segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jantar!



Em Vung Tau, pois claro. Muito sofri para cá chegar. Até o voo da Singapore Airlines à saída de Singapura se atrasou, penando no tarmac numa longa fila, dando prioridade aos inúmeros jactos privados que esta manhã retiravam da Lyon City todos os bilionários com quem tive de me bater pelo gin tónico no paddock.

Já no Vietname e depois da cena habitual para tratar do visa à chegada a Saigão os amigos habituais carregaram-me na viatura habitual pela estrada fora (ainda terrível como habitual...), três horas até Vung Tau. Se não sabem onde fica Vung Tau deviam ter lido mais vezes o Asteróide: visitem aqui o Vietname e ficam a saber...

Ao jantar a habitual lição de geopolítica, regada com um cocktail explosivo de vodka. Os meus companheiros de janta eram muitos e bem colocados, e depois dos vodkas até cantaram em chinês e em russo. Tudo filmado claro, mas não pensem que vai aparecer no You Tube porque ainda pretendo voltar ao Vietname mais vezes... Até porque capturei em primeira mão a noção que o Vietname está economicamente a arrefecer, com muitas obras paradas e o financiamento a engasgar-se. O "boom" estava oco e isto só vai lá com uma mudança de regime. Os governos mudam (como aconteceu à pouco tempo) mas a música é a mesma, sempre a rapaziada do costume. Prognóstico: esperem que isto por aqui bata no fundo para o ano ou em 2013. Nessa altura a tão necessária mudança de regime ocorrerá. Sem conflito, porque os vietnamitas só odeiam mesmo uma coisa: a guerra. E se houver batatada posso garantir-vos algo: não há vietnamita que não vá à luta, de faca ou pistola. Coisa que ninguem quer nem pensar.

Quanto ao repasto, muito contente estava eu por ter declinado escolher as cobritas que nos foram apresentadas logo à entrada do restaurante. Digo "estava" porque a satisfação só durou até eu tirar da boca algo mais ossudo do que o habitual, ainda a escorrer do caldo de onde o havia tirado com os meus pauzinhos do meio dos noodles. Ficam para a posteridade os ofídios que declinei e o bocadinho de carne que me saiu da boca. Com os cinco dedinhos e tudo...

domingo, 25 de setembro de 2011

Partida!

Para o GP Singapura 2011, do ponto de vista da Miss Universo e suas amigas. Mais o emplastro...

Asteróide entra em órbita...








E não foi o Vettel nem o Hamilton, tão pouco o Schumaker que me fez gravitar durante o Grande Prémio de Singapura de hoje. Calhou-me um camarote ao fundo da recta da meta e ter os Deuses comigo. Quando vi a Miss Ucrania sentar-se ao  meu lado achei engraçado. Quando ela se chegou para lá e fiquei ao lado da Miss Irlanda junto com a Miss Japão comecei a perceber que era mesmo a sério. Mais dois minutos e senta-se a Miss Universo, Leila Lopes! Não resisti a pedir a foto que vêem, em bom português que a Leila como angolana bem entende. Mais um bocado (e nessa altura já não fazia ideia nenhuma do que se passava na pista, tal era o bigode que o Vettel estava a dar aos outros...) e aprendi que a Miss Japão fala português! Foi na nossa língua e com pouco sotaque que me explicou que viveu um ano em Portugal, a estudar na universidade de Aveiro. Para que saibam. Agora vou dormir....

PS: quem ganhou?

Vruummm!




Singapura inclina-se sob o troar das máquinas. Amen!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Crime e castigo na Lyon City: take enésimo


Um dos meus passatempos favoritos em Singapura é ler os jornais. Tanto nos tablóides como no respeitável Straits Times, encontro sempre uma profusão de notícias trágico-cómicas para partilhar. Já por aqui leram umas tantas, sobre aldrabões épicos, velhinhas a pintar os próprios caixões, chihuahuas clandestinos, gravideses indesejadas, sexo na rua, porrada no rugby, etc. Tudo isto e muito mais em Singapura.

