1 de julho de 2012

Road to hell

O título é exagerado. Lá por o Norte de Inglaterra ser um local de trabalho habitual não quer dizer que odeie o sítio. O trabalho e os colegas que encontro por Bolton acabam por compensar a metereologia atroz que, essa sim, faria juz ao título... Quanto orbitei por aquelas bandas, semana e meia atrás, não deixei no entanto de capturar a imagem da foto.  Pela enésima vez refastelava-me no banco de trás e e olhava para chuva todo o caminho de Manchester para "o lugar que ninguém diz o nome, com medo que chova ainda mais". Pela 666...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Porra para a greve dos controladores aéreos...

E muito mais não digo. Estou chateado, zangado, revoltado. Não consegui perceber a razão da greve, e custa-me a entender que seja possível dar cabo da vida de milhares de pessoas em nome de uma 'liberdade' destas. Façam manifs, puxem pela imaginação, mas não nos deixem na porra do aeroporto de Heathrow a olhar para esta paisagem horas a fio! E com requintes de malvadez: fazem a greve às quintas e sextas para os Tugas que querem trabalhar trabalhem ainda mais, a disparar emails pelos lounges desse mundo, em vez de voltar para casa e abraçar a família. Ao menos para a próxima façam greve à segunda, pronto, fica despachado, e pelo menos a malta fica presa em casa, não no pior aeroporto do mundo...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ser stkitts&nevisense

No início do mês, após preencher o IRS online, fiz a simulação da praxe para saber o que o meu Ministro das Finanças quer de mim. Numa fracção de segundo deu-me uma avassaladora vontade de ser um stkitts&nevisense. Naquela altura não soube dar um nome ao sentimento que me assolou. Mas depois de ler avidamente o anúncio que aqui partilho, ontem ao jantar no lounge da British Airways em Heathrow, percebi que o que me deu vontade mesmo naquele momento foi ser um stkitts&nevisense... Fiquei a saber que adquirida essa nacionalidade, munido de passaporte de St. Kitts & Nevis e tudo, deixo de pagar impostos. Nem sobre os rendimentos, nem sobre os ganhos de capital e muito mesmo imposto sucessório. Se lerem o recorte ficam a saber que nada disto é impossível: basta comprar uma casinha na pitoresca micro-nação caribenha pelo valor mínimo de 400,000 dólares. Ou oferecer de 250,000 a 450,000 dólares para caridade, conforme a dimensão da prole que trazemos comnosco. A partir daí acabou-se o assalto. Com o nosso novo passaporte, como stkitts&nevisense podemos entrar sem visto em 130 países, incluindo o nosso espaço Schengen e sitíos simpáticos como Singapura ou Hong Kong. Podemos passar a residir o tempo que quisermos na nossa nova pátria (eventualmente na nova casa de campo) e o Governo nunca mais vai conseguir fazer o TGV. Pronto.
Por outro lado... E se eu passar a acreditar que o dinheiro até é bem usado por cá? Por enquanto tenho dúvidas. Mas também ainda me faltam uns anitos para me decidir. Tantos quantos terão de passar até ter dinheiro para a minha nova villa no Caribe...

sábado, 21 de janeiro de 2012

A nação que não me larga


Inaugurou-se o céu em 2012 com um pulo à Velha Albion esta semana . Foram três dias enterrado em Bolton. Um sítio esquecido pelo São Pedro, que parou um dia por aquelas bandas para urinar e esqueceu-se do pirilau por lá quando se veio embora. O sol não deve aparecer mais que três dias por ano naquelas paragens dos arredores de Manchester. Sorte a minha: um desses dias foi na segunda-feira, quando lá cheguei! Foi possível assim ver o sol, apesar de desmaiadito, a iluminar a Portugal Street que vos deixo na foto. Para além do nome e do sol por perto, mais nada da ruela ladeada de paredes de tijolo vitorianas faz lembrar a nossa casa. Mas é sempre reconfortante saber que Portugal está ao virar da esquina, principalmente quando estamos a bulir fechados a pouco mais de duzentos metros num sítio lúgubre, torres com paredes escuras e severas da antiga fábrica de algodão do século dezoito que se transformou em poiso esporádico deste tuga.

