sábado, 27 de março de 2010

Primavera!

Casa! Família, cães, tartarugas, peixe e gata! Rãs na piscina e a passarada a trazer manhãs entre chilreios e esvoaçares assustados debaixo do alpendre! O verde a invadir o castanho e as laranjeiras a perfumar (não sei se é o tempo delas mas comprei seis para plantar que ainda aguardam que a terra enxugue...). As videiras a renascer como a foto documenta e o vinho novo do último ano que já rapou frio que chegue para perder a sua capacidade de nos provocar um doloroso dia seguinte. E mais uma ninhada a caminho: a gata está grávida... Não sei como. Bem, imagino né? Ou já vinha quando a salvámos da nossa oliveira (ou antes, do nosso cão zarolho e da nossa cadela coxa, que queriam "brincar" com ela e saltavam com ar guloso junto aos ramos mais baixos...) ou foi o Espírito Santo.

E nada de aviões até depois da Páscoa... Primavera!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Deus é Brasileiro

Só se o título for verdade se explica que uma vista como esta exista. E logo aqui na Cidade Maravilhosa. A vista é a que o olhar abarca a partir do Corcovado, com o Pão de Açucar lá em baixo. Atrás de mim está o Cristo (em obras...). Mas a verdadeira Maravilha do Mundo não é o Redentor não... É sim o que os Seus olhos alcançam, aqui traduzido pela foto que vos trago. Amen.


E eu que tinha ficado impressionado com a vista do Peak em Hong Kong...

Asa murcha...

A praia de São Conrado no Rio de Janeiro é o poiso de eleição dos "asa-deltistas" profissionais que ganham a vida deitando turistas abaixo da Pedra Bonita, fazendo-os voar lado a lado com o piloto desde os seiscentos metros de altura do morro até à praia onde esta foto foi tirada. O Asteróide já experimentou e recomenda. Infelizmente, três dias atrás, as autoridades suspenderam a actividade por tempo indeterminado. Há cerca de três anos morreram piloto e turista quando uma das asas se partiu em pleno voo. O piloto era um moço que vivia na selva lá no morro e que só fazia mesmo isto, voava como respirava, embora não soubesse o que era fadiga dos materiais. De vez em quando também acontece que o turista trava em vez de correr e o pobre piloto chega ao fim da rampa já de bico para baixo, reduzindo-se o voo a umas dezenas de metro até à primeira árvore que apanhar encosta abaixo. Tudo junto (e uma inspecção recente que verificou que já ninguém está inspecionando devidamente o equipamento) levou à suspensão. Em São Conrado é agora o espectáculo das asas coloridas... em terra. Voar, só sozinho na asa, com turista ao lado não!

Bráziú pitoresco

Juro não saber o que raio será um "hotel para solteiros"... Só solteiro encartado pode se abrigar? E viúva? E divorciado? E pode homem e mulher sem descriminação sexista? E se os hóspedes todos juntos em hotel tão piqueno mudarem de clube após algum tempo de co-habitação? E... Estou cansado demais para tanta cogitação (ao ponto de até a minha escrita estar ganhando sotaque...). Fiquem portanto a saber que no mundo há pelo menos um Hotel para Solteiro. Fica algures em Santa Teresa, subindo a caminho do Corcovado, Rio de Janeiro, Bráziú.

O mico do Pão de Açucar


A criaturinha da foto deu-se a conhecer dois dias atrás, quando consegui reservar um tempinho para um passeio com a cara metade aqui no Rio. Estávamos no Pão de Açucar (que merece sempre uma foto, cá vai também) e achei que o Mico merecia vir ao Asteróide para conhecer o primo da Sentosa...

domingo, 21 de março de 2010

Navegar é preciso


A foto nem precisava de título... Tirei-a dias atrás na Linha Vermelha (ou já seria na Linha Amarela?), uma espécie de segunda circular aqui do Rio de Janeiro, pouco depois de aterrar no Galeão e já a caminho da Barra da Tijuca, onde sempre fico quando estou na Cidade Maravilhosa. É nestas alturas que o Tuga sente o coraçãozinho a bater... Para quem ainda há dias estava preso em Newark, passou rapidamente pelo cantinho, fez duas festas aos cães, distribuiu beijinhos pela família, verificou se as tartarugas ainda estão a hibernar, deixou a gata enroscar-se no colo um par de noites e num piscar de olhos já está de volta ao aeroporto, nada como a frase em título como justificação. Por estas e por outras é que por vezes acordo e (literalmente...) não sei de que terra sou...

domingo, 14 de março de 2010

Are you the Captain?

Afinal não é preciso uma greve de uma transportadora aérea para abater o Asteróide... Basta uma peça avariada, como aconteceu ontem com o voo da TAP de Newark para Lisboa que foi cancelado. Aqui estou eu portanto de novo, agora a carpir as minhas mágoas, em vez de estar calado e sossegado na minha casinha no campo, na Lusa Pátria. A foto que vos mostro, sem grande vontade, é o mais próximo que verão de Manhathan: a Penn Station de Newark, onde poderia apanhar um comboio que em 15 minutos me despejaria no coração da Big Apple. Mas tal não vai acontecer: a TAP quer-nos a todos sossegadinhos aqui no Hilton do aeroporto, em quanto esperamos notícias.


Claro que para o Asteróide aparecer tive de me ligar à Internet. O meu lap top já apanha automáticamente o wi-fi de qualquer hotel da cadeia Hilton na Gringolândia, mas se não tiver um código que por vezes gentilmente me dão na recepção tenho de aceitar pagar uns dez dólares por dia para navegar. Assim liguei para a recepção, que pensa que a TAP é uma companhia de aviação de um país gigantesco, com aviões paquidérmicos, onde a tripulação é constituída por umas 30 pessoas (o número de viajantes encostados aqui no Hilton). O senhor da recepção logo me reconheceu como membro da tripulação e lança-me a pergunta acima: você é o capitão? Tive que confessar que não (embora tentado a dizer que sim só para ver o que acontecia...), pelo que este post me custará dez dólares. O que é barato para um pedaço de prosa tão erudito...

sábado, 13 de março de 2010

Sobre Serpicos mutantes, hábitos alimentares e mamas Italianas


Uma "premiére": pela primeira vez o Asteróide escreve e publica em plena rota, sobrevoando a Gringolândia algures entre Texas e Nova Iorque! Graças ao Wi-Fi a bordo da American Airlines.