Trago-vos agora as últimas. Comecem por olhar para as fronhas dos dois morecões que aparecem nas fotos. Deu-me logo para começar a rir... Mas nem tudo é cómico. Vejamos caso a caso:

Take 1: O engenheiro de óculos parou o carro de repente e sem sinalizar para deixar sair a filha e não gostou da buzinadela emitida pelo dentista que conduzia o carro que o seguia. Sai o engenheiro do veículo e pespega um murro no parabrisas do dentista, rachando-o de lado a lado. O vidro, claro. Resultado: o engenheiro foi condenado a uma multa de 4000 singdólares (cerca de 2500 EUR). Cheio de sorte, porque poderia ter sido condenado até dois anos de prisão...

Take 2: O motorista de autocarro com cara de chorão parou numa passadeira para deixar passar a senhora Ang, de 97 anos (noventa e sete...). De louvar. No entanto a senhora deve ter sido um pouco lenta, e o nosso motorista chorão assumiu que bastava de baldas a nonagenárias e arrancou quando lhe deu a pressa. A senhora Ang foi passada a ferro pelo autocarro. Para além dos 97 anos ainda sobreviveu mais seis horas, até falecer no hospital mais tarde. O motorista chorão foi condenado a pagar 9000 singdólares de multa, foi despedido e inibido de conduzir durante três anos e meio. Trabalha agora como ajudante de cozinha num restaurante manhoso e sofre de insónias. Falta-lhe lavar 345,367 pratos até conseguir pagar a multa.

Take 3: as empregadas de limpeza de hoteis por aqui não devem ganhar mal. Uma delas tinha o suficiente para subornar o chefe com 1000 singdólares, para o levar a despedir uma colega de quem não gostava. O chefe denunciou a situação. A nossa criadinha chinesa foi condenada a 2500 singdólares de multa, mas como não pagou foi de cana. A pena para crimes de corrupção em Singapura vai até 100,000 dólares de multa e cinco anos de prisão.

Moral da história: se passarem por aqui cheios de pressa e tiverem dinheiro suficiente no bolso não se deixem atrasar por dentistas chatos ou velhinhas lentas. Esmurrem um e atropelem a outra sem pejo, vai-lhes custar uns tantos dólares mas pelo menos chegarão a tempo (onde quer que vão...). Mas nunca por nunca temtem subornar o juiz que os multa...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Típico...

Hotel super, piscina exótica... Mas chove e troveja desde que aqui cheguei ontem e a cidade de cimento rodeia-nos. Welcome to Singapore!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Moinhos e panquecas para acabar a semana


Dizia eu no post anterior, pelas cinco da manhã, que estava pronto para embarcar para Amsterdão. E por aqui estive, começando a primeira reunião em Amsterdão pelas nove da manhã e terminando a última pelas cinco e meia da tarde nos arredores de Roterdão. Agora de fugida no aeroporto de Amsterdão prestes a embarcar de novo (agora direitinho a casa para o fim de semana!), cá vão as fotos do dia. Uma ilustrando o processo de metamorfose que os moínhos holandeses estão a sofrer, a outra com uma instituição nacional por estas bandas: a famosa panqueca holandesa! Esta última devorada há momentos, quando um amigo que me deu boleia de Roterdão para o aeroporto de Schipol teve a bela ideia de parar para lanchar. Agora, Portugal comigo, onde conto ficar praí dois dias e meio sem voar. Fixe...

Sobrevoando Stavanger


A minha vida ultimamente não passa disto: de aeroporto em aeroporto até que me cresçam asas... Ontem tive de voar de Amsterdão para Stavanger, Noruega. Hoje bem cedinho estou pronto a embarcar de novo, de Stavanger de volta a Amsterdão onde começarei o dia com uma reunião pelas 9:30. Ou seja, já nem saio dos hoteis dos aeroportos. Este bate recordes: como podem ver pela vista, quase que dá para pular do quarto para a pista. Até já...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sol no Mouchão da Póvoa do Norte

Se nunca estiveram por aqui e quiserem saber como é a Holanda, sugiro que imaginem um Mouchão da Póvoa gigante. Isso mesmo, quadrículas esverdeadas esventradas por canais de água até perder de vista. Só faltam o Mar da Palha e os campinos. Por aqui estou mais uma vez. Como sempre mais chuva que sol, mas da janela aqui do hotel de Schipol perto de Amsterdam onde me encontro consegui ver o solinho numa fugaz aparição ontem de manhã. Fica aqui a justa homenagem ao astro-rei por ter animado um lusitano macambuzio com pena de ter deixado o sol para trás esta semana.

