segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mestres da oportunidade

Lá no sítio onde o Asteróide repousa das suas órbitas (digo 'lá' porque estou no aeroporto de novo prestes a embarcar...) o fim de semana passou-se gelado. Mas ao pôr o nariz de fora, para espreitar a vinha onde o meu amigo e vizinho Mr. Z. arava, deparei com este espectaculo. Ao ouvir o tractor as garças acorrem em grande número: almoço! Elas sabem bem que a terra revolvida vai expor milhares de saborosos organismos da terra, minhocas, insectos e até umas rãs fugidias. Faço votos, no meio de tanta crise, que tal como as garças possamos ver no arado uma oportunidade...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Estrela Solitária

Hoje o dia esteve cinzento e chuvoso em Houston. Chuvinha muito bem vinda por estas paragens, pois a seca tem imperado nos últimos meses. Mas não deixa de ser uma chatice: como em qualquer outra cidade do mundo, chuva significa empandeirar o trânsito por todo o lado... E "todo o lado" por aqui significa centenas de quilómetros de cimento pendurados uns por cima dos outros com longas filas de carros, lado a lado aos cinco ou seis. Enfim, lá cheguei a tempo a todos os ítios que queria, menos mal.

Esta observação metereológica não tem nada a ver com o que queria partilhar hoje, apemas se atravessou neste post porque a foto que escolhi hoje para ilustrar a prosa é cinzenta e melancólica. Como sempre nestas fotos que de repente me entram pelos olhos antes de serem fotos, fazendo-me disparar antes de pensar, a foto é abaixo de má. Mas depois de recortada sempre ficou ajustada ao que vos queria dizer: o Texas é único...

O Texas (dizem-me os cowboys aqui do sítio, que não são inteiramente de confiar...) é o único estado dos EUA cuja bandeira é colocada orgulhosamente à mesma altura da bandeira da nação america, a famosa "star & stripes". E com o mesmo tamanho, o que aqui significa um lençol do tamanho de um estádio de futebol. Significativo... Isto e o facto de as matrículas se gabarem da bandeira que têm: todas dizem "Texas -The Lone Star"' aludindo à única estrela do estandarte, em fundo azul ao lado de duas faixas, branca e vermelha. Querem os texanos com isto dizer que não são apenas mais um estado. São o Texas, uma nação por si mesma, uma estrela que nem precisava de se juntar ao maralhal e que apenas o faz por especial favor. E quiçá condicionalmente...

Eu cá acho bem. Como quiserem. De uma maneira ou outra amanhã piro-me e se tudo correr bem na quinta-feira de manhã já estou regalado, abraçado a uma esfera armilar...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

380,000.00 USD

Escrevo estas linhas a partir da porta D3 do Terminal 2 do aeroporto de Raleigh-Durham, prestes a embarcar para Houston. São 5:15 da manhã, como se vê pelo ar sonolento da foto. O aeroporto parece novinho em folha. Os lounges ainda não tinham aberto quando cheguei e aqui na porta o wi-fi paga-se, pelo que este post só irá para o Asteróide quando me conectar de novo,mais tarde em Houston. Julgava que me esperava um voo rápido, afinal partida e destino ficam alinhados mais ou menos à mesma latitude. E nem Raleigh é na costa do Atlântico, nem Houston é no Pacífico (na realidade até se liga ao Golfo do México, ainda do "nosso" lado do mar). No entanto o voo vai durar 3 horas e 15 minutos... Mais do que de Lisboa a Londres. Aliás, quase que dava para chegar de Lisboa a Oslo!
Não há dúvida que este país é grande... E para o provar nada como o número em título: o valor médio anual do total de trocos esquecidos nas máquinas de raios X dos aeroportos nos EUA. E soube-o de fonte seguro, o cuidadoso funcionário da FAA que me ajudou a rapar os meus cêntimos do fundo do tabuleiro, depois de passar a segurança. E isto sem contar com os cintos, iPhones, iPads, perfumes, desodorizantes e demais gadgets e 'necessaires'. Só os sapatos é que a malta tende a não esquecer...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Raleigh a cores

Fico adepto dos Wolf Pack. Ou seja, da cidade de Raleigh e da sua North Carolina State University, onde 'Matilha' é o nome que dão às suas equipas desportivas (pelo menos à de basquetebol...). Deixo-vos com um album de fotos deste fim de semana, com destaque para o muro e o túnel à disposição dos criativos inconformados aqui do sítio. Aqui em vez de se 'okuparem' os sítios, pintam-se os mesmos... De novo, e de novo, e de novo. A arte é fugaz (que o diga um grande amigo, que aqui passa a pé todos os dias para deparar sempre com uma nova pintura...), mas por isso mesmo será mais rara. E sempre se vende mais tinta!

