quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Motolândia



Apesar do Dó Mói de que falo no post anterior, há coisas que não mudam no Vietname. Uma delas são os milhões de motas que continuam a assolar estradas e ruas e a forma como os Vietnamitas as usam. Deixo-vos uns poucos exemplos, desde a típica família de quatro (já as tenho apanhado aos cinco na mesma mota...) onde os pequenos dormem a sono solto enquanto o pai guia a coisa no meio da maior confusão, até à moto-cargueiro perto de Dung Quat, passando pela admiração da pequenita que de repente vê este extra terrestre da Bô Dào Nha a tirar-lhe uma foto! Se estão a ler o Asteróide é porque gostam de sítios estranhos, por isso recomendo que cliquem no link para saberem mais sobre Bô Dào Nha...

Dó Mói


Dó-Mói em Vietnamita significa "mudança". E mudança não falta na Conchichina, a passos largos. Do Moi é também o termo escolhido pelo Estado desde 1991, quando a queda da União Soviética deixou o Vietname sem as ajudas dos camaradas e a ter de fazer pela vida... É um termo que está para o Vietname como "Perestroika" para a Russia e estabeleceu uma série de novas regras que têm aos poucos feito a economia do Vietname funcionar de forma mais parecida com uma economia de mercado.

Desde que comecei a visitar o Vietname com frequência no início de 2006 cada seis meses permitem notar diferenças, principalmente em Saigão (Ho Chi Min City, alcunha HCM). As ruas e estradas ainda são um rio de motas, mas agora imensos carros navegam nessa corrente de motociclos. Não era assim há cinco anos atrás. Muitas páginas do meu passaporte depois (cada visto à chegada consome uma página inteira...) é possível hoje tirar uma foto como a deste post, tirada dias atrás em HCM: um espectacular arranha céus (não me lembro de ver este em Outubro quando estive por cá a última vez...) contrasta com a senhora da fruta, que como muitas colegas de profissão continuam a calcorrear a cidade vendendo fruta, água de coco e garrafas de água mineral que, claro, apenas contêm pouco recomendável àgua da torneira. Ou o último modelo da BMW passando pela foice e martelo de forma muito natural...
Desde que chegou ao Vietname na passada sexta feira o Asteróide adquiriu uma sub-órbita bem cansativa, de HCM voando para Dung Quat e Danang no centro do país, ou penando de carro três horas para ligar HCM a Vung Tau, uns meros 100 Km de pesadelo. Esta estrada continua uma das piores do mundo, ouço dizer que a Do Moi só resolverá o assunto daqui a uns dois anos...

Saigão foi bom. Como de costume fotos há muitas, tempo para as partilhar é que escasseia. Tentarei contar-vos mais em breve... Agora já me mudei para a Tailândia, pelo que será difícil pôr a escrita completamente em dia!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Do Lamborghini amarelo ao búfalo de Mindanao, passando pelo caixão da Miss Kitty



Quem liga alguma coisa ao Asteróide sabe que este tem um certo fascínio pelas notícias dos jornais asiáticos, em particular as recolhidas em Singapura. Estando de novo de passagem pela Lyon City, e antes de marchar para a Conchichina logo à tarde, não podia deixar de partilhar aqui mais umas notícias pitorescas.

O Sr. Koh está preso. Assim ficará, pois não consegue pagar os 1,5 milhões de dólares de fiança que lhe foi estipulada. Não consegue porque estourou todo o dinheiro que gamou no cumprimento do seu trabalho ao serviço do Estado, como funcionário público. Estourou a massa toda a tentar passar despercebido: apartamentos de luxo, Mercedes à pazada e, para que de uma vez por todas não se pudessem aperceber que ele era apenas um honesto manga de alpaca vivendo do seu salário no Estado, um Lamborghini que custou um milhão e meio de dólares...
Quem já ultrapassou estas preocupações mais terrenas (por exemplo ler as intruções de uso do Lamborghini) dedica-se à arte. É o caso de um grupo de idosas que como terapia para reduzir a angústia da morte pintam os seus próprios caixões. Sábiamente conscientes que a maquillage não se vai aguentar muito bem quando descerem à terra, usam esta maneira mais duradoura de se apinocarem.

Enquanto Mr. Koh acelerava no seu Lamborghini e a nonagenária Miss Kitty dava umas pinceladas no seu caixão, algures na cidade uma "made" filipina ou indonésia enrolava-se com o seu namorado bangladeshi. Uma em cada duzentas criaditas internas que as famílias de Singapura importam à pazada, através de agências, acabam repatriadas porque cometem a imprudência de engravidarem. Diz o Sr. Silva (sim, é mesmo Silva, Martin de sua graça...), dono de uma dessas agências, que são as mais "experientes" (leia-se estarem aqui enterradas longe de toda a família há uma data de anos), com acesso a telemóvel e com um diazito de folga ao Domingo (estragam-nas com mimos!), que acabam por dar estes "problemas".

No dia do Juízo Final uma quermesse venderá o espólio de todos os Kohs deste mundo às velhinhas ricas que não querem morrer sem dar uma volta de Lamborghini e o dinheiro obtido será oferecido às mades filipinas de Singapura. Estas poderão voltar à sua aldeia no meio da selva em Mindanao, construir boas casas, ter filhos do seu amor local e passar as tardes estiraçadas de costas em cima do seu bufalo, a olhar para o céu azul enquanto este rumina plácidamente com àgua pelo joelho no meio dos arrozais. As suas mãos vão beliscando a pança do animal para saber quando este finalmente encheu a barriga. Com o sol já a pôr-se, voltará montada no bicho para o seu lar. Os seis filhos gritarão de prazer ao vê-la chegar e o pai deles, que já não precisa de andar embarcado, sorrirá para a sua amada. A criada Singapurense já pôs a mesa e começa imediatamente a servir o jantar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Big canguru bird





Apesar de no seu estado natural o Asteróide estar a voar, nunca se cruzara com o Airbus A380 antes. Este badalado superjumbo pode levar mais de 800 pessoas de um lado ao outro do mundo a 950 Km/h, se forem todas enjauladas em classe económica e bem barradas com desodorizante, ao longo dos dois andares do avião, ao longo de toda a fuselagem. Este procedimento não foi necessário no meu caso, pois viajei com a australiana Qantas de Londres para Singapura, que prefere uma configuração menos parecida com uma carruagem de gado: capacidade para 480 passageiros distribuídos por quatro classes: 14 em Primeira, 72 em Executiva, 32 em "Económica Premium" e os restantes 332 barrados no tal desodorizante.
Pelo menos no caso da classe Executiva recomendo este pássaro. As "células" permitem um bom isolamento quando o lugar é completamente rebaixado, dando origem a uma cama completamente plana. O ecran atribuído a cada lugar é razoavelmente grande e o touch screen permite escolher qualquer filme a qualquer hora, incluindo os mais recentes ainda nas salas de cinema. Para desentorpecer é possível espairecer no bar situado à vante do convés superior (que é completamente ocupado pelos lugares de executiva). Aí cada um se serve de vinho, queijos ou outros acepipes, a partir do bar que vêem na foto. Pode degustar a coisa sentado nos sofás vermelhos que também partilho convosco. Bem bom para variar. Claro que o melhor era descer para a proa do convés inferior pela escada que podem ver e refastelarmo-nos nos lugares de primeira classe... Até já em Singapura onde me (re) encontro.

domingo, 26 de setembro de 2010

Don't vote, it just encourage the bastards!