Há umas horas atrás estava na fila para o “security check” no aeroporto de Dallas quando tirei esta foto. Como em muitas outras ocasiões, arrisquei-me a levar um sopapo, neste caso do dono da mala. Apesar do seu ar de pilotaço belicoso a condizer com os autocolantes, não reparou no meu momento como "paparazzi".... Pude assim documentar que não são só a TAP e a Lufthansa que fazem greves de propósito para me chatear. A American Airlines pelos vistos também. Mas não hoje...

Tirar uma foto à socapa foi coisa que não me atrevi a fazer ontem ao jantar, pelo que o Serpico do título terá de ficar para sempre entregue à vossa própria imaginação… Estava num Chedar’s ao pé do hotel, um restaurante-bar. Há Chedar’s por todo o lado na Gringolândia. É uma boa solução ao jantar, para comer e beber uns copos e ficar até mais tarde. Podemos escolher entre uma zona de mesas mais sossegada ou ficar pelo bar, onde ao balcão ou em mesas elevadas também podemos comer, com menos luz e mais som (refiro-me a toda a gente a falar alto…). Ali como em muitos outros sítios por estas bandas a maioria dos clientes eram negros (perdão, Afro-Americanos, como aqui se diz). Principalmente senhoras. E todas gordas, umas menos, outras mais (mais significa ao ponto de se derramarem para fora das cadeiras…). Com uma excepção: uma beleza Afro-Americana alta e escultural, de cabelos voluptuosos e olhar inquiridor, que quando cheguei com um amigo já estava a animar a noite de outro colega que por ali andava. Claro que flirtar com uma senhora negra estaria fora de cogitação de um outro colega com quem convivi estes dias, um “Southern red-neck”, texano puro e duro que ao ver os olhares gulosos dirigidos à menina logo nos diria “you bloody yankees, I would never swim on these muddy waters!”. Este tipo de “red-neck” abrutalhado e racista ainda pensa que o Sul ganhou a Guerra Civil.
Tão chocante contraste com o resto da população feminina do local não era normal. Na realidade rapidamente tirei as minhas conclusões, depois de saber que a senhora estava no bar com o “irmão”, um negro de colarinhos bicudos e óculos escuros à Serpico, peça de indumentária sem dúvida necessária num bar a meia luz às dez da noite… O “mano” controlava a coisa à distância, a “mana” acabou por largar o osso depois de arrastarmos o nosso colega do balcão para a nossa mesa. Uma excelente foto, que sensatamente decidi não tirar.

Se ao jantar podemos desfrutar de alguma calma, ao almoço é mais difícil. Anteontem num Subway perto do sítio onde labutei esta semana percebi que a malta aqui não come: alimenta-se. E rápido. O Subway faz sandes que são pedidas ao balcão, depois de estar na fila um pedaço. Esta fila é como uma linha de produção automóvel: quando se entra não se pára e quando se dá por isso já temos uma sandes atravessada na boca e o visa passado na máquina. Se paramos para perguntar o que é aquele molho esverdeado ou aquela coisa roxa antes de nos atrevermos a escolher o recheio da sandes, somos imediatamente bombardeados com grunhidos da fila que nos segue e suspiros da Mexicana que fica de colher na mão a olhar para nós.

E o que é que mamas Italianas têm a ver com isto? Bom, há sítios em Itália onde se pode lavar os olhos (e fazer mais coisas) na rua com boazonas maravilhosas, altas, loiras e provocantes, de peitos à mostra para toda a gente ver. A Polícia? Não pode fazer nada. É legal. Quer dizer, é ilegal para uma mulher mostrar os peitos na via pública. Mas os homens podem mostrar a peitaça! Moral da história: nunca alinhar com uma Italiana que mostre as mamas na rua para início de conversa. Capici? Se quiserem mais pérolas da sabedoria popular vão beber copos no Texas com ex-Marines.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Greens Go Home!

A foto não me deixa mentir: estou de volta à Gringolândia. E se tiverem paciência de me lerem hoje até ao fim vão ficar a saber de onde vem a expressão Gringo...


Passei cá a semana toda. Sem tempo para nada para além de tentar entender os nativos nos raros momentos em que me podia distrair da minha missão. Nessa alturas não só eu os tentava entender (principalmente aos texanos com a sua maneira de ladrarem os erres) como também eles me tentavam entender a mim (que também tenho a minha coisa com os erres no início das palavras em inglês, talvez por insistir em misturar o erre francês com o erre tamil...). Enfim, os morecões de sempre. Eles e eu. Eles com as tatuagens militares, com o passado nos marines, com as histórias de quando eram Rangers e saltaram sobre Granada, das suas duas comissões a "Libertar o Iraque" para ganhar umas coroas (este só parou de lá ir quando a mulher lhe disse "ou Bagdad ou eu!"). De entre os trinta companheiros de trabalho esta semana nem todos são ex-Rangers, Marines, tatuados e usam chapéus a dizer "Freedom Iraque Veteran" ao mesmo tempo. Mas todos exibem pelo menos uma destas características! Excepto um. Que era Mexicano.

E foi este Mexicano que me explicou de onde vem o nome Gringo (cada vez mais usado como adjectivo, e dos pejorativos...). Está no título: estas mesmas paragens onde me sento e descanso hoje já foram em tempo bem Mexicanas, até ao dia em que foram invadidas por uma maré de uniformes verdes, os "green uniforms" das tropas americanas de meados do século XIX. Em 1845 o Texas foi anexado pelos EUA (roubado aos Mexicanos, portanto). Os Mexicanos não gostaram. Cá vai disto! De 1846 a 1848 os Mexicanos gritaram "Green Go Home", defenderam a honra e a Pátria e, sentindo-se orgulhosos do seu desafio impante e do sangue de milhares de patriotas mortos, perderam para os EUA o Novo México e a Baja California, a somar ao Texas. Green-Go home. Gringo.

Mas a história tem destas reviravoltas. Passados 160 anos é a vez da Gringolândia ser invadida. Agora pelos carros coreanos, algo impensável há meia duzia de anos. Verdade vos digo: em Singapura guiava um Hyunday Sonata como este e dei-me muito bem. Mas aqui, ver estas carripanas de olhos em bico substituirem aos poucos os gorgelejantes V8 das pick-ups que enchem as estradas do Texas? Hell no! GREENS GO HOME!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Alguém viu o meu cavalo?