Numa tasca brava com uma Sagres na mão

Apesar do título e da foto, não estou por enquanto de volta a casa. Nem sequer em território de 'nuestros hermanos"... Por incrível que pareça a Tasca Brava, onde ontem jantei em excelente companhia, fica no 607 da South Glenwood Ave em Raleigh, North Carolina. O dono deu ares de ser um espanhol dos sete costados, ao ponto de parecer ofendido quando lhe pedi uma Corona: "não, não, isto é um restaurante espanhol, nada de cerveja mexicana!". Mas não é que tinha Sagres!? Justificou-se o nosso amigo dizendo que "ó, mas os portugueses são os nossos irmãos!". Pareceu-me até que a voz se lhe embargou... Foi assim que bebi uma Sagres num sítio improvável, declinando o Muralhas de Monção que também descobri no cardápio e degustando como entrada um "portuguese papo seco"(sic) quentinho. Com manteiga.

Sweet Home

Cheguei à Carolina do Norte na sexta-feira e a relação com o título pode ser uma de várias. Por exemplo porque a capital do estado, Raleigh, é agora a casa de alguém muito especial para mim. Ou porque estou cansado, com saudades da minha casa e farto de órbitas. Ou ainda por causa do carro que escolhi em Nashville para cavalgar as 500 milhas e nove horas que me levaram a chegar ao destino na Carolina do Norte. Tinha quatro full-sizes à escolha (nome que os rent-a-car dão à classe das banheiras...), todos horrorosos Chevrolet Impalas. Escuros, lúgubres, tremendamente espaçosos mas com motores de seis cilindros com tecnologia que já não se usa. De todos acabei por escolher o único com matrícula do Alabama, para fazer jus ao título. O Estado do Alabama é identificado em todas as matrículas aí emitidas com 'Sweet Home'. Muito apropriadamente...

O 'Sweet Home' Chevy do Alabama trouxe-me então à Carolina do Norte, 'First in Flight'. Tal como a foto mostra, o estado da Carolina do Norte gaba-se em todas as matrículas por ter sido a pátria onde os irmãos Wright efectuaram o voo inaugural da História da aviação. Para além disso têm também o bom senso orçamental de vender matriculas personalizadas a quem tiver dinheiro para as comprar. Foi o caso do dono do Porsche Cayenne aqui ilustrado, seguramente vaidoso com os cavalos que tem para mostrar...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tornado land

O dia amanheceu mais compostinho aqui em Nashville, mais propriamente em Davidson Country onde ficam os resorts (chamam-lhes assim... ) para os turistas que por aqui desembarcam para se verem imersos em country music durante uns dias, vá-se lá saber porquê...
Para além da country music, esta zona conta com a sempre fiel colaboração das generosas tormentas que se formam nesta altura do ano. Daí que a manhã estivesse "mais compostinha": o comparativo aplica-se à noite, que terá sido pavorosa devido a um tornado que passou aqui por perto pelas duas da manhã. Eu estava ferrado, não sei de nada. Só de manhã reparei que um dos papeis que era suposto ter lido ao dar entrada no hotel dizia que 'esta é a época dos tornados, bla, bla, bla, obedeça imediatamente se o mandarem fugir, bla, bla, bla, em caso de alerta mantenha a tv no canal 3 para ver o caminho que o tornado leva, bla, bla, bla e, se o dito bater à porta, fuja para a casa de banho, que é o único lugar deste enorme hotel onde eventualmente poderá ficar a salvo. E nem de propósito... Os meus colegas ao pequeno-almoço contavam excitadamente as suas histórias nocturnas, como tinham sido acordados pela recepção por um telefonema para fugirem para o wc, para depois voltarem a ser chamados por telefone para aliviar a coisa e mandando-os de volta para a cama. Um amigo inglês relatou como calmamente retirou para o wc em cuecas, junto com o lap top, o blackberry, o whisky que estava a beber e a bolsa com os pacotinhos de chá que fielmente o seguem nas suas viagens.
Não sei se me telefonaram ou não, o certo é que não me assistiu nenhum medo da coisa... Coisas de quem anda cansado de tanto voar.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Graças a Deus pelo A330...