Horas atrás, ao olhar para esta estante de livros no Bush International Airport de Dallas, avancei mais um passinho nesta longa caminhada para o entendimento desta grande nação que é a Gringolândia, mais os seus pitorescos nativos. O título do post é extraído de um dos livros. O autor defende que o governo americano não devia pura e simplesmente existir. Segundo este patusco (que não é totalmente tolo, todavia...) o governo, qualquer que seja a sua cor, inventa razões para auto-justificar tal existência à conta do pobre cidadão americano coartado das suas liberdades mais básicas. Sendo estas, a saber (acho eu): montar a família numa carroça, zarpar para Oeste, cortar umas árvores, construir uma casa na pradaria e viver feliz para sempre com o seu gado por sustento e a sua bíblia como guia. Sem pagar impostos, claro. O que precisarem terão de comprar, e macacos os mordam se não farão por isso à conta do seu trabalho duro. Porque razão haviam de precisar do governo para lhes dar o que quer que seja???


Nesta preciosa selecção literária só encontramos escribas alinhando por este diapasão: mais Governo implica menos Liberdade. E pronto. Serviço Nacional de Saúde? Brrr... Esta malta fica fora de si só de se falar nisso, eu próprio tenho ouvido uns texanos ultimamente que até espumam ao pensar que o governo lhes vai ao bolso com impostos para depois pagar o dentista ao pobre velhinho de Brooklin que não tem onde cair morto. Desde o manifesto dos "Tea Partier's" até às atoardas da Sarah Pallin, temos nesta estante uma bela colecção. Para quem andar distraído, a malta do Tea Party tem feito furor no seio do Partido Republicano: são a ala mais à direita, mais bíblica, mais reaccionária e que de certo modo também gostariam de ver o governo reduzido a uma repartição de finanças em Porto Rico e pouco mais. Para espanto de muitos, têm ganhado uma série de primárias e nas eleições que se aproximam para eleger trinta e sete membros para o Senado serão membros do Tea Party a representar o Partido Republicano em alguns Estados, a votos contra os Democratas. Que estão felizes porque acham que contra estes extremistas terão mais chances de ganhar. A ver vamos... Quanto à Sarah Palin, que de acordo com a própria é a única gaja na política com "cojones" (sic), talvez se lembrem da figura que fez nas primárias para as últimas presidenciais: uma verdadeira caricatura com mamas...
A lição que extraí deste didáctico momento foi que ser de esquerda ou direita na Gringolândia não tem nada a ver com os conceitos com o mesmo nome na Europa. Vários personagens sinistros do século pretérito, desde o Hitler ao Salazar passando por Mussolini, estigmatizaram e marcam ainda a direita com uma mancha que, por contraste, elevou a "esquerda" ao institivo posicionamente de "bons da fita". Claro que com a queda do Leste comunista as coisas mudaram, e muitos não terão a mesma terna recordação dos chaimites que eu tenho (ver post anterior), mas mesmo assim a esquerda continua a ter o apelo da "liberdade". Na Gringolândia é um pouco o contrário: a esquerda Democrata simboliza para muitos "mais governo", o que significa "menos liberdade" (a tal da bíblia na pradaria, conforme definida mais acima). E a direita Republicana significa "menos governo", e portanto "mais liberdade".

E que podemos nós extrair desta constatação? Não faço ideia, eu cá estou de volta a Londres, depois de um voo de nove horas desde Dallas e prestes a embarcar rumo a Singapura para mais treze horas no ar. Ou seja, não me peçam tiradas intelectuais quando me encontro no limbo, o meu corpo titubeante a tentar decidir se o que acabei de comer aqui no Lounge da BA foi pequeno almoço, almoço ou jantar... A única coisa que me estimula neste momento é que vou voar na Qantas, o que significa que vou ter oportunidade de estrear o novo super-jumbo Airbus A380 "double-decker"! Depois conto.

Chaimite sem cravos

Para mim um chaimite, por mais feio que seja, será sempre um simbolo de liberdade e tolerância brilhando no firmamento estrelado do triunfo do bem, junto com outros pontinhos brilhantes como os cravos, as G3 e os sorrisos cândidos da rapaziada que juntou uns e outros trinta e seis anos atrás. Ferramentas dos "bons", que o meu olhar de menino de oito anos viu vencer os "maus". Portanto não me venham com histórias, aos oito anos as coisas são assim. E pronto.


Custou-me portanto ver este bicho da foto, prisioneiro e com ar entristecido, à porta de um "arm dealer" algures no Texas, dias atrás. Apesar de ser um exemplar feioco e mais pequeno do que os garbosos montes de aço verde (ou antes, a preto e branco...) que vi em tempos pela televisão à porta do Quartel do Carmo, não deixa de ser para mim um chaimite. O seu ar cabisbaixo diz tudo: não pertence ali. Um chaimite, qualquer que seja a sua sub-espécie, nunca se sentirá feliz a fazer algo que não seja vencer os "maus", de preferência sem disparar um tiro. Soft-power metálico. Mas no caso em apreço, trata-se de uma variante feita por encomenda para cowboys Texanos endinheirados. Vai portanto acabar nas mãos de um dono que passou da metralhadora AK47 para o lança-chamas para estimular a sua pilinha preguiçosa e que, de novo desentusicado após passar uns meses a esturricar os arbustos das traseiras, passou agora aos chaimites para compensar. Pobre chamite, se tivesse um cravo tinha-lo oferecido, para se animar um bocadinho.