Passei os últimos dias em Londres, onde o frio e a chuvinha enregelante não me congelaram os neurónios, como alguns de vocês pensarão por enquanto, ao tentar relacionar o título do post com a foto... Já lá vamos.

Costumo gabar-me da sorte que normalmente tenho em Londres, onde contra todos os estereótipos costumo apanhar sol. Não desta vez... Só o facto de ter estado recentemente em Cleveland, que no Inverno parece o planeta Urano com 273 graus abaixo de zero, me deixou deambular por Londres sem apanhar uma depressão nem ver uma extremidade amputada. Quanto ao resto, Londres continua no seu melhor e um dos meus sítios preferidos. O "melting pot" mantém-se presente, mas sem ofuscar a elegância "very british" da gente que passa nem prejudicar a "cultura de pub" que nos possibilita matar a fome, elevar o espírito com fermentados de cevada e manter uma conversa profundíssima com um perfeito desconhecido em sítios quentinhos e acolhedores como só num pub de Londres, daqueles fundados hà 500 anos como todos os outros e que se encontram aos dois em cada rua. Carnegie está talvez demasiado "teen", mas Picadilly continua com o charme de sempre e os Táxis funcionam maravilhosamente. E na zona de Belgrave Square continua a aspirar-se o ambiente de bronzes e fachadas brancas entre colunas que define a elegância urbana de Londres como poucos sítios mais, entre Embaixadas e carros de luxo.

Basta de elogios. No que respeita a hotéis, o risco de pagar uma pipa de massa para ficar num hotel de quatro estrelas perto de Belgrave, de forma a ir a pé para onde tinha que ir pelas manhãs, e em resultado ficar a dormir num vetusto pardieiro que por 170 libras por noite me deixa ouvir Londres inteira entrando pelas janelas gemebundas dumas águas furtadas é, digamos, elevado. Ninguém diria que o Grosvenor Hotel (soa tão bem...) me surpreenderia desta maneira pitoresca, quando se entra no sumptuoso lobby e se fica esmagado com as madeiras, o piano, os panos, um ligeiro kitch que se atura porque parece querer indicar algo antigo e digno. Mas não, era velho e indigno... O serviço na recepção demorava eternidades, com os jovens de todo o mundo que ali trabalham a meter os pés pelas mãos e a demorar 15 minutos para fazer um check out que na América demora... 1 segundo! O bar fez o seu melhor para nos escorraçar de lá, com os lúgubres empregados polacos a tentar não nos verem. O ar condicionado do quarto era decerto barulhento porque tentava assim disfarçar o ruído da rua, mas que dizer do autoclismo ineficiente, das torneiras dos anos setenta a abanar, da cama estreitinha???

Foi por isso que pensei em inventar alguma coisa no fim da estadia que me valesse uma indemnização por todo o sofrimento (o menor dos quais não foi o ficar mais pobre umas centenas de libras...). O meu plano foi dizer que me tinham roubado o cavalo em que me deslocava. Estava ligeiramente ao corrente de uma lei dos anos cinquenta que obriga os hotéis em Inglaterra a indemnizar os hóspedes por extravio de bens, e como um cavalo desaparecido não está lá para nos corrigir poderia dizer que era um puro sangue árabe descendente em linha directa da pileca de Alexandre o Grande, valendo tanto dinheiro que até tinha que estar cotado em Bolsa. Bom, o hotel tinha de facto um catrapázio, informando simpaticamente que vigorava o Hotel Proprietor's Act de 1956 garantindo que seria indemnizado de qualquer perda. Excepto "motor-cars" ou... cavalos! Lá se foi o meu plano por água abaixo. Mas fiquei com um título para o blog.

Perguntarão vocês: mas o que é que o cavalo tem a ver com a foto? Não faço a mínima... Como sempre a minha colecção de fotos desta viagem é um amontoado de imagens borradas, desfocadas, encandeadas por flashes nos vidros dos taxis, aviões, comboios e riquexós que insistem em me levar alucinantemente de um lado para o outro. Ficou esta menos mal, com a sorte de ter apanhado uma espécie rara (a "águia dourada do enbankment"...) pousada no Big Eye. Tentarei apanhar um cavalo na roda gigante, para a próxima.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Poliglotas aos tiros

Depois do Verão de Orlando e do gelo e neve de Cleveland, a chuva de Houston. O Texas é como sempre um sitio delicioso para deparar com todos os mais comuns estereótiopos sobre a América... Cá vai mais um exemplo do país onde se pode entrar na loja da esquina e comprar uma kalashnikov. Ou uma bazuka.


Nota de rodapé: aqui entramos, como já relatei em outras ocasiões, no "país bilingue" onde o espanhol é tão predominante como o inglês. Mais: num restaurante, loja ou em qualquer recepção de hotel podemos falar sempre em Castelhano sem nunca ter de usar o Inglês... Curiosamente, em Orlando na semana passada, o Português tem uma presença inusitadamente forte: numa passagem pelo shopping mais perto do hotel acho que metade dos empregados de loja eram brasileiros (falei com dois e pude sempre usar a lingua nativa...). Quanto aos clientes, pelo menos metade das centenas que deambulavam pelo sítio eram famílias brasileiras de férias!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Brrrr...


O post anterior foi publicado um pouco à pressa, com uma foto tirada no telemóvel e através de um email enviado pelo mesmo. Agora de volta ao quentinho do hotel, tenho um pouco mais de pachorra para vos tentar dar uma ideia do gelo que aqui faz. A foto acima foi tirada hoje nas margens do Lago Erie, um dos Grandes Lagos aqui do Norte. Tal como em Chicago (nas margens de outro dos Grandes Lagos, o Michigan), também aqui as àguas congelam, como se pode ver. Os meus jeans congelaram também, com o ventinho a -6ºC que passava pelas perninhas, enquanto tirava a foto!

Rock gelado

Depois dos 25ºC de Orlando, seis abaixo de zero em Cleveland, Ohio... Isto ao almoco aqui no Hard Rock Café do burgo, baixa para menos dez mais logo!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cromo novo


Orlando, Florida. USA, pois então. Gringolândia de novo, como sempre em trabalho (embora a foto desta vez pareça desmentir tão esforçado móbil de viagem). Parte do mega, super, XXL evento em que para aqui estou, e entre reuniões e conferências, lá se arranjou maneira de espetar com 6000 marmanjos como eu ontem à noite no Hollywood Studios aqui do Disney World, onde me encontro. Julgava eu que o Disney World era assim a modos que uma Feira Popular mas maior... Na realidade isto tem o tamanho de Singapura e só os Estudios são maiores que umas 10 feiras populares!