Desta vez não me refiro ao 'A' de Asteróide mas sim ao abençoado Airbus 330 que está prestes a descolar da Portela com destino a Newark, a caminho de Nashville. Sempre se vai menos mal, com video on demand e bancos-cama decentes, comparados com a alternativa... De facto conforto é coisa que 'não me assiste' no decrépito A340 que me calha na rifa de vez em quando nesta rota... Até já.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A nação que não me larga


Inaugurou-se o céu em 2012 com um pulo à Velha Albion esta semana . Foram três dias enterrado em Bolton. Um sítio esquecido pelo São Pedro, que parou um dia por aquelas bandas para urinar e esqueceu-se do pirilau por lá quando se veio embora. O sol não deve aparecer mais que três dias por ano naquelas paragens dos arredores de Manchester. Sorte a minha: um desses dias foi na segunda-feira, quando lá cheguei! Foi possível assim ver o sol, apesar de desmaiadito, a iluminar a Portugal Street que vos deixo na foto. Para além do nome e do sol por perto, mais nada da ruela ladeada de paredes de tijolo vitorianas faz lembrar a nossa casa. Mas é sempre reconfortante saber que Portugal está ao virar da esquina, principalmente quando estamos a bulir fechados a pouco mais de duzentos metros num sítio lúgubre, torres com paredes escuras e severas da antiga fábrica de algodão do século dezoito que se transformou em poiso esporádico deste tuga.

Talvez esta introdução tristonha a esta semana se deva ao estado de espírito político-económico. Logo na primeira órbita anual do Asteróide a nação, dorida e lamentosa, não deixou de se fazer ouvir. Começou logo à partida, cobrindo de nevoeiro a Portela e assim atrasando o voo para Manchester duas horas. Continuou ao saltar para a toponímia de Bolton, como quem diz "coitadinha de mim Lusitânia de Algarves e Indías, aqui tão isolada na selva de tijolo a tremer com dois graus abaixo de zero". E culminou já à vinda, quando berrou a partir da primeira página do Financial Times: "tou à rasca!". Ter a bandeira na capa de um jornal tão lido nos lounges dos aeroportos poderia ser motivo de orgulho. Mas infelizmente não anunciava a conquista do campeonato do mundo, nem que dobrámos primeiro o Cabo das Tormentas, nem que o Mourinho é bom e o Ronaldo ainda melhor. Não, o FT foi possuído momentaneamente pela minha nação para comunicar: "estou falida"!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Bong Natal e Bong Anu Nobu!

Nem esta foto nem a frase do título são uma premiére aqui no Asteróide. Mas como se adequam à quadra, achei por bem repetir a imagem do post de Outubro de 2007, versando sobre uma viagem rodoviária a Malaca em Março desse ano. Fica para a posteridade esta prova de que há 500 anos os nossos desempregados já iam para longe arranjar emprego. Com o Korsang cheu di saudadi...

Boas Festas!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Casa! Férias!

Esta vai sem mais comentários, ainda a bordo do pássaro acabado de aterrar...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Urinando envergonhadamente na terra dos vikings

A minha tara por sinalética de casas de banho públicas é conhecida. Pelo menos para quem visita o Asteróide com assiduidade. Quem acompanha estas órbitas há tempo suficiente até se lembrará do momento e local que deu origem à tara: Setembro de 2006 na ilha do Bornéu, acreditem ou não. Mais propriamente em Bintulu, estado de Sarawak (a terra do Sandokan), onde por leitura equivocada da sinalética me expus a ser decapitado em pleno Ramadão, por ofensa ao islamismo... Desde essa altura apanham-me com frequência a contemplar os signos à entrada do wc ou, pior, a tirar fotos dos mesmos. Fico aliviado quando as indicações são suficientemente claras, como na Noruega o ano passado, ou preocupado quando as imagens são mais dúbias, como no Outono Brasileiro do Rio Grande este ano.