domingo, 19 de setembro de 2010

Tail Gate Day




Imaginem que o Direito joga com o CDUL para o nosso campeonato de râguebi. Para aí umas 37 pessoas assistarão ao jogo e o Sr. Virgulino da rolote que estaciona ali pelo estádio Universitário é capaz de vender para aí uns quinhentos escudos de águas de luso. Perdão, dois euros e meio...
Agora cruzem o Atlântico e aterrem no estádio da Texas Christian University como fiz hoje. A amadora equipa da TCU jogava contra a amadora equipa visitante de Baylor, uma universidade que também é cristã e texana. Nada que se pareça com as equipas profissionais, aquelas que jogam campeonatos e chegam à Super Bowl. Ainda para mais, o jogo não contava para nenhum campeonato, parece que estas equipas universitárias se fartam de jogar umas contra as outras apenas para um grupo de peritos apoiados num software maluco possam chegar ao final do ano e as classifiquem num ranking (a TCU é correntemente quarta melhor da nação, o que é excelente).
Que esperar então de tal evento? Nada. Mas o que encontrei não foi um vazio sonolento... Deparei com um campus inteiro, quilómetros em redor do estádio, com os relvados e parques de estacionamento pejados de carros. O estádio, cheio como um ovo com 50,000 espectadores! Uma energia enorme, bandas gigantescas a apoiar cada lado, as cheer leaders a fazer malabarismos, côr, e som, e mais côr. E muito dinheiro: TV a transmitir, merchandising em barda, águas pequenas a três dólares e meio cada (devem ter vendido um milhão destas, estavam 35ºC e humidade de morrer...). O Sr. Virgulino havia de ficar com os olhos em bico se visse isto. Ah, já me esquecia: a TCU ganhou 45 a 10. O que quer que isso signifique...
O jogo é uma grande seca, cheio de interrupções (até para a publicidade) mas a energia que se desprende a toda a volta é enorme. Os americanos são como crianças hiperactivas, não conseguem estar muito tempo num sítio (e neste caso foram três horas na frigideira...) sem ser permanentemente bombardeados de várias maneiras com apelativos diversos: comerciais no ecrân gigante do marcador, repetições de toda a maneira, ninfetas a fazer de cheerleaders, bandas a tocar em pleno jogo, um comentador a gritar ao altifalante, uma multidão de jogadores, managers, massagistas e sei lá que mais de ambos os lados do campo. Entram em campo para aí uns setenta jogadores de cada lado, embora só onze possam estar a jogar em cada momento. Enfim, um festim para os sentidos. E tudo começou com uma sessão de "tail gate". Ou seja, piqueniques. A malta chega no seu jeep ou camião avantajado, trepa para cima do relvado onde fica estacionado e antes de caminhar para o jogo (que só começa daí a um par de horas) abre a porta da bagajeira (a "tail gate"), reforça a sua sombra com uma tenda que é rapidamente montada, mais umas cadeirinhas, mais um barbecuezito (quem traz), mais uma geleira do tamanho do caixão do Drácula cheia de gelo, cervejas e águas, mais as porcarias de take away que se compraram algures antes de vir para aqui. E aí está, o piquenique, aka Tail Gate, que é indissociável de qualquer jogo de futebol por estas bandas.
Deviam despejar Ritalina na rede de água potável aqui dos EUA para esta malta voltar à terra...

sábado, 18 de setembro de 2010

"On the road again" ou a sensacional foto que nunca tirei

A Gringolândia, onde de novo me encontro, é sempre um festim rodoviário. Milhões de carros fluem pelo emaranhado de autoestradas e viadutos como glóbulos vermelhos por artérias. Guiar por estas bandas começa sempre, para mim, com alguma irritação, até o GPS fazer tudo o que lhe peço (demora um pouco, começa por ser mudo, ou surdo, ou baralhado) e eu perceber como funcionam os botões das banheiras esquisitas com que o rent-a-car me brinda (desta vez é um Dodge). Em Houston, por onde andei nos últimos dias, fui "conduzido". Com as mãos e olhos livres tirei então a foto de hoje, de uma roulote que deve ser de um Tuga a armar em Mexicano... Agora em Dallas, para onde voei à pouco, tive de alugar um carro e fazer umas vinte e picas milhas até chegar ao meu hotel de hoje. O carro afinal não parece ter a "via verde" que pedi ("toll tag"), o que me fez esbarrar nas cancelas por três vezes, recuando entre apitos até finalmente conseguir embicar o Dodge para uma cabine com portageira.

E aqui chegamos à segunda parte do título de hoje. Sim, porque isto de fotos está mau e a roulote dos "Tacos do Sr. Gouveia" foi a menos má que arranjei para pespegar aqui. A portageira de Dallas onde acabei de os conduzir, essa sim, teria sido a foto do ano no Asteróide. Infelizmente eu estava a bufar pela figura que tinha feito, a camera estava no porta bagagens e o alvo da foto não haveria de gostar... E fiquei congelado, parecia um "Z-movie" americano: depois de tanta trapalhada na portagem, consigo finalmente chegar à cabine e deparo com uma mulher barbuda a olhar para mim com um ar estranho! Magra, relativamente jovem apesar de envelhecida, cabelo louro esbranquiçado, voz bem feminina. E com barba... Pêlos abundantes distribuídos por toda a cara, não propriamente barba cerrada mas o suficiente para poder fazer fortuna como atracção de circo duzentos anos atrás. Brrr, aquele olhar, aqueles pêlos, estava a ver que a seguir a senhora saía da cabine e vinha atrás de mim com uma motoserra na mão! Mas lá me safei e aqui estou, a tempo de mais um post, com muita pena de não ter tirado a Foto do Ano...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

As Caravelas que nos pariram


Hamburgo em 2010 não é uma realidade muito distante de casa. Não é como nos anos 80 levar uma semana para chegar a Praga de comboio e outra para voltar, com meses pelo meio a meter-me em aventuras pelas alienígenas paragens da Europa de Leste, com Muro e tudo por permeio. Para conseguir algo igualmente Marciano nos dias que correm só deitando-me ao trânsito de Teerão ou deixando-me conduzir pela estrada de Saigão para Vung Tau durante umas horas. Estar em Hamburgo é como dar um passeio de carro ali pelo Luso nos anos 80. Ou pela Mealhada, tendo em conta o pernil de porco de pele crocante que acabei de ingerir juntamente com uma caneca de litro de cerveja. Mas...
A verdade é que nunca me acomodei totalmente às repetidas viagens que faço para os sítios habituais. Como para Hamburgo de quando em vez. Há sempre um olhar novo, algo de exótico, nem que seja por cada visita ser entremeada por inúmeras outras em várias paragens do mundo, que me fazem esquecer a última ronda por mais um canto rotineiro. Assim, apesar de estar aqui na "nossa" Europa, não deixo de me comover com imagens como as das fotos. Estou cá fora mas tive um cheirinho único da nossa casa. De repente estava longe de novo e comovi-me com o apelo dos "nossos". Viva a Sagres, a Francesinha e o Galão! E as caravelas que nos pariram...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mergulho no Outono

O Verão no luso canto tem sido formidável. Piscina pela manhã para acordar, calores nocturnos, azuis brilhantes no céu e verdes opados de tanto crescerem ao sol depois de tanta água no pretérito Inverno. Claro que entretanto a minha bomba de água pifou, os cães fugiram, a máquina de lavar roupa entupiu, o meu dente partiu e outras coisas más que também contribuem para um Verão memorável, para o bem e para o mal. A cadela já regressou, o cão ainda anda a monte e agora o Verão acabou. Pelo menos desde ontem e até sexta feira, aqui plantado à beira do Aussenalster em Hamburgo. Há pouco, depois de um jantar bem regado que começou pelas seis da tarde no meu hotel (mania destas paragens...), tirei esta foto quando dava um passeio para desmoer. Estava fresquito (eu diria mesmo que estava frio, aí pelos 13 graus...), chuviscava aqui e ali, e a cidade as gentes já se vestem para o Outono. Os cisnes foram apanhados pela lente de um Asteróide suspendendo a respiração para não tremer a coisa, já no canal Alsterfleet que liga ao Norderelbe. Também eles, com a sua patine "a la" Parque Eduardo VII no qual me vejo sempre de rogo de lã na cabeça (e a preto e branco, vá-se lá saber porquê!), pareciam já ter dito adeus ao estio. Adeus memorável Verão, bem-vindo sejas Outono, também és preciso! Pelo menos até 6a...

Tugas em Singapura


A RTP chegou a Singapura e com um elenco de luxo pôs de pé mais um episódio da saga "Portugueses pelo Mundo". O Asteróide recomenda vivamente, principalmente este episódio, o 7º de 8. Passou na RTP1 a 4 de Setembro e já está no You Tube em três partes:
Parte 2/3: http://www.youtube.com/watch?v=mI7EqkQxF8Q (esta parte é para quem gosta de praia e copos...)
Não é só a "minha" Singapura que transparece, mas acho que o programa capta muito bem o look e a alma da Cidade do Leão. Pelo menos vista pelos Tugas...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vivós Mouros!