domingo, 11 de setembro de 2011

O fim do vinho

Nesta passagem por casa chego à conclusão que para o ano tenho de passar sem vinho à borla e à descrição... Olhando para as minhas vinhas todas queimadas do míldio, as ricas uvas castelão francês (aka Periquita...) feitas em passas secas devido às chuvadas de Maio, chego à conclusão que "deste já não hà mais". Não será o melhor dos vinhos, por ser bebido jovem apesar de feito com muito brio aqui pelo vizinho que me trata da terra. Mas pelo menos seria meu e vou sentir a falta dele. Há um par de dias atrás, quando os camaradas agricultores aqui do concelho de Palmela pegaram nos tractores e encetaram uma marcha de protesto a partir do Poceirão para pedir compensação ao governo pelos dislates do São Pedro, pensei seriamente em pegar no corta-relvas e participar. Mas acabei por comprar cerveja e ficar sentado...

sábado, 10 de setembro de 2011

De visita a casa

Viajar é fixe mas não há nada como regressar. E quando se depara com o nome Portugal logo à partida do local remoto de onde regressamos ainda melhor. Foi o caso desta foto. A nave da TAP chamava-se Amália Rodrigues e  na quarta-feira trouxe-me de Oslo a Lisboa num instantinho.

No entanto tenho receio que com tanto voo algo me esteja a acontecer. Suspeito que me esteja a destransformar de tuga noutra coisa qualquer. Tipo... turista norueguês? Seguramente em qualquer coisa diferente de mim, porque ao deixar o avião na Portela o comissário de bordo despediu-se desejando-me sonora e sorridentemente uma "Boa estadia!". Reparem, não me felicitou com um "Bom regresso!", nem um "Bemvindo de volta!". Não, desejou-me "Boa estadia" como se soubesse que eu estava passagem e fosse voar de novo na segunda-feira para Amsterdão. Como é que ele adivinhou!?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Progresso civilizacional

Para além de outras taras, também tiro fotos em casas de banho um pouco por todo o planeta. Tenho uma colecção fixe que partilharei com outro tarado feitichista se me pedir muito. No entanto não é para vos falar desta tara que vos escrevo. Fotos tiradas em sítios destes carregam normalmente mensagens profundas, e esta é suficientemente profunda para reflectir a situação actual da sociedade norueguesa.

Para quem não percebeu ainda bem a mensagem ao olhar para as instruções do dispensador de detergente, fotografado na sua austera e atenta posição sobre a sanita, eu explico. Aqui neste WC pretende-se que o utente, após terminar o seu serviço, limpe bem a sanita para que esta fique a brilhar, usando para isso um pedaço de papel higiénico embebido no detergente. Ou seja, que integre verticalmente a sua actividade relacionada com WCs, passando a ser também o "senhor(a) da limpeza" para além de utente. Daqui a cinquenta anos é bem possível que esta integração tenha atingido os seus limites, com os utentes das WCs norueguesas a depararem-se com um pedaço de terra, uma pá e um misturador de cimento, com o que construirão a sanita antes de para lá verterem as águas e a limparem no final.

Um tuga aqui tende a não fazer nada do que é pedido, porque pensam: "era o que faltava eu a fazer de faxineiro a limpar a caca dos outros"! Um noruegues pensa "tra-la-ra-lo-ló, cá vou eu alegremente limpar as pinguinhas que deixei, pois encontrei isto limpo e quero que o próximo utente usufrua também desta deliciosa experiência"...

Pessimismo nórdico


Agora o outro lado da medalha (isto se leram o post anterior...). É verdade que os noruegueses são optimistas relativamnte ao tempo. Mas no que respeita ao futebol nem tanto... Um amigo ontem ao jantar, enquanto o jogo decorria, não acreditava muito na sua selecção. E a mesma confirmou-o mais logo. ao perder com a Dinamarca, no mesmo grupo onde está Portugal. Cá vão as fotos que tirei do jornal desta manhã. Não percebo norueguês mas devem estar a cascar na selecção... Quanto a nós: aparecemos em primeiro e em maiúsculas!