Em todo o lado nos podemos divertir com o que se vê à entrada da casa de banho, mas na Noruega são especialmente bons a fornecer ideias originais. A foto acima, tirada num restaurante em Kristiansand, enfeitava uma porta. Por trás da porta, conforme esperado, estavam os urinóis espetados numa parede. A singularidade da coisa estava no factop de ser um wc unisexo... Na realidade a parede dos urinóis era aberta em cima e do lado oposto da porta, para que depois da função pudessemos transitar para o lado de lá da parede. O outro lado era onde as meninas faziam xixi, por trás das suas portas fechadas, claro, mas partilhando o mesmo espaço para lavar as mãos. É a teoria do "open space" aplicado aos wc públicos...

Depois do restaurante, e na mesma noite desta semana, passei a um bar próximo. Aí fiquei esmagado pela ditadura de género que reina na Noruega. Senti-me como um pequeno zangão submetido pelas valquírias nórdicas numa colmeia feita para elas, ao chegar ao wc da cave e me deparar com as portas brancas ilustradas no foto. Para além das quatro portas à vista, havia mais três ao meu lado esquerdo. Todas dizendo "Wo/men". Excepto uma que dizia "Standing"... Na nórdica valkiriaditaktorun as colmeias que fazem as vezes de WC são desenhadas para as especiais necessidades das damas. Ou seja: a) com abundantes assentos para as necessidades especiais das mesmas; b) com apenas um canto para os zangões; c) as damas que eventualmente queiram tentar a habilidade de fazer xixi de pé também podem ir ao "Standing" levantar a saia e tentar a sorte; d) ao enganosamente colar "Wo / Men" nas suas portas (os machos Latinos lêem algo como "Quem é Homem?"), as valkirias mestras tentam atrair  para os seus tugúrios alguns zangões mais distraídos e com vontade de se sentarem. Mas não a mim, ao je não enganam, nã... Lá fui fazer a minha coisa firme e hirto por trás do "Standing", tirei a foto da praxe à socapa e pirei-me da colmeia a sete pés, antes que a valkiria-rainha aparecesse por alí...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O cúmulo da mobilidade é...

Estar em Oslo, no lounge da Scandinavian Airlines, e sentir que estou na minha sala, no meu escritório, tão bom ou melhor que qualquer outro dos muitos locais onde abanco. Mas com melhor internet (e gratuita...). Lareira. E oferta de bebida e comida à descrição... Acho que estou desenraizado de vez.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Nem com o Sherlock foram lá...

Ontem andei a fazer de turista no andar de cima de um autocarro muito londrino, vermelho e tudo. E descapotável também, muito a propósito para a função. Vá lá que estava sol, embora friozinho... Foi assim que esta foto me entrou pela velhinha Canon adentro, zap, de repente e mesmo a rimar com a semana que passou. Desta vez nada é elementar na mudança que se propõe para o euro, pelo menos aos olhos dos ilhéus aqui deste lado da Mancha.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Londres ao sol

De volta a um dos meus sítios preferidos. E excepcionalmente sem ter de trabalhar! Deixei o trabalho em Bolton (brrr...) ontem de manhã e só volto a bulir segunda-feira a caminho da Noruega. Por enquanto, e depois do Harrods e de um cheirinho do Soho ontem, passeatas e teatro mais logo. Viva Londres sem trabalho!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

De novo a caminho

Mais uma órbita, partindo da Portela...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

É bom estar em casa


Para vocês estas fotos serão talvez do mais banal que já passou por aqui. Engano. Na perspectiva do Asteróide estas fotos apressadas, tiradas com o telemóvel num par de ocasiões nas últimas duas semanas, reflectem momentos raros e deliciosos. Conduzindo em Lisboa, ou passando sobre a ponte 25 de Abril. Para ser mais preciso: a rolar na ponte de Norte para Sul, não a voar por cima dela de Sudoeste para Nordeste como normalmente acontece numa semana normal, pouco antes de aterrar na Portela quando regresso de qualquer lado...