Hora de jantar, só fisguei este bocadinho à traição para colocar uma foto à pressa no Asteróide e dar sinal de vida. Desde Outubro que o Asteróide tem navegado silenciosamente. Passou por uns sítios, Vietname soando a "deja-vu", Manchester cinzenta e enevoada, mantendo-se bocejantemente calado. Orlando é um cromo novo, a foto merecia, portanto cá estou de novo!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Comprar até cair para o lado

Ion. É com este nome com sabor a Matrix cinematográfica que mais um super flash shopping foi inaugurado em Singapura. Tal como mais uns 523 shoppings que deve haver por aqui, todos bem flashie e metade deles na Orchard Road, este também tem lojas das marcas mais queques: Prada, Dior, Gucci, Louis Vuitton, Armani... E não se trata das imitações de Bangkok! O que tem de mais diferente (partilhado apenas com outros 3 shoppings, por uma questão geométrica...) é que se encontra exactamente num dos cantos do cruzamento da Orchard Road com a Scotts Road, o mais disputado espaço comercial aqui do burgo. Uma chatice este mundo só ter 3 dimensões, o que faz com que os cruzamentos apenas disponham de quatro esquinas, por mais valiosos que sejam... No entanto eu ainda sou do tempo em que em vez do Ion se encontrava um jardinzinho bem engraçado, que se enchia de "mades" filipinas na sua folga de domingo, a vender calças de ganga da candonga e a comer bolos embrulhados em guardanapos, enquanto os bangladeshis pairavam por ali com ar guloso, saidos dos estaleiros com o seu fato domingueiro e as sandálias a dar e dar. Agora para comprar uma porra dumas calças no mesmo sitio teria de pagar umas cem vezes mais!

O mercado montanha russa

A euforia voltou à bolsa. Aqui na Ásia, e em Singapura em particular, os ciclos de "boom-and-bust" ocorrem de forma mais cavada mas também mais rápida. Quando aqui cheguei em 2006 aluguei um apartamento por 2500,00 SGD (cerca de 1250 euros) com contrato de arrendamento para dois anos. Nesse período de dois anos que terminou em meados de 2008 ocorreu um grande crescimento da economia local, que o meu senhorio aguentou estóicamente, roendo as unhas e rezando para que me fosse embora quanto antes. No final do contrato eu teria de passar a pagar o dobro (5000,00 SGD) se o quisesse renovar de novo! O pobre senhorio teve azar, porque entretanto eu estava de volta a Portugal... Mais tarde veio a crise de 2008/2009 e as rendas caíram a pique de novo. Agora estão outra vez em alta, o que é fácil de explicar se atentarmos à forma como a bolsa, depois de bater no fundo em Março passado já está agora de novo em grande, com o máximo anual a quase duplicar os indíces de Março, um par de semanas atrás! Singapura é uma economia completamente exposta aos ventos da economia global, para o mal e para o bem: assim como o PIB caiu mais que em qualquer lado das economias Ocidentais, está agora a crescer de novo nos dois dígitos...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Algarve no Algarve

Foi preciso chegar o Outono para me escapulir aos aviões e à gravidade intensa que a minha recém-nascida costela de lavrador tem exercido no Asteróide, pregando-o a uma piscina com vinha ali para os lados de Palmela quando não está a voar para o outro lado do planeta. Apetecia-me algo como o Algarve no Verão, que este ano me tinha escapado inteiramente. E que melhor sítio para nos reencontrarmos com o Algarve que o próprio "Ocidente da Andaluzia" moura, Al-Gharb dos nossos antepassados? E assim passei o fim de semana prolongado do 5 de Outubro no meu Algarve de menino, a dois e com os miúdos empandeirados para outras paragens. Ficámo-nos ali para os lados do Carvoeiro e arredores, a banhos entre a Praia da Marinha e a da Sra. da Rocha, passando por Benagil ou comprando vasos em Porches enquanto evitava colocar a t-shirt para não me arranhar com o sal, ouvindo as cigarras, comendo um marisco na praia ou mergulhando na àgua mais quente do ano. Delicioso, sem par. Por mais que se tenha estragado ao longo das últimas décadas e mesmo raiando o insuportável em muitas zonas durante o pico de Agosto, o Algarve ainda se deixa cheirar e sentir da mesma maneira que o fazia para este menino nos idos da década de 70. Pelo menos nos fins de semana de Outono...


Deixo-vos com uma foto da Senhora da Rocha, um dos cheirinhos a Algarve que resistem ao tempo. Desta vez até Singapura, de onde vos escrevo, parece mais enfadonha ao relembrar o nosso sol...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A terra do Fado do Queixo Espetado

Buenos Aires é de facto uma bela cidade, mesmo no Inverno, pelo pouco que pude ver. Única nas paixões pelo tango e futebol, que não são de facto meros cartazes turísticos… Para além do trabalho, esta estadia de 4ª feira a Sábado da semana passada pouco tempo me deixou para turismo, mas entre o hotel perto do monumento aos caídos na Guerra das Malvinas, perto da Plaza San Martin, e jantares na zona “in” do Madero (uma mistura de Expo – pelos apartamentos ditos chiques ao redor de uma marina, nas margens do Rio da Prata – com as Docas – pelos restaurantes impecáveis e bares noctívagos) sempre fui vislumbrando algo da cidade. Na 6ª feira acabei por roubar um par de horas ao afã habitual para dar um pulo de táxi ao bairro mais castiço: La Boca, onde o tango (tal como a foto acima) nasceu e o famoso estádio da Bombonera , casa do Boca Juniores, se instalou. Na volta fui deixado na rua pedonal chique de La Florida, com as suas loja de couros, livrarias, jóias e, claro, o Harrods (onde decorriam aulas públicas de tango).

Os Argentinos esforçam-se, ao primeiro contacto, para fazer jus ao gozo dos Brasileiros, que entre milhentas anedotas preferem aquela que revela qual o melhor negócio do mundo: comprar um Argentino pelo que ele vale e vendê-lo pelo que ele pensa que vale… No entanto não será bem assim, e como sempre quanto mais tempo se passa com quem quer que seja mais os estereótipos se esbatem. Em algo os Argentinos serão parecidos com os Lusitanos: ambos parecem ser autocríticos em excesso, ao nível da falta de autoestima. Nós sublimamo-lo com o Fado e refugiamo-nos em Sebastianismos, os Argentinos escudam-se numa falsa soberba e sublimam a coisa com o Tango, uma espécie de Fado de queixo espetado para disfarçar a tristeza.