Optimismo nórdico

Mesas em esplanadas, flores e verduras ao relento. Estou em Oslo em Setembro e tudo parece preparado para aproveitar o que resta do Verão. A questão que se coloca é: mas que Verão?! Na realidade tirei a foto que vos apresento todo transido, a arrostar com uns 12ºC à chuva que fazia ontem. Mais tarde, ao jantar à beira mar ali para os lados de Lysaker, um pouco a oeste de Oslo, já nem tive coragem de fotografar um marujo a trabalhar de manga curta no cais, arrostando com uma borrasca incrível que me deixou encharcado e transido em três minutos de caminhada desabrigada. O vento uivava, a luz desaparecia, a chuva batia, as ondas saltavam. Meu rico Verão! Ao olhar para a foto lembrem-se de um novo dito: "optimista como um norueguês!".

sábado, 3 de setembro de 2011

Tabasco, Vietname e tugas loucos

Se na quarta saí de Dallas para chegar à Cidade do México, ontem voei da capital para Villa Hermosa, cidade capitã do charmoso Estado de Tabasco. A pátria dos habaneros e outras matérias primas com que produzem picantes épicos é também uma região em grande desenvolvimento, devido ao turismo e à industria petrolífera. Mas não é para vos contar isso que vos escrevo. A intenção deste post é apenas a de partilhar esta foto, que em tudo me lembrou uns centos de outras tiradas no Vietname: um veículo motorizado de aspecto esquisito, cheio de objectos estranhos e difíceis de identificar, a passar uma pontezeca sobre (mais) um rio, na altura em que passa um carro transportando um tuga lunático a disparar uma Canon de bolso. Ah que saudades da minha conchichina.... Não farei esperar Saigão e Vung Tau muito mais, antes do final do mês o Asteróide estará por lá caído de novo.

Entretanto já voei de volta à Cidade do México, de onde vos escrevo antes de embarcar rumo a Madrid. Amanhã espero estar de volta ao luso cantinho!

Megalópolis

Há duas cidades no mundo que juntam ao tamanho gigantesco a oportunidade de serem sobrevoadas na aproximação aoaeroporto, quando se chega voando como é apanágio dos Asteróides: São Paulo e Ciudad de Mexico. Não me lembro se já por aqui apresentei alguma de São Paulo. A foto da Cidade do México tive oportunidade de colher quando aqui cheguei na passada quarta-feira. É esmagador. Olhem bem para o gigantismo do que vêem, as casinhas espalham-se como um fugo até invadir as espaldas das montanhas que rodeiam a cidade. Viram bem? Agora concentrem-se e pensem que o avião sobrevoa a cidade mais ou menos pelo meio da mancha urbana. Ou seja, para trás do fotógrafo e para ambos os lados espalha-se idêntico oceano urbano, até perder de vista. Estão a ver o lar dos vinte milhões de pessoas desta urbe espantosa.

Lonesome

Não foi o pôr do sol "comme il faut", mas a alvorada fez o mesmo efeito: lavou a alma e fica como a única coisa de jeito que vi em Dallas, nesta enésima visita que ocorreu no início desta semana. Para que o Asteróide não deixe de assinalar o seu rasto, fica esta visão de cowboy em direcção ao... levantar do sol.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O país dos sorrisos

Esta manhã encontrava-me de novo no lounge da British Airways, no Terminal 3 de Heathrow. Por “outra vez” refiro-me ao aterrar ali de manhã, no mesmo sítio de onde tinha saído na 6ª feira passada de volta a casa. Até me senti a modos que colega da chefa das empregadas lá do lounge, uma indiana pequenina com ar de dragão que já conheço de vista. A diferença é que na sexta feira passada vinha alegremente de regresso de uma semana dividida entre a fria Escócia (em Aberdeen estava uma mínima de 8ºC…) e a chuvosa Londres. Hoje estava de saída do meu cantinho entre vinhas e sobreiros, a caminho da tórrida Dallas onde me encontro agora: 41ºC de dia, 27 à noite! Portanto a disposição era muito diferente, só a Sra. Dragão era a mesma.

Dito isto, ficaram a perceber que o país dos sorrisos não deve ser a Escócia nem a Inglaterra, nem porventura a Gringolândia. Para que percebam onde fica tal sítio têm de continuar a ler...


Ao entrar na porta 35 do Terminal 3 de London Heathrow, para embarcar num voo da American Airlines rumo a Dallas, Texas, deparei-me com as costumeiras camadas adicionais de segurança (para alem dos entretanto vencidos raios X vigiados por paquistaneses e das apalpadelas da praxe em qualquer aeroporto). Cruzo-me primeiro com uma menina com sotaque polaco para verificar o passaporte, que me atira para os braços de uma matrona de sotaque russo. A matrona pergunta-me tudo o que quero ir fazer aos USA, desconfiada por ver no seu ecrã escondido que depois de Dallas vou marchar para o México. Finalmente tranquila, passa-me por sua vez para debaixo do olhar hipnotizante de um sique de turbante, que finalmente me verifica o cartão de embarque e me deixa passar.