Adoro Lisboa e tenho saudades...

sábado, 12 de novembro de 2011

Na terra do Astérix



Esta semana o Asteróide aterrou em França e dedicou-se a testar as "autoroutes" do Sul do país. Apesar das fotos luminosas, não se iludam: na maior parte do caminho entre o Mónaco (já perto de Itália) e Pau (por cima dos Pirinéus, pertinho da costa oeste francesa) choveu e trovejou, mais de metade dos 760 Km que me calharam em sorte ao volante do traste do Ford Focus que me impingiram. Mas não deixou de ter as suas compensações, desde a vista do quarto no Mónaco (a marina de Cap d'Ail, que tecnicamente ainda é território Francês) até à aldeia do Astérix perto de Toulouse, passando pelas soberbas cores outonais na zona de Pau. Com os nevados Pirinéus ali ao lado. Há quem tenha semanas piores...

domingo, 23 de outubro de 2011

O fim do Verão

A imagem capturou o momento: sexta-feira 21 de Outubro às seis e meia da tarde. Foi para mim o instante em que este Verão acabou. Tinha acabado de dar o último mergulho do ano na piscina e o sol punha-se (às seis e meia!). A água estava mais fria do que o desejável e com mais folhas do que eu gostaria. E a previsão concretizou-se no fim de semana com chuva a rodos como se vê, agora que é Domingo e nos preparamos para uma segunda-feira chuvosa de Outono. Não será agradável mas é natural, se pensarmos que Novembro já bate à porta... Pelo menos estou em terra e não em órbita!

domingo, 16 de outubro de 2011

Convertidos a Baco

Com este post ponho finalmente a escrita em dia. Refere-se à passagem por Aberdeen em Agosto, quando constatei que o que eu pensava ser uma excepção afinal é a regra. Refiro-me à decadente tendência dos escoceses em transformar igrejas em bares...

A última vez que tinha passado por Aberdeen, em Novembro do ano passado, tinha descoberto o que pensava ser uma curiosidade pitoresca: o bar Soul, que ocupava o que em tempos havia sido uma igreja em plena Union Street, a rua principal da cidade. Desta vez as poucas horas que tive disponíveis ao fim da tarde puderam ser usadas para um passeio, pois em Agosto anoitece bastante tarde nestas latitudes elevadas. Desci a Chapel Street (a toponímia parece querer compensar a malvadez que fazem às igrejas...), onde o meu hotel ficava, virei à esquerda para nordeste na Union Street e não parei até virar à esquerda de novo na mui recomendada Belmont Street. Nesta rua encontra-se um bom número de tascos, pubs e bares, a começar pelo Slains Castle (cujo edifício estranhamente já dá areas de igreja...) e a acabar no priorado da foto. Que já não é priorado, claro está, mas sim Priorado de sua graça, nome de bar. De igreja do prior já não tem nada, transformado que está num local de copofonia. Não entrei mas posso assegurar-vos que não foi a última ex-igreja que vi assim metamorfoseada em Aberdeen. Pelos vistos os escoceses converteram-se a Baco...

Glória Gomes

O lado obsessivo do Asteróide obriga-o a fazer uns flash-backs, neste caso de umas semanas para trás, para não deixar nenhuma escala dos seus périplos por assinalar. Daí não ser de estranhar a foto que vos apresento, que muitos de vós já terão reconhecido: Londres, a ser sobrevoada algures em Agosto. Por lá pernotei um par de noites, antes e depois da ida à Escócia vai para mais de mês e meio. A missão incluiu dois jantares com interlocutores diferentes, em anódinos hoteis de arredores da grande cidade. E é aqui que o título começa a fazer sentido: refere-se à empregada que me serviu num desses jantares. Estava eu a escolher o vinho quando ao pedir conselho à moça vejo o crachá com que se identificava na lapela: "Glória Gomes". Boa! Comecei imediatamente a dirigir-me à senhora em português, intrigado com um par de vinhos Tugas que surgiam no cardápio e dos quais nunca ouvira falar.

Mas fiquei a saber o mesmo. A Glória não só não sabia nada de vinhos portugueses, como não sabia falar português de todo! Nem ela nem muitas gerações anteriores da sua família, suponho... Sabem, é que a Glória era do Bangladesh e nem sabia porque é que tinha aquele nome. Já lhe tinham falado dos portugueses, mas provavelmente pensava tratar-se dos primos de Malaca...