A famosa Praça de Maio, conhecida pelas suas mães (aquelas cujos filhos desapareceram durante a longa noite da ditadura militar nos anos 70) só a vi de raspão, não longe da Casa Rosa, toca da Presidenta actual. Esta faz o turno pelo marido Kirschner, que atingiu o limite de dois mandatos e passou a mulher ao cargo, para o qual foi eleita nas últimas eleições presidenciais. Aqui o Presidente é que manda e o maridão da actual “chefa” deve voltar a votos e ao poder, fintando a Constituição, na próxima eleição. Entretanto a “chefa” adopta um estilo de Pão e Circo, “nacionalizando” as transmissões televisivas de futebol: os contratos com os canais de cabo pagos ou de “pay-per-view” foram cancelados e os canais abertos nacionais passam a transmitir os jogos mais importantes. O povão rejubila, a Presidenta justifica dizendo atoardas (“o sequestro do futebol pelos canais privados era comparável ao dos filhos das Mães da Plaza de Mayo”…) e a caravana passa. Bom, às vezes não passa. Buenos Aires com as suas longas avenidas, parques e edifícios sumptuosos de uma dignidade parisiense engana-nos com facilidade. Principalmente quando pelo meio destas vistas o trânsito flui facilmente, dando-nos a ilusão de estar numa Europa organizada e respeitosa.

O encanto quebra-se quando por exemplo um polícia tenta chegar à cidade, no meio do trânsito infernal de uma via rápida de acesso à metropole, e a isso se soma um qualquer protesto absurdo como por aqui há muito, transtornando ainda mais o caudal de metal impaciente que todos os dias vai e vem, como uma maré. Este polícia naval em particular (um “Perfecto”), dias atrás, tentou escapar-se do viaduto precipitando-se por um acesso local menos recomendável, para os lados do bairro de lata entalado entre o porto e as vias férreas que bordejam o La Plata, em frente às zona mais fina de Belgrano e Recoleta. Saíram-lhe ao caminho dois vultos de armas em punho, que foram corridos a tiro. Resultado: duas garotas de 17 anos atingidas, caídas com as suas pistolas de plástico na mão (esse era pelo menos o rumor inicial), uma delas acabando por morrer. O bairro levantou-se em peso, mais tarde cortou a autoestrada, e eu que não tinha culpa nenhuma vi-me enterrado no carro que me trazia de volta ao hotel, já muito perto do destino, a gastar uma hora para dar a volta à Plaza 28 de Mayo, inundada de camions e autocarros caídos dos viadutos da autoestrada, como dejectos de um esgoto que se parte. Apitos, gritos, e veículos de todos os tamanhos e formatos a misturarem-se uns com outros, em contramão, por cima de passeios, em trajectórias que nem se percebia para onde iam, todos sem dar um milímetro de espaço para qualquer outro passar. A imagem Europeia foi assim soterrada pelo espírito liberto das Pampa, com autocarros, carros e camions com portando-se como corcéis tentando fugir do cercado…

À laia de “até breve”, deixem-me dizer que é minha intenção colocar online os álbuns de fotos desta semana passada no “Cono Sur”, saltitando do Chile para a Argentina. Não prometo é quando…

Um chick já gasto: Vina del Mar, a Quarteira no Pacífico

Muito perto de Valparaíso está Vina del Mar, onde me dirigi mais tarde, no mesmo dia em que vim de Santiago. Ligada a Valparaíso por uma marginal que, mesmo sob chuva, me lembrou de alguma maneira a estrada homónima da linha de Cascais, Vina del Mar deve ter sido em tempos uma espécie de Estoril que se vê agora reduzida a ser uma Quarteira chilena, submergida no Verão por uma massa de turistas de Santiago que se distribuem pelas inúmeras torres de apartamentos mesmo em cima da linha de praia. Bom, fica a foto do Pacífico, mesmo à chuva, fazendo de conta que o cimento não espreitava sobre o meu ombro...

Valparaíso dos funiculares, vítima do Panamá

Condenado a disparar a câmera através de um vidro encharcado, com a falta de luz a provocar fotos desfocadas ao mínimo movimento (e, como sempre, normalmente disparo em movimento...), assim viajei de carro, sorumbático, de Santiago do Chile para Valparaíso. Foram pouco mais de 100 Km dirigindo-me para Oeste através da cordilheira que as separa, até chegar de novo (nos últimos tempos aconteceu-me bastante) às águas do Pacífico. Apesar desta outra barreira também apresentar picos nevados, não chega aos calcanhares dos Andes, que do lado oposto ladeiam o vale onde se aninha Santiago. Durante a viagem nem sequer se dá muito por se atravessar terreno montanhoso.

À medida que nos chegamos a Valparaíso os vinhedos multiplicam-se. Deve ser lindo, mas através da chuva não dá para notar... Deu no entanto para ver o cuidado com que as propriedades promovem a cultura do vinho, com as casas principais das quintas com grandes letreiros anunciando uma preparação para o turismo que a nós ainda nos falta, nesta vertente vinícola. Este turismo baseado no vinho já eu vi bem desenvolvido há mais de 15 anos na África do Sul dos últimos anos de apartheid, na região de Paarl perto do Cabo, mas em Portugal tenho ideia (também não ando muito por cá...) que não se aproveita o tema à mesma escala.

Em Valparaíso mais do mesmo: chuva, com a agravante de me ter deslocado muito a pé depois de largarmos o carro num parque subterrâneo. Valparaíso deve ter o seu quê, com as suas casas de madeira coloridas alcandoradas na falésia, com a primeira linha com vista para o Pacífico ocupada pelas mais luxuosas, numa das quais o famoso poeta Pablo Neruda morou. Pouco se nota já das riquezas passadas, quando Valparaíso era um dos principais portos da costa Oeste das Américas, paragem obrigatória para os navios que ligavam o rico Leste Norte-Americano ao Oeste do continente. Em 1914 o canal do Panamá mudou tudo, e só agora, captando navios de cruzeiro, Valparaíso tenta recuperar algo do seu brilho de outrora.