Talvez esta introdução tristonha a esta semana se deva ao estado de espírito político-económico. Logo na primeira órbita anual do Asteróide a nação, dorida e lamentosa, não deixou de se fazer ouvir. Começou logo à partida, cobrindo de nevoeiro a Portela e assim atrasando o voo para Manchester duas horas. Continuou ao saltar para a toponímia de Bolton, como quem diz "coitadinha de mim Lusitânia de Algarves e Indías, aqui tão isolada na selva de tijolo a tremer com dois graus abaixo de zero". E culminou já à vinda, quando berrou a partir da primeira página do Financial Times: "tou à rasca!". Ter a bandeira na capa de um jornal tão lido nos lounges dos aeroportos poderia ser motivo de orgulho. Mas infelizmente não anunciava a conquista do campeonato do mundo, nem que dobrámos primeiro o Cabo das Tormentas, nem que o Mourinho é bom e o Ronaldo ainda melhor. Não, o FT foi possuído momentaneamente pela minha nação para comunicar: "estou falida"!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nem com o Sherlock foram lá...

Ontem andei a fazer de turista no andar de cima de um autocarro muito londrino, vermelho e tudo. E descapotável também, muito a propósito para a função. Vá lá que estava sol, embora friozinho... Foi assim que esta foto me entrou pela velhinha Canon adentro, zap, de repente e mesmo a rimar com a semana que passou. Desta vez nada é elementar na mudança que se propõe para o euro, pelo menos aos olhos dos ilhéus aqui deste lado da Mancha.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Londres ao sol

De volta a um dos meus sítios preferidos. E excepcionalmente sem ter de trabalhar! Deixei o trabalho em Bolton (brrr...) ontem de manhã e só volto a bulir segunda-feira a caminho da Noruega. Por enquanto, e depois do Harrods e de um cheirinho do Soho ontem, passeatas e teatro mais logo. Viva Londres sem trabalho!

domingo, 16 de outubro de 2011

Glória Gomes

O lado obsessivo do Asteróide obriga-o a fazer uns flash-backs, neste caso de umas semanas para trás, para não deixar nenhuma escala dos seus périplos por assinalar. Daí não ser de estranhar a foto que vos apresento, que muitos de vós já terão reconhecido: Londres, a ser sobrevoada algures em Agosto. Por lá pernotei um par de noites, antes e depois da ida à Escócia vai para mais de mês e meio. A missão incluiu dois jantares com interlocutores diferentes, em anódinos hoteis de arredores da grande cidade. E é aqui que o título começa a fazer sentido: refere-se à empregada que me serviu num desses jantares. Estava eu a escolher o vinho quando ao pedir conselho à moça vejo o crachá com que se identificava na lapela: "Glória Gomes". Boa! Comecei imediatamente a dirigir-me à senhora em português, intrigado com um par de vinhos Tugas que surgiam no cardápio e dos quais nunca ouvira falar.

Mas fiquei a saber o mesmo. A Glória não só não sabia nada de vinhos portugueses, como não sabia falar português de todo! Nem ela nem muitas gerações anteriores da sua família, suponho... Sabem, é que a Glória era do Bangladesh e nem sabia porque é que tinha aquele nome. Já lhe tinham falado dos portugueses, mas provavelmente pensava tratar-se dos primos de Malaca...

Deste post poderão tirar-se conclusões profundas sobre o impacto que o nosso Portugal teve no mundo. Temos de facto uma história maravilhosa, uma saga que merece ser lembrada quando temos estes vislumbres do impacte global das nossas aventuras.  Devemos orgulharmo-nos. Mas depois da devida vénia e emoção, arregacemos as mangas, reconheçamos que a porra da história não nos ajuda a pagar o défice e centremo-nos no muito de mau que temos feito (ou que deixámos que nos fizessem). Devidamente cientes do nosso lado negro, pensemos mas é no que podemos fazer para reconquistar o controle de uma democracia tomada de assalto por caciques, esquerdas inúteis e direitas liberalóides, grupos de interesse corruptores, parasitas da partidocracia e um sistema judiciário inútil que nos arrasta para o buraco. Pensem para aí que eu vou fazer o mesmo...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O país dos sorrisos