Todavia não me dei ao trabalho de escrever tudo isto para me queixar dos fastidiosos processos das viagens aéreas pós-9/11. Nem para sorrir para dentro por ver a segurança da América nas mãos do paquistanês dos Raios X, da menina polaca, da matrona russa com ar de KGB e do sique de turbante.

Não, escrevo para partilhar a observação que ouvi da senhora russa, quando finalmente completou o longo escrutínio a que me submeteu. Disse-me a matrona: ‘Gostava de ir a Portugal. Deve ser um país muito bom. Todos os portugueses que aqui passam sorriem!' Depois de passar o sique e remoer nisto até me vieram lágrimas aos olhos…

Viva nós!

terça-feira, 12 de julho de 2011

A torre do califa

Era uma vez uns Emiratos. O Emirato cigarra cantou, cantou, anos a fio. Mandou fazer as mais sumptuosas obras em casa. Os imprevidentes investidores desaguaram por lá como cordeiros. Despejaram biliões para construir arranha céus. Os que compraram o resultado venderam-no passado um par de meses, com grande lucro. E os que compraram a esses a mesma coisa. E por aí fora, uma dança de cadeiras que normalmente só parava quando um russo rico ou um afegão fugido queria mesmo habitar num 86º andar, mal construído mas com muito glamour. Normalmente o último na cadeira já era o quarto ou quinto proprietário do imóvel, na altura em que o apartamento finalmente ficava pronto.

O problema é que quando a música parou não havia assim tantos russos ou afegãos bimbos para ficar com a última cadeira. E em 2008 o sub-prime começou a transformar os cordeiros da finança internacional em lobos... Em Dezembro de 2008 a "bolha" do imobiliário rebentou. Oficialmente. As previsões eram já nessa altura, que os preços do imobiliário desceriam 80% em 2009...

O Dubai ficou a dever biliões de dolares. Só para as obras do "Downtown Dubai" foram 20 biliões, incluindo quatro biliões para fazer o Burj Dubai, que vêem na foto que tirei há pouco quando passava de taxi na Sheik Zaeed. Há uns anos valentes que não vinha aqui ao Dubai: em 2007 o maior arranha-céus do mundo ainda não estava construído, portanto ver estes 828 metros de altura ali ao lado (altura da bolha, diria eu...) foi de facto emocionante. Se tiver tempo espero hoje ou amahã aproximar-me mais.

Mas voltando à fábula. Onde existe uma cigarra é de esperar encontrar uma formiguinha. Nesta fábula de bolhas do deserto assim foi tambem. O magnânimo Emir de Abu-Dhabi, um dos emirados irmãos do Dubai (Abu Dhabi é o irmão mais velho, o emirado "chefe"...), assumiu o papel de formiguinha. Tinha uns trocos amealhados graças ao petróleo que não esbanjou e veio a correr emprestar 10 biliões ao mano cigarra. Claro que a cigarra foi castigada: o Burj Dubai teve de mudar de nome. Ficará para todo o sempre conhecido como Burj Khalifa Bin Zayid, o nome do xeique que manda em Abu Dhabi.

Moral da história: amochemos à troika e a os cordeiros agora feitos lobos. Paguemos, paguemos. Ou então preparemo-nos para ter um Aeroporto Angela Merkel ou uma Ponte Sarkozy... Já para não falar de uma Torre Moodys ali para os lados de Belém!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Também queremos um Futuro Negro para os nossos filhos!

Negro de petróleo, claro está... Embora continue a suspeitar da capacidade dos estados em viverem para lá da "maldição do petróleo" (Angola sendo o pior caso, Brasil correndo sérios riscos de se deixar inflacionar até ao estouro, e até a Noruega a viver à conta sem investir em infraestruturas), a verdade é que não consigo deixar de dar o benefício da dúvida ao Emir do Qatar. Aqui decerto ninguém se revoltará... Há um equilíbrio que se nota no ar, a riqueza é tanta e distribuída por tão poucos que verdadeiramente o incentivo para fazer barulho é muito reduzido. E se alguém acorda mal disposto e decide mandar um sms de protesto? Enterram-no logo debaixo de um milhão, o potencial organizador de manifs esquece o sms e compra um iPad novo para jogar o Settlers enquanto voa de férias para o Tahiti...