Deste post poderão tirar-se conclusões profundas sobre o impacto que o nosso Portugal teve no mundo. Temos de facto uma história maravilhosa, uma saga que merece ser lembrada quando temos estes vislumbres do impacte global das nossas aventuras.  Devemos orgulharmo-nos. Mas depois da devida vénia e emoção, arregacemos as mangas, reconheçamos que a porra da história não nos ajuda a pagar o défice e centremo-nos no muito de mau que temos feito (ou que deixámos que nos fizessem). Devidamente cientes do nosso lado negro, pensemos mas é no que podemos fazer para reconquistar o controle de uma democracia tomada de assalto por caciques, esquerdas inúteis e direitas liberalóides, grupos de interesse corruptores, parasitas da partidocracia e um sistema judiciário inútil que nos arrasta para o buraco. Pensem para aí que eu vou fazer o mesmo...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O vodka como instrumento geopolítico no Vietname

Algures no Vietname, ao quinto vodka: canta-se em Chinês.
Ao décimo segundo vodka, no mesmo jantar em Vung Tau onde se tinha cantado em chinês ao quinto copo, canta-se agora em Russo. Só faltou a música country para compor o ramalhete das grandes potencias que se têm cruzado no Vietname. Embora ao meu lado se sentasse um certo senhor do Texas, deixou-me filmar o momento geopolítico sem saltar para a ribalta...

Enfim, se o vodka foi capaz de me pôr a comer um esquilo neste mesmo jantar porque é que não poderia levar os meus amigos a cantarem em linguas estranhas?

Se fosse na Noruega seria uma saída de emergência de uma boite...

Mas não é. A foto foi tirada no Vietname, num corredor de hotel à saída do meu quarto em Vung Tau no final de Setembro. São coisas da lingua: Lôi Ra quer mesmo dizer "Saída" em Vietnamita...

Que post mais cretino...

Voltei!

Vinte e seis voos e sete semanas depois das férias em Agosto, eis-me de regresso a casa. Pelo menos durante duas semanas e tristezas à parte, espero bem ficar quieto. Ficam fotos e momentos por recordar deste périplo, que tentarei aqui partilhar quando puder. Para já fiquem com esta foto, que assinala a satisfação brasileira pelo retorno do Rock in Rio, que voltou também ele a casa depois de ter docado em Portugal uns tempos. A festa teve lugar no fim de semana exactamente antes de eu aterrar no Rio, já depois da passagem pelo Vietname. E ocorreu ali para as bandas de Jacareparaguá onde tirei a foto, para lá da Barra da Tijuca, mesmo ao lado da feira para onde me desloquei diariamente na semana passada.

Agora fiquem esperando pelos vietnamitas a cantar em russo e chinês, pelas impressões da Escócia e Londres por onde passei no início deste périplo mais recente sem tempo para partilhas na blogosfera, e mais pelo que eu consiga lembrar-me da rota Lisboa-Londres-Aberdeen-Londres-Lisboa-Londres-Dallas-Cidade do México-Villa Hermosa-Cidade do México-Madrid-Lisboa-Oslo-Lisboa-Amsterdão-Stavanger-Amsterdão-Lisboa-Munique-Singapura-Ho Chi Min-Paris-Lisboa-São Paulo-Rio de Janeiro-São Paulo-Lisboa. Para além da viagem de comboio a Roterdão e de carro a Vung Tau... Até já.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quatro e fim de um sonho

O Asteróide faz hoje quatro anos. Há exactamente 1461 dias e cerca de um milhão de milhas atrás publiquei aqui o primeiro post. E o segundo também, inaugurando a vocação do Asteróide como saltibanco com um mergulho no Mar do Sul da China.