A costa do Pacífico nesta zona está entalada entre a cordilheira e o mar, sem apresentar sequer grande plataforma continental (logo ao primeiro passo deve perder-se o pé e dois metros à frente devemos ter um abismo aquático). Não é portanto de estranhar que a Valparaíso original, mais antiga, pareça "pendurada" nas alturas, enquanto que a zona mais moderna do centro se espraia em terrenos conquistados ao mar. Não tive tempo para explorar essa área, considerada Património da Humanidade, mas ainda deu para apanhar um dos ex-libris da cidade: um funicular (há vários), cujo ar vetusto não era só uma patine chic: a coisa estava mesmo com ar decrépito e dei-me feliz por subir e descer a salvo! Já agora, vi de novo em Valparaíso algo que não via desde a juventude, uma espécie que penso estar extinta em Portugal: trolleys, iguaizinhos aos do Porto de h+a muitos anos. Destes já não há mais...

Para que não seja só chuva e sombras desfocadas, deixo-vos o único sorriso dessa tristonha passagem por Valparaíso, captado de raspão como sempre.

Santiago, a Teerão dos Andes


Nos dias que passei em Santiago do Chile na semana passada uma chuva fria e desoladora decidiu assombrar a minha augusta presença quase todo o tempo. E se o próprio guia (em francês, o único sobre o Chile que consegui comprar em Portugal antes de voar para lá dos Andes) que me acompanhava já não prometia grande coisa sobre a cidade, então com o clima verdadeiramente invernoso desta altura no hemisfério Sul o resultado é uma colheita pouco brilhante de material aqui para o Asteróide. Sim, sim, lá dizia o Geógrafo que este é um planeta de boa reputação, mas Santiago do Chile sob chuva e frio (recentemente nevara) não é dos melhores exemplos. Estou provavelmente a ser injusto, mas não gosto mesmo de chuva com frio...

Sempre tive uma curiosidade especial pelo Chile, e penso que a vou manter, pois esta passagem de pouco mais de 3 dias não contribuiu para matar tal desejo. Das imagens de Santiago que revejo agora,´muito poucas se destacam: uma foto mais da vista de um quarto de hotel para juntar à colecção, uma única piscadela insólita da objectiva ao ultrapassar uma carroça numa autoestrada, com o seu cão "gitano" saltitando ao lado da pileca de serviço, umas fotos de umas esquinas do tristemente famoso La Moneda, o palácio presidencial onde Salvador Allende encontrou a morte, nesse outro 11 de Setembro (o de 1973) que viu Pinochet chegar ao poder e, finalmente, a foto que que ilustra este post, e que mais me maravilhou: os albos gigantes que ladeiam Santiado a Leste, nada menos que os Andes, parcendo esmagados sob o peso das neves eternas mais as próprias do Inverno que passa. A menos de 45 minutos de carro de Santiago podemos chegar a estancias de esqui, mas não é por isso que escolhi esta foto. A razão é a maneira como a maneira como Santiago se aninha sob os Andes me fez lembrar a cidade de Teerão, outra visita de há uns anos largis que está por aqui noutro post. Santiago está para os Andes como Teerão está para as montanhas Alborz que lhe protegem o flanco Norte.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

De raspão pelo Bronx...

Ena, ena, o Asteróide já se pode gabar de ter passado por New York! O GPS foi amigo e mandou-me pela Interstate 95 direitinho à ponte George Washington, umas valentes toneladas de aço sobre o Rio Hudson que me fizeram entrar com o meu Chevy em Manhathan, e das quais deixo aqui esta imagem artística, desfocada de propósito, pois então. Não fui aterrar em qualquer pedaço de New York, claro, havia logo de ser no Bronx... Castiço, sem dúvida, apesar da minha passagem não se ter arrastado mais de 5 minutos, com cuidados extremos a seguir a voz e a imagem do GPS, "keep left, then left", ou "exit right", tudo com muito respeitinho para evitar ouvir a voz começando a grasnar "recalculating", "recalculating"... Já vos digo, "recalculating" também é sinónimo de "bad news", ou "get your ass out of there", ou "porra que já me baralhei com a gaita do GPS e até os satélites estão chateados agora". Se tivesse tido mais tempo, muito teria gostado de mergulhar em Manhattan ao sabor dos sinais do trânsito, como fiz em Cuba há uma duzia de anos (mas aí era ao sabor dos buracos nas estradas e das boleias que ia dando, e tive duas semanas para me perder por lá como se não houvesse amanhã...). Nesse cenário idílico em que eu teria tempo para passear em Nova Iorque, bem que o GPS se podia esganiçar a "recalcular" a rota, só lhe voltaria a ligar quando estivesse de papo (e camera) cheios. Mas não foi o caso: de chuva e à noite, só não queria mesmo era deixar-me cair dos ramos da autoestrada no cimento frio e escuro das ruas do Bronx, para chegar antes da meia noite ao poiso de onde vos escrevo, Meridien, Connecticut. Mas de qualquer maneira serviu esta minúscula aventura na Big Apple para vos escrever este bocado de prosa e poder dizer, com ar ufano, sim, já estive em Nova Iorque!


Vi-me grego todo o caminho, desde os engarrafamentos na passagem por Baltimore até aos diluvios que apanhei ao passar perto de Philadelphia, e mais tarde o escuro sinuoso dos nós de autoestrada sobre o Bronx. Mais de seis horas de condução com umas paragens pelo meio para cafés, doces e um hamburguer, além de atestar o depósito do Chevy. Nada de divertido, à excepção de um cartaz das autoridades, com um certo sentido de humor (que infelizmente não fui a tempo para fotografar): "bumper benders park the cars in the shoulders". A expressão era mais ou menos esta, e sorri em particular com o "bumper benders". Traduzido como deve ser, com a subtileza de tentar perceber o que querem dizer com tal frase, saíria algo como "se for só chapa não fiquem a empatar o trânsito e estacionem os carros na porra da berma!". Mas uma tradução literal é mais engraçada: "se são uns amolgadores de para-choques estacionem os carros na berma". Bem pimba!

Já agora deixem-me dizer-vos que de facto o carro tinha razão em me avisar para verificar a pressão do pneu traseiro direito... Mas não era por estar a esvaziar, pelo contrário, em vez das 30 libras de pressão que devia, os artolas do car rental tinham-lhe espetado com 60libras!