O mar é morno q.b., e eu bem precisava de mornices. E bons tratos, família à volta. E comida e bebida à brava. Entre as areias da praia (o deserto fica longe, tenho que me haver apenas com estes grãos de beira-Mediterrâneo) onde os camelos passeiam criancinhas até à medina da cidadezinha mais próxima se passou a semana. Pas du temp para escrevenhices. Aller manger! O Asteróide vai parecer-se com a Lua quando sair daqui...

sábado, 10 de julho de 2010

Cada um tem a poluição que merece...

Este post ilustra bem as preocupações típicas de pequenos principados Europeus que albergam quantidades estratosféricas de milionários. Quando recentemente pernoitei no Mónaco, antes de me deitar passeei pelo cais da marina nas imediações do hotel, perdendo-me entre iates luxuosos e verdadeiros navios de cruzeiro privados, para a sossega. Quando passava pelas lanchas VIP, que pacientemente aguardavam pelos seus donos de fim de semana mais as suas "escortes" boazonas, tirei esta foto. Fiquei assim a saber que até o Mónaco se preocupa com o flagelo dos desastres ecológicos. Tal como os EUA hoje limitam a exploração de petróleo offshore, o Principado também se tenta defender de atentados ao ambiente. Claro que como não tem cabedal para levar pelos queixos com uma maré negra, o pequeno Principado teve de arranjar um medo mais à sua escala... A diferença é que nos EUA a sensação é de "trancas à porta depois da casa arrombada" (no caso em apreço uma plataforma petrolífera ao fundo e um buraco no fundo do oceano a vomitar petróleo), enquanto que no Mónaco legislaram devidamente antes que aparecesse algum Godzila a obrar sobre os iates da marina!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sigurdardottir, Leosdottir, Monaco, helicópteros e Aljubarrota: tudo a ver com o Cristiano Ronaldo

Acredito que se possam sentir um pouco tontos, mas espero que compreendam. Afinal o Asteróide descreve órbitas pouco usuais e cruza-se (usando uma miríade de veículos, entre os quais, só nas últimas 24 horas, dois aviões da Portugália, um táxi da Côte d’Azur, as perninhas para andar a pé no Mónaco, um helicóptero da Heli Air Monaco e os olhinhos que Deus lhe deu para ler notícias surpreendentes nos jornais) com acontecimentos imprevistos com a mesma ligeireza com que o escriba vos impõe estes títulos loucos. Ou talvez não. Ou seja, talvez o título não seja louco, a sua estranheza se devendo apenas ao facto de o Asteróide se encontrar um pouco “mareado” pela paixão futebolística. Já nos aproximamos de Aljubarrota, hem, agora que a verve se desviou para o castelhano? Ora vejamos porque me ocorre escrever estas linhas neste momento, 15:55 no Monaco e na África do Sul, 21:55 em Singapura onde uma data de amigos se preparam para uma farra monumental, 14:55 em Portugal, enquanto um Fokker ronceiro sobrevoa Barcelona, devolvendo-me à Lusa Pátria mesmo a tempo do épico jogo de hoje. A cerca de quatro horas e meia de começar o Portugal – Espanha dos oitavos de final do Mundial 2010, estou para aqui feliz pela simples perspectiva de estar à frente de uma televisão a tempo do embate ibérico. Porque não era suposto ser assim…


A reunião que me levou às terras de Sua Alteza “Le Prince Albert du Monaco” (prestes a casar, embora pelo menos este facto não seja relevante hoje, ao contrário de tudo o mais no Cosmos) correu bem. Começou antes das nove da manhã e terminou antes do meio dia, com todos os objectivos profissionais cumpridos. O meu voo de regresso a Portugal estava marcado para as sete e picos da noite, mesmo a jeito para eu não ver boi do duelo ibérico, espremido numa cadeira (e logo sobre a Espanha!) enquanto o Cristiano Ronaldo, qual Brites dos tempos modernos, mandava os espanhóis para o forno (que é como quem diz, de volta aos planaltos áridos de Castilla La Mancha). Helas… Era meio-dia de hoje, estava numa rua do Principado a dez minutos a pé da bagagem que deixara no hotel. Apressei o passo de regresso ao Marriot enquanto falava com a minha agência de viagens, verificando que ainda havia lugar no voo da Portugália das 13:10. “Proponho o helicóptero por 105,00 EUR”, dizia-me a simpática colombiana na recepção minutos depois. Arrisquei. Afinal ia ficar por 105,00 EUR, mais barato que o táxi de Nice ao Mónaco na véspera, que custou 115,00 eur com gorjeta incluída! Calcorreei rapidamente mais uns duzentos metros até ao heliporto mesmo a tempo de apanhar o próximo heli (de 30 em 30 minutos) para Nice. Já no balcão da TAP, a moça “je parle pás le portuguais” que me atendeu torceu o nariz mas rendeu-se ao meu Francês de aflitos e lá me espetou no Fokker da uma e picos!

E aqui estamos, eu escrevendo a bordo, vocês lendo-me daqui a umas horas quando eu voltar a ter internet para publicar estas andanças no Asteróide. E tão bem disposto estava ainda agora que me pus a ler o Diário Notícias de hoje de manhã, distribuído a bordo. Se não fosse a motivação de ver o Ronaldo a reeditar Aljubarrota não me teria ocorrido apanhar o helicóptero no Mónaco, e sem ele não teria apanhado o voo a tempo em Nice, e não estaria tão bem disposto. Portanto só por causa do Ronaldo, de Aljubarrota e dos helicópteros do Mónaco é que fiquei a saber, no DN, que a senhora Johanna Sigurdardottir, Primeira-Ministra da Islândia, se casou. Com Leosdottir, claro. Que, já agora e apesar de irrelevante, é também uma senhora. E assim nasceu um título do Asteroide…

PS: aterrei, pulei para o carro, acelerei para o campo, mandei os emails que queria, dei um mergulho nu e agora vou colocar isto online. Depois vou ver o jogo! Um dia perfeito só poderá acabar bem…

domingo, 27 de junho de 2010

O calçadão do Índico e o destino do pobre Phinda Thomo


Durban. Para mim foi a última escala na África do Sul em 1992. Felizmente, para a selecção de Portugal no Mundial 2010, foi apenas uma passagem a caminho dos oitavos de final. Go Navegantes!