Venha um futuro negro! Se vier acompanhado de um Emir benigno...

Deserto com ideias


Qatar é quente. E não tem uma gota de água em todo o seu pequeno território (uma peninsula com vista para o Bahrein, com o tamanho aí do Alentejo e fronteira com a Arábia Saudita). Deserto, deserto e mais deserto. Ontem quando cheguei era noite e a temperatura tinha descido para uns "refrescantes" 36ºC. Hoje enquanto era conduzido do meu hotel em Doha para o trabalho (que me aguardava a uns 90 Km de distância para Norte) o carro marcava 44ºC. Um dia menos mau... A humidade, no entanto, estava surpreendentemente alta, o que torna o calor ainda mais difícil. Parece-me portanto que o clima é idêntico ao que me lembro dos Emiratos Árabes Unidos, aqui perto, anos atrás quando passava a vida caído no Dubai.

Como podem ver da amostra de Doha abaixo, colhida da janela do meu quarto como já é tradição, a cidade não é enorme nem super-produzida como o Dubai. No entanto lá mais ao longe espreitam os guindastes no que aparenta ser uma emergente "city a la megalómano". A ver vamos daqui a uns anos, com o Mundial de Futebol a vir para aqui em 2022, se não se acabam com uma bolha como o Dubai.

Por enquanto tudo vai bem nas terras de Sua Majestade o Emir Bom, Hamad bin Khalifa, sentado em cima de reservas de petróleo capazes de manter o Qatar por bastante mais tempo como o país do mundo com o maior PIB per capita (parece que durarão pelo menos mais 37 anos...). Claro que se divide o PIB pelos cerca de 200,000 qataris, numa população de 3 ou 4 milhões se incluirmos todos os estrangeiros que trabalham no petróleo, construção, refinarias, etc...

sábado, 9 de julho de 2011

O meu limão

Sentimentos de posse e de desenraizamento juntam-se para fazer deste limão algo muito especial. Não é o da esquerda, mais enfezado, é o maior. Este grande limão em projecto já se faz notar há algum tempo. E eu gosto muito dele. Gosto porque é de facto meu: o limoeiro foi por mim plantado, na minha terra, não deu nada o ano passado e este ano traz-me esta prenda. Vejo-o crescer desde que surpreendentemente percebi que existia, umas semanas atrás. Pensava que era mais uma folha daquele limoeiro ainda pequenino, aí com metro e meio de altura, mas aquela textura rugosa começou a saltar demasiado à vista e um dia aproximei-me. Era o meu limão, verdadeiramente meu, crescendo exuberantemente ali mesmo debaixo do meu nariz. E fez-me olhar com mais atrenção para as outras cinco árvores irmãs: laranjas, mandarinas, toranjas, todas aquelas árvorezinhas enfezadas que plantei o ano passado preparam-se agora para me presentearem com os seus frutos dourados. Ainda apenas se vêem bolinhas verdes, em alguns casos bem pequeninas, mas elas vêm aí! Claro que nenhuma tão grande como o meu limão, mas já transbordam de promessas de sumos ao pequeno almoço...

Para além do sentimento de posse (este fruto é muito mais meu do que algum electrodoméstico, carro, jantar, prato ou televisão alguma vez será...), o meu limão também me ajuda a sentir que ainda tenho lastro, âncora. Que para além das pessoas que amo há algo físico e enraizado que ainda me prende a esta terra.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Outono brasileiro





Depois do Rio de Janeiro seguiu-se o Rio Grande do Sul. Ir num dia e vir noutro... Sempre que se fazem estes raides pelo Brasil temos de nos munir de paciência extra. O stress é sempre abundante devido aos atrasos nos voos, ao tamanho dos aviões e dos aeroportos... Enfim, coisas de país grande.