Tou KO. Vou xonar...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

On the road again

De ontem para hoje separam-nos umas seis horas de carro, com o Chevy a regressar do Ohio de volta à Pensylvania ontem à tarde, atravessando esse estado sempre nas Interstates (ou seja, pelas despachadas autoestradas gringas, algumas das quais já com portagens e até algo parecido com via verde!) até desembocar aqui em Maryland pela I70, até às portas de Washington DC. Devem ter sido umas 300 milhas, mais de 400 quilómetros de passagem pouco aventurosa. Estou agora algures a norte da capital do Império, não muito longe de Baltimore. O tempo tristonho, sempre de chuva (ou trovoada), não me animou a deixar as interstates em nenhum momento, isso e o alarme de pressão baixa num pneu traseiro que me atormentou, aparentemente sem razão... Portanto apenas temos mais do mesmo: o Asteróide a tirar fotos enquanto conduz, como a que se apresenta agora (em movimento, e sem olhar!), sem tempo para nada mas a blogar como se fosse um Stanley dos tempos modernos... De qualquer forma fica o exemplo do que é a paisagem típica da Pensylvania, campos infindos de florestas entremeadas com quintas como esta, um filme que eu já tinha visto algumas vezes do ar e que agora apreciei rente ao chão. Tudo o resto é normal, parar numa área de serviço e atestar ou beber um café é tão igual ao dia a dia como o poderia ser na A2 em Portugal ou algures em Singapura.

As coisas só esparvoam um pouco no detalhe, como o do aviso pespegado no elevador aqui do hotel: "Smoking or carrying of lighted tobacco products in these elevators is illegal and subject to penalty not exceeding $25.00"... Como? Não tarda nada o tabaco é uma perigosa droga cuja posse é considerada crime!

Logo ao fim do dia ala para Connecticut, com passagem ao largo de New York. Ainda não é desta que vou conhecer a Big Apple...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Na Cidade das Pontes

A foto ilustra bem dois aspectos, um local outro nacional, da minha primeira paragem esta semana. A magnífica ponte de aço da 16th Street em Pittsburgh, segunda maior cidade da Pensilvânia, a meio caminho entre a Costa Leste dos EUA e os Grandes Lagos, é bem ilustrativa da cidade, também conhecida por "Cidade das Pontes". Nada mais que 446 pontes (Wikipedia dixit...), metálicas quase todas, e que encantam um apreciador de obras de arte antigas deste tipo, como eu. Fácilmente se entende o porquê de tanta ponte pelo facto de Pittsburgh estar encravada em cunha na confluência de três rios (o Allegheny e o Monongahela juntam-se para formar o Ohio River).

Quanto ao cartaz, também diz muito sobre o fascínio americano pelos seus heróis... Bom, antes a nadar no Hudson River do que afundado ao largo de Fernando de Noronha, à vertical da qual passei 48 horas antes do malogrado voo AF447, de regresso do Rio de Janeiro. Nem quero falar nisto, dá-me um pouco de azia, como ontem num teco-teco turbo hélice da Colgan a fazer a ligação Continental entre Newark e Pittsburgh. Pois não é que o piloto teve que andar aos zigue zagues para contornar as grandes nuvens de trovoada que se espalhavam pelo caminho? Ainda levámos uns abanões valentes mas não nos espetámos numa casa como há semanas os outros que iam para Buffalo... Lá estou eu outra vez!

Voltando ao que interessa, a feliz amaragem no Hudson é agora capa para promover o site http://www.values.com/, onde eu já naveguei sem perceber bem ao que vêm, embora sem dúvida não tenham fins lucrativos e transbordem de boas intenções. O site parece um pouco lamecha, mas se algum de vocês tiver paciência dê por lá uma passeata. Já agora, numa das secções, tém uma lista imensa de Valores desejáveis. Um deles é... a Ingenuidade! Pois, tinha de ser...

Espero bem poder juntar mais umas bocas esta semana, uma vez que vou estar montado num feíssimo Chevrolet Impala de seis cilindros, estradas afora aqui por este lindo país da Gringolândia, até 6a feira. Para já o Impala trouxe-me esta tarde de Pittsburgh até os arrebaldes de Cleveland, já nas margens do Lago Erie, umas 3 horas de condução pelas "Interstates" rodeadas de verde pontilhado de celeiros e pacíficas casas de madeira. Ainda deu no entanto para almoçar em Pittsburgh depois de terminar a minha missão por lá . Foi nesse espaço de uma horita e meia de passeio pelo "Strip" (um bairro "downtown" constituído por uma faixa contida entre a Penn Ave e a Smallman Street, junto ao Rio Allegheni, que com os seus bares, mercados e restaurantes me lembrou o French Quartier de New Orleans) que acabei por tirar a foto de hoje.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pluff!


O óptimo de viajar é apreciar melhor os regressos... Agora já não regresso aos Olivais, mas continuo pela Estremadura. Há pouco lavei a alma depois de um dia de trabalho ao conduzir para casa pelo meio das vinhas, não mais de 20 minutos sem trânsito algum. Nem Olivais para Cascais pela 2a circular, nem Bukit Timah para Tuas pela PIE, muito menos a M4 para entrar em Londres, ou a Niemeyer parada para ir da Barra para o Centro. Só casta Castelão a perder de vista até chegar aqui ao meu refugio, onde alimentei as tartarugas, salvei uma rã já meio intoxicada com o cloro da piscina, reguei os vasos e... cachapum na piscina! Confesso: o Asteróide gostaria mesmo era de se transformar em meteorito e despenhar-se aqui neste pedaço ocioso, sem mais aviões pela frente. Viva Portugal (antecipo-me ao 10 de Junho, que comemorarei devidamente com mais uns quantos mergulhos...). Mais voltas só lá para meados do mês.

Finalmente, um pouco de turismo...