Esta manhã encontrava-me de novo no lounge da British Airways, no Terminal 3 de Heathrow. Por “outra vez” refiro-me ao aterrar ali de manhã, no mesmo sítio de onde tinha saído na 6ª feira passada de volta a casa. Até me senti a modos que colega da chefa das empregadas lá do lounge, uma indiana pequenina com ar de dragão que já conheço de vista. A diferença é que na sexta feira passada vinha alegremente de regresso de uma semana dividida entre a fria Escócia (em Aberdeen estava uma mínima de 8ºC…) e a chuvosa Londres. Hoje estava de saída do meu cantinho entre vinhas e sobreiros, a caminho da tórrida Dallas onde me encontro agora: 41ºC de dia, 27 à noite! Portanto a disposição era muito diferente, só a Sra. Dragão era a mesma.

Dito isto, ficaram a perceber que o país dos sorrisos não deve ser a Escócia nem a Inglaterra, nem porventura a Gringolândia. Para que percebam onde fica tal sítio têm de continuar a ler...


Ao entrar na porta 35 do Terminal 3 de London Heathrow, para embarcar num voo da American Airlines rumo a Dallas, Texas, deparei-me com as costumeiras camadas adicionais de segurança (para alem dos entretanto vencidos raios X vigiados por paquistaneses e das apalpadelas da praxe em qualquer aeroporto). Cruzo-me primeiro com uma menina com sotaque polaco para verificar o passaporte, que me atira para os braços de uma matrona de sotaque russo. A matrona pergunta-me tudo o que quero ir fazer aos USA, desconfiada por ver no seu ecrã escondido que depois de Dallas vou marchar para o México. Finalmente tranquila, passa-me por sua vez para debaixo do olhar hipnotizante de um sique de turbante, que finalmente me verifica o cartão de embarque e me deixa passar.

Todavia não me dei ao trabalho de escrever tudo isto para me queixar dos fastidiosos processos das viagens aéreas pós-9/11. Nem para sorrir para dentro por ver a segurança da América nas mãos do paquistanês dos Raios X, da menina polaca, da matrona russa com ar de KGB e do sique de turbante.

Não, escrevo para partilhar a observação que ouvi da senhora russa, quando finalmente completou o longo escrutínio a que me submeteu. Disse-me a matrona: ‘Gostava de ir a Portugal. Deve ser um país muito bom. Todos os portugueses que aqui passam sorriem!' Depois de passar o sique e remoer nisto até me vieram lágrimas aos olhos…

Viva nós!

domingo, 8 de maio de 2011

Minimalismo desportivo britânico

Na sexta-feira estava eu para variar em trânsito por London Heathrow, folheando um pasquim local (já nem me lembro qual era, e pela foto também não consigo ver). No pior aeroporto do mundo já nos sentimos inflamados o suficiente com a pouco britânica ausência de fleuma, sentido de humor ou qualquer vislumbre de cérebros pós-neolíticos na seita que toma conta daquela xafarica. Pelo que não precisava de mais uma demonstração de surpreendente (ou não...) chauvinismo britânico. Vejamos. Na sexta-feira de manhã dois clubes portugueses tinham acabado de chegar à final da Liga Europa de futebol, a ex-Taça UEFA, na noite anterior. Não é igual à final da Liga dos Campeões mas neste tempo de troikas em que se avizinham tempos desgraçados no Luso cantinho uma notícia destas ajuda a levantar a moral dos Zés como eu. Portanto lá estava eu, a folhear freneticamente um pasquim britânico no pior aeroporto do mundo, sequioso de beber as palavras de louvor e reverente admiração dos nossos mais antigos aliados, a propósito de mais uma façanha Lusa. A minha figura era a do Tuga chapado: nem sempre dizemos bem de nós proprios, mas invade-nos uma alegria canina quando qualquer estrangeiro diz bem de nós.
Vã esperança esperar tal coisa desta raça de gente. Para além de gerirem aeroportos, os pré-neolíticos britânicos aparentemente também tomaram conta da imprensa local... Não estão cá com coisas: ou um troglodita da mesma tribo está em prova até ao fim para ganhar, ou então fingem que nem existe. Apreciem em todo o seu esplendor a notícia do pasquim referindo-se à conquista lusa: uma microscópica menção na banda da página 59, sem fotos, com um total de vinte e seis palavras (26!). No Vietname a esta hora pelo menos uma página é dedicada à coisa, e nem foram eles que inventaram o futebol... Enfim. Também, o que se havia de esperar da malta que chafurda num aeroporto daqueles e apresenta um défice maior do que o nosso?