A foto trouxe-me de volta as memórias já ténues dessa altura. O calor húmido do Índico substituindo a frescura das vinhas do Cabo. A pátria Zulu da província do Natal com carradas de orgulho bem negro substituindo a a relativa "branquitude" da Cidade do Cabo. Um hotel sobre a praia, com um nome Índiano e empregados de turbante, para mim um luxo asiático a que não estava habituado. Se nessa altura já conhecesse o Rio de Janeiro, ter-me-ia atrevido a comparar, não a cidade pela cidade (sem comparação) mas a praia pela praia, o Beach Front de Durban com Copacabana, ambas dotadas de quilómetros de areal bordejado pelo calçadão. Valendo-me do Google Maps de hoje e comparando com o que vejo nas fotos que tirei da janela do meu quarto, depreendo que o meu hotel estava sobre a praia ali nas imediações de Snells Parade. O hotel terá eventualmente sido demolido ou mudado de nome, pois não encontro nenhum nessas imediações com nome hindu...
A história recente da África do Sul passa-me outra vez pela memória, desde o milagre do Madiba até ao lento desmoronar das promessas do ANC, cuja liderança tem deixado crescer de novo o medo e a incerteza relativamente ao futuro. Ao idolatrado Mandela sucede hoje o suspeito Zuma, polígamo encartado que dá cobertura a uma das personagens mais sinistras que ensombra a África do Sul de hoje: o louco Lulius Malema, líder da Juventude do ANC, que incita ao ódio racial através de cantigas com letras do género "kill the boer, kill the farmer". Devido à crispação provocada por Julius o assassinato do nazi Terre Blanch, antigo líder dos extremistas boers brancos que recentemente nada mas era que um bêbado sem eira nem beira, agitou o país muito mais do que deveria ter acontecido. E o Presidente? Zuma tem outras preocupações, por exemplo o facto de uma das suas mulheres lhe ter posto os palitos com um guarda-costas (de quem eventualmente engravidou). Já não bastava os 21 filhos de várias mulheres, agora está na iminência de sustentar outro que nem é dele... E lá terá que ser, pois o pai do rebento, coitado, "suicidou-se". Ou "suicidaram-no", como insinua o Vítor Serpa na sua crónica n'A Bola de 22 de Junho, onde esta história de palitos presidenciais foi contada. Sim, A Bola, ou vocês pensavam que a erudição do Asteróide vinha donde?!

É esta a África do Sul do Mundial de 2010: uma geração salva pelo Madiba está de forma invejosa a fazer o seu "melhor" para dar cabo da próxima... A ver vamos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nas vinhas da Boa Esperança muito antes dos sete-a-zero


O prometido é devido e cá estou montado de novo na máquina do tempo, de volta ao ano da graça de 1992 e aos locais onde a nossa selecção vai jogando o Mundial 2010. Eis-me na Cidade do Cabo, dezoito anos atrás, a fotografar a estátua de Bartolomeu Dias. E registando a toponímia pitoresca da cidade, aludindo a outra personagem Lusa de memória bem mais controversa (no mínimo...). Creio que a estátua ainda lá está, quanto ao outro não sei.

Quando dobrou o ex-Cabo das Tormentas em finais de 1487, o senhor da estátua ainda não sabia que 523 anos depois outros Navegadores lhe dariam uma abada na internet, seguramente muito mais lidos, conhecidos e reconhecidos pelo Tuga médio do que o nosso Bartolomeu Dias, graças aos sete-a-zero aplicados à Coreia do Norte ontem. Para todos os Navegadores, os de hoje e os de há quinhentos anos, os parabéns agradecidos do Asteróide.

Quanto a este, teve uma passagem mais modesta pelo local em 1992. Depois de ter passado uns dias em Port Elisabeth (Portugal 0 - Costa do Marfim 0, a semana passada), zarpou para a Cidade do Cabo (Portugal 7 - Coreia do Norte 0) onde passou uma temporada bem agradável, fez amigos e tentou perceber melhor o que se passava naquela terra numa altura em que o Mandela já tinha sido libertado, o De Klerk roía as unhas e o apartheid começava a ruir. Os brancos estavam nervosos, e com razão. Em Port Elisabeth eu tinha visto multidões de desempregados em esquinas escolhidas, esperando por um "empregador" que colhesse um ou dois para qualquer biscate. As empresas que ia visitando pareciam sem excepção verdadeiros Colditz , ensombradas por muros altos encimados por arames farpados e vigiadas por guardas armados. Na Cidade do Cabo os transportes públicos estavam entregues a um enxame de Toyotas Hiace pejados de gente que de forma um pouco anárquica iam daqui para ali até que todos tivessem chegado a um destino. Em contrapartida um jovem branco com uma função equivalente à minha, na altura, andava de Mercedes. Em Portugal acho que ainda guiava o Renault Super 5 da empresa. Super, atenção. Ou já era o Peugeot 309? De qualquer forma estava a uns 100 cavalos de distância do meu colega Afrikaans. Um casal Sul Africano de amigos, estes anglo-saxónicos e com filhas pequenas, moravam numa magnífica vivenda nos suburbios. Um "american dream" em África, para todos os brancos. Um outro casal, mas este de amigas, demonstravam como a sociedade branca da África do Sul no início dos anos 90 já era de certa forma tolerante e mais evoluída do que Portugal na mesma altura. Claro que falamos do Cabo, e não das paisagens Afrikaans muito mais conservadoras. No Cabo passeava pela Waterfront recém-inaugurada, algo parecido com as nossas "Docas" com uma década de avanço.

Resumindo: sentia-se o pulsar de um país cheio de força, mas cheirava a pólvora... Nos arredores do Cabo passeei pela região vinícola de Paarl, um paraíso com uma "cultura de vinho" ao serviço do turismo que só agora começamos a capitalizar em Portugal. Em Dezembro de 1992 provei em Paarl uma série de vinhos do mesmo ano: as vindimas tinham sido em Março... Enquanto o vinho escorregava não podia deixar de sentir um aperto, uma sensação de cataclismo iminente, de fim de época.
Hoje estamos em 2010. O Mundial de futebol tem lugar na África do Sul e o Cristiano Ronaldo finalmente marcou pela selecção. A África do Sul não implodiu. Um milagre aconteceu. E esse milagre tem um nome: Mandela. Quando hoje me sento no sofá a ver futebol e me lembro da minha experiência em 1992, não tenho dúvidas: um milagre. Negros, mestiços e brancos da África do Sul (principalmente estes últimos!) ficarão para sempre gratos ao feito de Madiba. O futuro continua incerto, mas pelo menos uma geração foi salva.
Até breve: sexta-feira chegaremos a Durban, ao quente e húmido Índico onde defrontaremos o Brasil!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Na terra das vuvuzelas...

Foram 24 horas a voar até chegar a Port Elisabeth, África do Sul. Não, não fui ver o sensaborão Portugal - Costa do Marfim de ontem... Os voos de que falo, tal como esta foto de Port Elisabeth em 1992, datam de há dezoito anos atrás. Com as viagens pré-blog que mantem ignoradas em "armazém", testemunhadas por fotos em papel cheias de pó e riscos como esta que acabei de digitalizar, o Asteroide bem pode publicar umas coisas antigas sempre que a ocasião se proporciona. E que melhor razão do que descobrir que a nossa selecção joga a primeira fase do Mundial de Futebol 2010 exactamente em três dos locais por onde vadiei em 1992?