Neste corropio infernal de órbitas em que o Asteróide caiu raramente há tempo para turismo. No entanto no Rio de Janeiro na semana passada consegui roubar uns minutos ao trabalho, num final de tarde bem bonito, um par de horas apenas antes do tempo descambar (no dia seguinte a Cidade já não estava Maravilhosa, no meio de nuvens baixas e chuva). Fica para a posteridade este momento em que o Asteróide 330 parou por momentos para subir ao topo do famoso Pão de Açucar, algo que recomendo vivamente. A foto diz tudo (e aqui foi tirada ainda a meio caminho, na passagem pela Pedra da Urca, entre duas passagens do teleférico). O sol punha-se gloriosamente para as bandas do Corcovado e banhava o Botafogo e o Flamengo. Poxa vida...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Abominável Homem do Leblon

Nem sempre há coragem para abrir o vidro fosco do carro, já noite, aqui no Rio de Janeiro. Nem aqui nem em muitos outros sítios em que o Asteróide se cruza com este tipo de cromos, no seu périplo de Saigão à Cidade do México, passando por Kuala Lumpur ou Teerão. Muito menos quando a tentação é fazê-lo quando se está parado num semáforo no Leblon, para mandar com o flash na cara de personagem tão assustador... Mas a verdade é que por 3 Reais tudo se compôs e ainda recebi uma garrafa de água como troco! O resultado, para lá de poder manter a primeira foto, tirada "à traição", foi ter direito suplementar a esta pose do... Abominável Homem do Leblon!


De resto, mais do mesmo. Aqui no Rio fico sempre na Barra, no extremo oposto do Centro, onde normalmente agendo as minhas reuniões. A Via Sacra para o trabalho é portanto maravilhosamente composta por uma colagem de trajectos quase sempre junto ao mar. Desde o "Elevado", um viaduto empoleirado na escarpa que passa da Barra para São Conrado, até às praias do Botafogo e do Flamengo já bem próximo do Centro, apanho normalmente a ziguezagueante Niemeyer no meio do arvoredo (passando bem junto de uma favela...), que me leva ao Leblon e ao Ipanema, transpostas sempre paralelamente ao areal, atalho antes do Arpoador para desembocar na Av. Atlântica em plena Praia de Copacabana, onde olho "bunda" em contra luz durante um par de quilómetros, até passar para o Botafogo.
Trabalho de Asteróide é duro, mas tem de ser feito... E lá estou eu contaminado com o sotaque daqui!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Do lado de lá do Atlântico

Deixei-os na costa Norte Americana do Pacífico, em Los Angeles, duas semanas atrás, reencontro-vos agora de volta ao Atlântico Sul e à Cidade Maravilhosa. Entretanto ainda dei um pulo a Portland, também perto da costa do Pacífico mas lá no Norte perto do Canadá. Regressei a Lisboa sobrevoando os Grandes Lagos (que são mesmo autenticos mares interiores!), e acho que essa passagem foi mesmo o mais emocionante momento da última fase desta última passagem pela Gringolândia, em que me arrastava já pelos aeroportos. Passei a semana passada na maior, em Portugal e sem necessidade de voar... E agora partilho convosco mais uma foto de quarto de hotel, esta das menos más dos últimos tempos, aqui na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, com vista para a piscina e para os morros (ali do lado está a Pedra da Gávea, que não podem ver...). Achei curiosa a vista, pois lembrou-me muito a vista de um quarto de hotel de Hong Kong, ano e meio atrás (grande prédios de apartamentos com a terra a erguer-se por trás).

São cinco e meia da tarde e já é escuro. De qualquer forma, apesar da praia ser linda e estarem 28ºC, a água é geladinha e o mar está revolto... A boa notícia é que amanhã pelas 5 da manhã tanto eu como o sol já estaremos de pé, muito antes da jornada de trabalho começar! Até já.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pacifico visto do lado de cá


LA, California, desde ontem. Ou seja, o Oceano Pacífico "comme il faut", porque do lado oposto do mesmo, quando apanhava em Singapura o barquito para ir à Indonésia, não creio que se pudesse dizer que já tinha largado o Indíco e entrado no Pacífico.
Para variar é só trabalho... De Malibu, Hollywood, Santa Monica, Long Beach, e outros nomes apelativos só consegui mesmo ver as placas nas "highways"... Mulholland Drive, Sunset Boulevard, bem, estes passeios que tanto gostaria de ter feito (e já cheguei aqui ontem pelas 9 da noite) ficam limitados a passar o dedinho pelo mapa. Nada de foto das letras garrafais no cimo da colina... Quedei-me aqui mais do lado Sudeste na área de Anahein e Orange County. Ainda deu no entanto para capturar um pouco do luxo desta paragens, na menos conhecida mas não menos milionária área de Newport Beach. Na foto estou empoleirado algures na opulenta área de vivendas de Corona del Mar, já perto de Laguna Beach, a apontar para Newport Bay. Acho que não é um sitío mau para viver... Agora, cerveja comigo, junto com uns indigenas locais que mais logo farão o favor de ir ver um jogo de baseball e graças a Deus não me arranjaram bilhete! Amanhã pelas 7h da manhã já tenho de estar a voar de novo, dispenso passar parte das horas disponíveis para dormir a olhar para um desporto chato e imcompreensível...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pessegueiro ao Alto

Os porcos deixaram de espirrar, o que resultou imediatamente em espetarem comigo dentro de um avião. Ou dois, neste caso, para chegar ontem aqui à terra do Pessegueiro ao Alto, como (vagamente) se chamava a povoação india Cherokee que existiu neste canto do Sul dos Estados Unidos da América até 1822. Depois foi o que se viu: os indios venderam as terras a colonos brancos e, mais tarde, acabaram corridos de todo o lado, incluindo dos sitios que nunca tinham vendido... Hoje o sitio chama-se Atlanta, Georgia, uma cidade que se tivesse tempo para visitar seria concerteza mais interessante do que Dallas ou Houston. Cerca de meio milhão de habitantes numa área metropolitana de 5 milhões, vegetação exuberante, "highways" serpenteantes, "downtown" com uns arranha céus, taxistas gatunos (ontem foi um com ar de etíope a dar-me música étnica em altos berros "a la Prestes João", até me conseguir arrastar durante 62,00 USD de trajecto para - à segunda tentativa - me descarregar no hotel correcto). Tudo normal. Até o hotel, sempre de grandes camas e fofas almofadas em profusão. Gosto. Só para não passar a vida só a dizer mal dos Gringos...


Ainda sem precisar de recorrer à Wikipedia para ilustrar a minha não-visita a Atlanta, recordo que Tudo o Vento Levou se passou nestas paragens. Recorrendo à Wikipedia posso ainda afirmar ufanamente que Atlanta é a sede da Coca-Cola. E foi uma das principais bases de Martin Luther King. Em 1996 albergou os Jogos Olímpicos (já não me lembrava desta...).

Logo à noite volto a voar...