sábado, 1 de janeiro de 2011

A fuga da neve



Com este post chego finalmente aonde queria: a Portugal, onde lá consegui vir passar o Natal e o Ano Novo. Mas a coisa esteve negra, ou antes, branca! Quando desci para tomar o pequeno almoço no meu hotel em Aberdeen no dia 16 de Dezembro começavam a cair uns farrapinhos de neve, que volteavam inocentemente sem se fazerem sentir na cor do chão. Aliviado, comi com toda a calma enquanto o táxi já aguardava lá fora, pensando que apesar das previsões lá iria conseguir voar para Londres e daí para casa... Passados quinze minutos, quando saí para fora, deparo-me com o nevão furioso que as fotos documentam! O taxi já estava todo ele mascarado de boneco de neve e a viagem para o aeroporto fez-se com muita dificuldade. Mais uma vez tive de embarcar na pista, onde a neve já não caia mas onde o vento soprava e a temperaturas era gélida, como acontecera em Oslo na semana anterior (apetece-me gritar de novo "Portela, estás perdoada!"). Cheguei atrasado a Londres, o que acabou por não ser mau de todo. No pior aeroporto do mundo, Heathrow, onde ainda nem nevava, o caos já se instalava e o meu TAP para Lisboa saiu com duas horas de atraso...
Mas a verdade é que cheguei a casa. E quem acompanhou os telejornais na semana antes do Natal saberá que metade da Europa ficou presa pela neve em aeroportos, principalmente, claro, em Londres. E não me parece que nas lojas de Heathrow vendam rabanadas...

Feliz e Próspero Ano Novo!

Em Manchester? Nada para fazer a não ser comer...

Sempre que passo em Manchester fico com uma impressão de vazio... Ainda por cima no mês passado, tendo lá chegado depois de um festim de emoções em Amsterdão! Em Manchester, nada. Nada de interesse, diria, a não ser o futebol, claro, se tivesse tempo e dinheiro para assistir ao vivo em Old Trafford a algum jogo do Manchester United. O mais emocionante que por aqui aconteceu nos últimos anos foi a passagem do Cristiano Ronaldo pelo "Man U" e a inauguração recente de um mega-hiper-shopping que atrai multidões. Quarenta mil lugares de estacionamento, meu Deus... A cidade de Braga poderia ir lá toda ao mesmo tempo e ainda havia lugar para os de Ponte de Lima.

Desta vez poupei-me a bocejos e fiquei duas noites no Hilton do aeroporto, para evitar deslocações. O trabalho pôde ser feito quase sem sair do Hilton (bem mau, por sinal, pelo menos a comparar com o standard a que estou habituado nos Hilton na Gringolândia...), à excepção de um salto ali perto para uma visita rápida e um jantarinho na segunda noite na hitchockiana tasquita que vos apresento na foto: o "39 steps" perto de Wilslow, nos arredores de Manchester. Finalmente posso recomendar alguma coisa em Manchester!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

BA 500

Para vocês este post pode parecer em código, mas não é. Para mim "BA500" significa "casa" em "aeroportês". Mais propriamente em dialecto de Heathrow, Londres, onde com alguma frequência desaguo indo para ou vindo de qualquer lado. O momento foi semanas atrás, regressando do Oriente, e os neons da foto foram música para mim... Casa!