Portanto cá fica, para já, uma imagem de Port Elisabeth tirada em Dezembro de 1992, quase 18 anos antes do Ronaldo mandar um tiraço ao poste da baliza da Costa do Marfim algures aqui perto. A foto foi tirada com um olho aberto e outro fechado, numa praia infestada de tubarões e com um dedão do pé inchado. E com muito cuidado, pois os rolos de fotografias eram poucos e cada foto era preciosa (nada como agora, com o Asteróide a disparar digitalmente a tudo quanto mexe...). Tinha chegado uma hora antes, depois de voar de Lisboa para Londres para apanhar uma ligação mais barata para Joanesburgo. O 747 que me levou de Inglaterra à África do Sul demorou-se 14 horas nos ares, período em que não preguei olho porque uma senhora monstruosamente gorda se derramava sobre o meu assento duro, enquanto fumava cigarros após cigarros! Aquilo é que eram tempos raros... Em Joanesburgo ainda tive que apanhar um teco-teco que voava de forma soluçante para Port Elisabeth. Quando finalmente cheguei ao hotel... estava à beira mar e era Verão em Dezembro! Estas sensações acontecem-me nos dias que correm semana sim semana não, mas há uma maioridade atrás foi a estrear...
E o dedão? E o olho fechado? Bom. Apesar de estar mais morto que vivo, aparentemente já haveria um Asteroidezinho dentro de mim em 1992... Não resisti em sair do hotel imediatamente para dar um mergulho na praia, logo ali do outro lado da estrada. Vruumm, um carro quase me atropelava por estar a olhar para o lado errado num país de condução anglo-saxónica. Splash, ao primeiro mergulho lá se foi uma lente de contacto! Pumba, ao praguejar meio zarolho de volta à toalha mandei um pontapé descalço num pedregulho... Claro que só vi a placa "Cuidado com os Tubarões" depois de todas estas cenas...

Voltarei por aqui quando jogarmos em Cape Town.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Doce Junho e o fim do mundo

No post anterior bem me queria concentrar no viscoso relato da maré negra que na semana passada assolou a costa Sudeste de Singapura, mas a pena escorregava-me para o presente: o doce Junho que chegou a Portugal. Quando saí de cá há umas sete semanas atrás o sol só timidamente sobrevivia para lá das sete e trinta da noite, o tempo estava fresco, a latada que na foto de hoje vêm frondosa ainda estava despida, a gata ainda fugia dos cães e o dito da foto estava um pouco mais pequeno. E as tartarugas não tinham ainda fugido, nem o Matusalém dos peixes tinha morrido. Ou seja, num piscar de olho (um simples salto ao sudeste asiático complementado com uma escapadinha à Gringolândia) o meu pequeno mundo caseiro transformou-se irreversivelmente. Qual vulcão islandês, qual crise grega, qual euro fraco, qual PEC! O verdadeiro Sinal que o mundo vai acabar está todo nesta foto, em que a minha gata se prepara para passar ufana pelos bigodes do meu cão, com passo imperial a modos que de desprezo. E o pobre parece mirá-la em pontas dos pés, pronto a fugir ao mínimo assanho da rebitesa criatura, vergado ao papel de mero súbdito de Sua Alteza, Le Chat aqui da quinta.

Tirando este óbvio sintoma que o Armagedão está próximo e a morte do pobre peixe (às mãos de Sua Alteza, claro está...), tudo o resto parece na paz do senhor, tendo mudado para melhor. Embora não espere que as tartarugas me escrevam lá de Kathmandu, onde já devem ter chegado, a verdade é que a dispensa de alimentar suas excelências compensará as saudades. A vinha selvagem que compõe a latada cresceu súbita e desmesuradamente esta Primavera, a estrutura de madeira e arame que a carrega ajoujada ao peso de muito quilos de folhas e ramos que cresceram como nunca graças à água que a terra acumulou este Inverno. É bem agradável sentir o fresco desta sombra aqui na entrada da cozinha, quando as temperaturas já passam os trinta graus a maior parte do dia e este se prolonga quase até às nove da noite com luz solar. É um Junho doce, em Portugal.

domingo, 30 de maio de 2010

Maré negra no Estreito




Na quinta-feira, três dias atrás, estava eu ainda em Singapura quando finalmente a "maré negra" a que também tivemos direito por aquelas bandas deu à costa. Estava no último dia de uma prolongada estadia na "minha" Singapura e já a fantasiar o regresso ao meu cantinho, ao Portugal de Junho, de calores e terra perfumada, de onde agora vos escrevo. Ainda faltam dois dias para o mágico mês, mas aqui onde me sento parece que já chegou! Já me estou a perder...

Voltando à passada 5a feira, estava eu com uma sensação de dever cumprido a planear o dia (último relatório, emails de despedida, fazer as malas e pouco mais) quando ao pequeno-almoço li a notícia no Straits Times que me fez dar um salto ao East Coast Park. Na madrugada de terça-feira anterior 2500 toneladas de crude haviam sido derramadas quando um petroleiro colidiu com um cargueiro numa passagem mais estreita no final do já de si Estreito de Malaca, à saída das águas de Singapura na direcção Sudeste, a 6 Km da ponta de Changi (o extremo leste de Singapura, onde se encontra o aeroporto e onde durante a segunda guerra os japoneses criaram um campo de prisioneiros britânicos que ficou imortalizado no livro "King Rat", de James Clavell, mais conhecido por ser o autor do badalado e televisionado "Shogun"). Lá estou eu a dispersar-me de novo...

Resumindo: na quarta-feira ao fim do dia o crude deu à costa, apesar de todos os esforços de uma mini-frota de dezanove embarcações e cento e vinte pessoas que com recurso aos mais modernos meios tentaram conter a mancha negra. E se Singapura está bem preparada para tal... Como não poderia deixar de ser: basta olhar para a foto do post anterior ou uma das fotos acima para se poder deduzir que, com tal volume de tráfego marítimo permanentemente a poluir a linha do horizonte, estranho mesmo é que acidentes destes não aconteçam mais vezes! Quando finalmente o Asteróide chegou às praias do East Coast Park já cerca de 7 km de linha de costa, desde a ponta de Changi até ao Big Splash, tinham sido atingidos pelo crude. Entretanto o impacte no areal tinha sido minimizado e colocado nos sacos de plástico negros que acima se vêem. Portanto a visão não era tão cataclísmica como eu cheguei a rechear. Mas as ondas ainda se enrolavam viscosas, e os banhos estavam naturalmente interditos. Foi a minha despedida desta enésima visita a Singapura, uma estadia de sete semanas entrecortada com um "saltinho" à Gringolândia via Toquio.

Agora os cães dormem à sombra da vinha selvagem que cobre a pérgula por cima da porta da cozinha, a gata não pára longe, embora sempre de olho nos canídeos, as tartarugas não param já, porque fugiram do canto onde as confinávamos e estarão algures pelos campos agrícolas que me rodeiam procurando o sentido da vida para anfíbios de trinta centímetros de comprimento, o peixe parou de vez, um verdadeiro matusalém dos peixinhos de aquário que só entregou a alma ao criador depois de ver a casa esparramar-se no chão da cozinha, onde passou 24 horas a estrebuchar até se cansar. Com os cumprimentos da sádica gata. Fui eu buscá-la ao cimo do meu pinheiro para isto... Bom, em suma: férias em casa durante uma semana!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Korsang cheu di saudadi


Na isti parti di mundo (Nesta parte do mundo)
Tantu tempu jah passah (Já passou muito tempo)
Mas, korsang nunca skiseh (Mas, o coração nunca esquece)
Korsang cheu di saudadi (Coração cheio de saudade)

A língua é Português. Não o Português de Portugal, nem o do novo Acordo Ortográfico mas sim aquele que resiste ainda em Malaca, a uns poucos centos de quilómetros aqui de Singapura, que por entre Sultões e Holandeses ainda chegou ao nossos dias. A estrofe foi "roubada" a um blog que vale a pena visitar, criado pela Cátia Candeias: Portugueses de Malaca, dedicado ao Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis. Um must, em directo do Bairro Português de Malaca.