A esmagadora maioria das rotas do Asteróide têm uma razão de ser. É a essa razão que dedico o post de hoje e a imagem que partilho. Sem a Euronavy o Asteróide não existiria (mas se existisse as fotos teriam ficado menos tremidas, nomeadamente as tiradas de taxi para o aeroporto, da janela do avião ou à pressa antes de entrar numa reunião...). É com orgulho imenso que faço parte desta família, mais ainda agora no fim. Um fim que me deixa muito triste. Mas não menos orgulhoso. Este quarto aniversário fica assim dedicado a todos os amigos e amigas na mais incrível empresa portuguesa que conheci, companheiros de uma aventura maravilhosa que acaba sem glória mas com muita honra. É muita a dor agora. E a minha não é nada comparada com a de outros. Mas não posso deixar passar este aniversário sem esta homenagem.

A aventura imensa que é esta empresa acabará em breve para todos nós, como grupo. Espero que possa continuar para cada um individualmente da melhor maneira possível. Todos nós somos diferentes como pessoas e como profissionais, para muito melhor, graças ao que passámos juntos. A Euronavy chega ao fim mas o "ser Euronavy" não.

Nenhum de nós que ficámos até ao fim deixou de sonhar. Até ao último segundo. Aconteceu simplesmente que não pudemos controlar as consequências de outros terem deixado de sonhar uns anos atrás... Só posso garantir uma coisa: enquanto o Asteróide existir o sonho da Euronavy será sempre lembrado.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Barra da Tijuca entre sol e nuvens

E eis que o sol finalmente se levantou, muitas horas depois de o ter feito em Saigão e um bom bocado depois de Lisboa. O que significa que estou no Rio de Janeiro, acordado e zonzo de fome desde as cinco da matina devido ao jet lag... Agora é tempo para a comidinha boa, já me estou a lamber com a goiabada com queijo!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

De novo no ar

O fim de semana não durou nada e eis-me de novo a voar... Até já na terra de Vera Cruz!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Enfim casa...

E hoje o jantar é bifes!

Volta Heathrow, estás perdoado!

Eis-me no fundo de Paris: o aeroporto Charles de Gaulle... É raro usar o CDG nas minhas ligacōes, mas desta vez decidi experimentar algo novo no regresso de Ho Chi Min. Ou seja, voar directo na Vietnam Airlines para Paris. Péssima ideia... O avião era um 777-200 antigo com uns bancos classe executiva que não faziam cama nem reclinavam completamente, e a comida era uma treta (se bem que eu não estava em forma para comer muito, de qualquer maneira...). Chegado a Paris, todo dorido mas a pensar no comforto e nos mimos de um lounge francês, deparei-me com uma enorme caminhada para passar do terminal 2E para o 2D, com o caminho mal assinalado, com uma multidão a passar pelo controle de passaporte (demorou-me uns 20 minutos) de forma desorganizada por carência de indicaçōes, enfim... Não consegui arranjar melhor caminho que sair pelo 2F e palmilhar mais uma eternidade até ao 2D. Aí tenho que reconhecer que as meninas da segurança eram bem simpáticas. No entanto logo que passei os raios X encontrei-me num espaço estreito, sem lojas nem lounge, apenas com as portas de embarque! Tive de voltar a saír para a zona pública, onde o lounge se encontra. Aqui estou agora, no lounge Air France a desabafar no Asteróide. Se a gaita do wifi me ajudar, pois parece estar um pouco titubeante... Mais tarde vou ter de passar outra vez pelas meninas simpáticas, do mal o menos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Miam, miam...

Estou a brincar, estou a brincar... Qualquer associação entre o post anterior e este é mera perversão vossa. Esta bolinha de pêlo é muito amada pelos donos (acho...) e tal afecto não se deve ao facto de ser docinho. A foto não foi tirada num restaurante, mas sim à saída de uma reunião num edifício de escritórios em Saigáo, hoje antes de vir para o aeroporto. Até eu confesso que tenho outra vez o estomago ás voltas com este humor pervertido. Andei o dia todo empalamado, desde que me explicaram o que tinha comido ao jantar um par de dias atrás. Como a explicação foi em inglês com sotaque vietnamita cerrado e muitos gestos à mistura, achei por bem fazer uma interpretação optimista: jantei uns noodles de esquilo voador! Ou seja, anteontem acabei a noite a roer uma patinha de um mamífero com asas, com unhinhas e tudo. Acho que percebi bem a explicação. Que outra coisa poderia ser, um mamífero que voa de árvore para árvore? Pela noitinha? Nã, não poderia ser outra coisa...