Se me atrevi a usurpar estas palavras em Português de Malaca foi por tão bem reflectirem o meu estado de espírito desde que tirei a foto acima no último fim de semana, na praia da Sentosa. Estou em Singapura e olho para a saída do Estreito de Malaca, visão única de um mar coalhado de navios que se fosse há 500 anos pagariam portagem... ao Afonso de Albuquerque!

Por vezes até os Asteróides mais irrequietos perdem o brilho na cauda e a luz na alma e querem despenhar-se de volta a casa, transformarem-se de novo em areia e terra debaixo dos pés de quem amam. Korsang cheu di saudadi...

Combustões

A foto é da capa do The New Paper de Singapura de ontem. Os acontecimentos recentes em Banguecoque foram por demais mediatizados à escala global, por isso vocês sabem de que falo. No entanto talvez não alcancem bem o impacte que tem aqui no Sudeste Asiático a quase-guerra-civil que testemunhámos na capital da Tailândia . Quem assistiu ao triste "espectáculo" da sublevação vermelha aqui de Singapura, mesmo um Asteróide cuja órbita é errante, não pode evitar um sentimento de grande tristeza e consternação. Os países vizinhos gostam da Tailândia. Ou, mais precisamente, os povos vizinhos gostam dos Tailandeses. E dos seus sorrisos. E, já agora, de passear em Banguecoque aos fins de semana, em sessões desenfreadas de "shopping"! O Asteróide percebe: pelo que já viu da Tailândia, em Banguecoque ou noutras paragens, também se apaixonou um bocadinho. Pelos sorrisos, mais que pelo shopping! Se quiserem ter uma ideia de Banguecoque, incluindo o aspecto que pode ter um "shopping-mall" antes de pegar fogo, espreitem as fotos que lá tirei em 2007.


Já agora: querem mesmo saber o que se passou em Banguecoque nas últimas semanas? Em Português e em directo? Pois tal blog existe, está aí no clique que me fez o título deste post: Combustões. "O blog que não diz mal de Portugal". Já somos dois! "Combustões" está lá, no sítio, nos escombros fumegantes dos shoppings que eu próprio já percorri em tempos mais felizes. Está lá e consegue levar os militares a posar para a câmara, dar dois dedos de conversa com um porteiro que teima guardar as ruínas, testemunhar a acção dos militares em directo, no mal e no bem, dissecar o desapontamento de um verdadeiro "camisa vermelha" de regresso aos seus campos agrícolas, ainda perplexo e sem entender porque é que lhe tinham dito para ir para a capital "defender o rei" quando afinal acabou por ser um dos maus da fita (e não propriamente do lado do rei...). Acho que o "Combustões" está tão em cima do acontecimento que até cheirou a diarreia que assolou um dos líderes "vermelhos" no momento da rendição, o mesmo líder que um dia antes ainda dizia "agarrem-me, agarrem-me, se não eu esfolo-os...". Mas para que é que eu estou para aqui com estas conversas? Vejam, em directo, a cores e com cheiro no Combustões. Para quem não sabe clicar, vão a http://combustoes.blogspot.com/.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Global Private Eye

Esta fica sem muitos comentários, pois já hoje escrevi que chega por aqui... Pelos vistos o negócio é tal que até já dá para massificar a publicidade! Será que são as esposas que andam a portar-se pior ou os maridos que andam mais ciumentos? O que sei é que vale a pena visitar o website anunciado na foto, que vos apresentará uma respeitável agência de detectives de Singapura com mais de um quarto de século de existência, parte de uma rede global de "private eyes" peritos, principalmente, em fotografar mulheres nuas a pôr os palitos aos maridos. Ele há trabalhos ainda melhores que o meu...

PS: Concurso para o melhor nome de website para versão portuguesa desta rede de agências de detectives: http://www.apanha-a-gaja.corno/, perdão, .com? Venham mais ideias!

Fátima em Singapura

Todos vocês associam Fátima a algo muito nosso, os Três Pastorinhos e tal. Ainda agora passámos pelo 13 de Maio de novo, desta vez com direito a Papa em Portugal e tudo. Mas nem todos (apesar da minha fé na erudição dos leitores do Asteróide...) sabem que Fátima é muito mais que um nome de um sítio, para... os muçulmanos. no Acredito até que o nome do sítio "Fátima" poderá vir da presença moura no nosso território durante quatro séculos.


Fátima foi uma das filhas do Profeta Maomé. Mais exactamente aquela que casou com Ali, que ainda hoje nos dá dores de cabeça (é o tal que foi mártir, morto na sua luta contra demais "candidatos" a Califas, no que é hoje o Iraque). Com o seu martírio deu origem ao ramo Xiita do Islão, uma dissensão do Sunismo dominante.
Mas o que é que eu estou para aqui a falar? O que interessa é que Fátima está em todo o lado, nas nossas preces de terço em punho em Portugal, nas rezas no Iraque e... na tasquinha de hoje ao almoço, aquela que vendia comidinha muçulmana (nada de porco...) e onde comi um excelente borrego com uma molhenga picante, por cima do arroz "unidos venceremos" da praxe. Por 1,50 euros. Perdão, 1,70, porque o raio da nossa moeda está a desvalorizar à grande...

Saudades, pá...

Estes três estavam este fim de semana na gargalhada, a um canto de uma das torres de observação plantadas no que eu chamaria de ilha-da-ilha-da-ilha (ou seja, uma ilhota de areia ligada a uma das praias da ilha de Sentosa, que por sua vez é um pequeno apêndice no extremo Sul... da ilha de Singapura). Esta ilha-da-ilha-da-ilha ostenta um orgulhoso cartaz: "Southermost Point of Continental Asia"! Que é como quem diz, a Indonésia, mais para Sul e ali à vista, não conta para o campeonato, já não é "continental", é assim a modos que uma terra pulverizada por milhares de ilhas, entre o Índico e o Pacífico.


Mas não é para fazer analogismos com o Cabo da Roca que aqui estou. Já agora, este só se safa como "Westernmost Point of Continental Europe" porque não se conta com as ilhas (se não, na placa europeia, será Tearaght Island, na Irlanda (para lá da placa, com administração europeia, voltamos a ganhar: Fajã Grande, Ilha das Flores...).

Não, não estou aqui por causa do Cabo da Roca, estou aqui por causa desta foto, destes três que me fizeram lembrar os meus, mais crescidos sim, a "menina" como os "meninos", mas sempre no meu coração com sorrisos assim. Saudades...

Para onde vai o PIB

Também existe vida em Singapura "para além do orçamento" (onde é que já ouvi isto?)... Ou seja, para lá dos números da pujança económica revelados pelo PIB. O velhote da foto (tirada num recanto da cidade onde um bairro de casas antigas ainda subsiste rodeado de prédios enormes) não terá a mesma visão de Singapura que eu. Olhará em volta e verá algo mais parecido com o que vê a maioria da população: velhinhos pobres, puxadores de riquexó magrinhos, mulheres a dias feias, trabalhadores nine-to-five que passam horas a comutarem-se casa-trabalho, enchendo todos os dias os transportes públicos, jovens em part-times nas lojas, donos de chafaricas a vender refeições por euro e meio nos food-courts...


Uma maneira interessante de olhar para o que se esconde debaixo do PIB, é saber quem fica com ele, o tal "rendimento" gerado pela nação. O que se segue foi lido há dias no Straits Times, o Orgão Oficial aqui do burgo... Não fiquei com o recorte, portanto os números são vagos... voltando ao Produto Interno Bruto de uma economia nacional, esclareça-se que os destinos deste rendimento são três: lucros para as Empresas, impostos para o Estado e renumerações para os Trabalhadores. A distribuição deste rendimento pode dar uma ideia do grau de evolução de uma sociedade: países mais evoluídos (e de maior PIB per capita) tendem a apresentar maiores percentagens do PIB captado pelos trabalhadores (o Japão parece ser o recordista, com mais de 80%!). Num país do "primeiro mundo" a % do PIB captada pelos trabalhadores aproxima-se ou ultrapassa os 60%, tipicamente. Em Singapura é de apenas 44%... Ao nível de um "país em vias de desenvolvimento". Parte da justificação prende-se com o facto de a indústria local ter acesso a mão de obra estrangeira muito barata que "importa" às carradas do Bangladesh, Índia, China, Nepal, para despejar nos estaleiros, construção civil e outras actividades de mão de obra intensiva.

Na minha opinião esta estatística vai tornar-se mais apresentável nos próximos anos. Nem que seja por o Straits Times já andar a falar nisso...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O país dos mexilhões poliglotas

Acho que já vos tinha dito, mas fica de qualquer modo parte da justificação do título: em Singapura não há uma, nem duas, nem sequer três linguas oficiais... São quatro, aqui bem expressas neste placard de uma obra vizinha: o Inglês, o Mandarim (a língua-franca da China), o Malaio (que mais coisa menos coisa se fala também na Indonésia) e o Tamil (linguarajar do Sul da Índia, de onde a maior parte da migração de etnia indiana que ajudou a construir Singapura é proveniente).


Para além desta multitude de etnias, religiões e culturas, que o governo desta Cidade-Estado gere "com pinças", Singapura caracteriza-se ainda por uma elevadíssima população estrangeira, que atingiu 1,78 milhões em 2009 (cerca de um terço da população total). Mais um, que sou eu, que frequentemente por aqui ando também a agitar o cachecol do Benfica.

Ser uma folha ao vento da História e dos poderes demográficos e geopolíticos globais leva o Estado de Singapura a extremos de planeamento e antecipação estratégica. Se os 240 milhões de indonésios aqui do lado espirram (a Indonésia é o maior país muçulmano do planeta) ou os malaios enlouquecem (ainda mais...), ou os chineses se pegam com a Índia, ou... Quem soube descrever bem o estado de espírito aqui do burgo foi o fundador da Pátria, Lee Kwan Yew, quando há muitos anos inventou este analogismo, a propósito da Guerra Fria: "quando dois elefantes lutam, quem sofre é a relva...". Uma versão asiática do "quem se lixa é o mexilhão...".

O filho de LKY acabou por suceder ao pai como primeiro-ministro, ou seja, o "boss" actual. O Presidente de Singapura, por acaso de etnia indiana, ocupa um cargo pouco mais que protocolar, ainda manda menos que o Cavaco... LKY, embora reformado, continua no entanto a deixar cair umas gotas de sabedoria aqui e ali e a fazer visitas de estado que são seguidas internacionalmente com atenção. O seu cargo é agora o de "Minister Mentor", ou seja, uma espécie de Avô Cantigas da política internacional. O que perdeu de autoridade executiva ganhou em sentido de humor: numa visita dias atrás à China foi instado a actualizar a sua analogia dos elefantes, agora no contexto da bipolaridade EUA - China. "Quando duas baleias lutam, o mar fica bravo... Quando duas baleias fazem amor: o mar fica bravo também!". Uma pérola...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Campeões!


Talvez devido ao jet-lag, o Asteróide foi capaz de assistir firme (mas pouco hirto...) ao culminar de uma Gloriosa época futebolística no nosso Portugal, às 3 da manhã aqui em Singapura, já segunda-feira de manhã. Isto porque tinha chegado de Houston há menos de um dia, e no Texas eram umas duas da tarde à hora que acabou o jogo... Depois de muito mourejar na internet (uso este termo em homenagem ao Pinto da Costa...) lá consegui encontrar imagens do jogo em directo, num canal húngaro. Foi assim que berrei GOLO ao segundo tiro certeiro do Tatuára, fazendo coro com o ininteligível repórter da tv húngara, que entusiasmado berrava também ele qualquer coisa. Para o fim da transmissão, os jogadores saltavam abraçados no relvado e eu quase que voltava a falar húngaro com o entusiasmo, algo que não fazia desde os anos 80 quando uma amiga húngara me ensinou umas coisas em Praga, Checoslováquia. Outros tempos...

Deixo-vos com a foto, uma singela homenagem do Asteróide ao Glorioso SLB, hoje em rota pela Galáxia Benfiquista, sucursal de Singapura, Casa Benfiquista de Clarke Quay, Singapore River.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Air America

Por estes dias tenho visto de tudo à venda aqui no Texas. Até os serviços mais arriscados, como procurar petróleo nos oceanos a 3000 metros de profundidade ou... voar para o Iraque ou Afeganistão carregado sabe-se lá do quê! Aposta que é uma reencarnação da Air America...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Warp

Esta é provavelmente a foto de pior qualidade que alguma vez por aqui se viu, mas a verdade é que está lá tudo: Texas (muito apropriadamente e de acordo com a placa à direita tal é o nome desta rua de Houston), os arranha-céus da quarta maior cidade dos EUA e os cowboys, perdão, os polícias a cavalo que por aqui andam, nostalgicamente hesitantes entre os V8 viciados nas octanas e as bucólicas montadas alimentadas a feno que povoam o imaginário deste povo. Por aqui ando desde Domingo passado quando, depois de ter pronunciado as palavras "beam me up, Scott" no aeroporto de Changi em Singapura nessa manhã, me vi teleportado através do Pacífico numa sequência digna da USS Enterprise. Cheguei a Houston pela uma da tarde do mesmo dia, o que para um sítio do outro lado do mundo relativamente à Cidade do Leão não está mal. Lembro-me vagamente de passar por uns arrozais a caminho aqui da Gringolândia, mas a pancada na cabeça que me dá o mega-jet-lag que tomou conta de mim nem me deixa lembrar bem o que se passou... Voltarei à antena um dia destes.

domingo, 2 de maio de 2010

O meu primeiro Japão

A ausência de paisagem urbana foi o que mais me surpreendeu, horas atrás, ao fazer a aproximação ao aeroporto de Narita, Tóquio. Um nanbam-jin como eu (literalmente um "bárbaro do sul") que pela primeira vez põe os pés no Japão esperava encontrar uma megalópolis, sobre a qual o avião teria de serpentear por entre arranha-céus e evitar um Godzilla ou dois antes de se fazer à pista. Em vez de cimento, é o que a foto demonstra: arrozais a perder de vista, pontilhados de "ilhas" mais florestradas onde as quintas se abrigam, unidas por estradas rurais, muitas delas com o mesmo aspecto poeirento da que dá acesso à minha casa lá nos Portugais. Até já!