Depois de muito correr para apanhar a ligação em Porto Alegre lá chegámos a Rio Grande. Aqui o stress acaba: o aeroporto é minusculo, acho que mais pequeno que a minha casa... Sai-se do teco-teco para a pista. Caminham-se vinte metros e entra-se no edifício. Dão-se mais cinco passos e sai-se pelo lado oposto. Estamos na rua. Ou antes, no parking deserto do aeroporto no meio de nenhures. Bom, não estava completamente deserto: lá estava a Fiat Dobló onde o nosso grupo de seis se espremeu a caminho do hotel.

Deixo-vos com mais umas fotos fugidias, incluindo a da vista do quarto, com as cores outonais desta altura do ano lá no sul do Brasi. As temperaturas desceram aos 6ºC durante a noite e abundavam as folhas caídas pelo chão. Um Brasil diferente!

Na viagem de regresso, quatro voos. A sinalética da casa de banho do restaurante onde jantei na véspera, em Cassino, perto de Rio Grande, foi premonitória: com tanta correria não houve tempo para escalas técnicas no wc! Foram dois voos de teco-teco até Porto Alegre (porque incluiu uma escala no meio dos pântanos para reabastecimento...), outro de Porto Alegre para Florianopólis e o final até ao Rio. Tudo por causa dos ciúmes que os Chilenos têm dos Islandeses! Agora também inventaram o seu próprio vulcão para implicar com a navegação aérea, pelo que o nosso plano de voo de regresso se esfumou... em cinzas. Vá lá, com cinco horas de atraso acabei por chegar ao Rio de Janeiro, mesmo a tempo de apanhar o TAP para casa três dias atrás. Viva o Verão e o Santo António!

Nascer do sol em Copacabana

Sempre que a rota do Asteróide merece um post, o escriba tenta sempre encontrar uns títulos engraçados, que sendo relacionados com o tema não sejam demasiados óbvios. Essa mania pedante, no entanto, torna-se muito difícil quando estamos perante algo que dispensa as palavras. O paraíso de Itaóca foi um destes casos, deixando o título do post anterior rediuzido à expressão mais simples.

Na meia semana de trabalho no Rio fiquei em Copacabana, para estar mais próximo da acção (normalmente fico na Barra da Tijuca, que prefiro, mas o trânsito para chegar ao Centro vindo de lá é surreal...). O turismo ficou-se por dez minutos de corrida a uma lojeca perto do hotel para comprar umas havaianas último modelo para a malta. E por esta foto do nascer do sol, tirada da minha janela do quarto. Como seria de esperar o título quedou-se mudo, sem nada acrescentar ao maravilhoso espectáculo do... nascer do sol em Copacabana.

Itaóca




A mudança não foi má: um dia estava eu a voar de regresso a Lima deixando para trás o deserto nortenho do Peru.  No dia seguinte aterrava bem cedinho no Rio de Janeiro, antes do sol nascer. Enttretanto ainda houve tempo para um cheviche de estalo em Lima e de mais trabalho pela tardinha limenha, antes de me apressar para o aeroporto pela noitinha.

No Rio cheguei mesmo a tempo ali para as bandas do bairro das Laranjeiras . Àquela hora madrugadora  os vendedores do mercado semanal instalavam as suas coloridas bancas. Frutos tropicais, carne, peixe, flores, produtos da horta... Alguns dos donos das bancas diziam com orgulho serem portugueses, apesar do sotaque brasileiro. Mas pareciam-se mais com os meus vizinhos agricultores em Portugal do que com Cariocas, lá isso...

Um regalo para os olhos e (no caso de um peixão vermelho que comprámos) para o estômago! Em menos de nada eu, o meu amigo que mora nas Laranjeiras, o carro dele e o peixe vermelho estávamos na Avenida do Brasil (são setenta quilómetros de avenida...) apontados a Sul.

O destino foi Itaóca, uma das várias localidades minúsculas aninhadas entre morros e angras paradísiacas, já perto de Angra dos Reis, onde os cariocas que podem têm casas de fim de semana e férias. Itaóca fica entre o Portobelo e o Club Med, ou seja: entre paraísos...

E assim se passou um Sábado 4 de Junho, em profunda reflexão, em casa de amigos. Eu na rede da varanda depois de um passeio na praia, o peixe vermelho no forno. O peixe inundando a atmosfera de um cheiro maravilhoso, eu meio a dormir a pensar que, apesar do trabalho ser duro ainda vão acontecendo uns Sábados decentes em sitíos como Itaóca. Para compensar...

Deus por satélite


Nos poucos dias que passei no Peru antes de voar para o Rio, o programa não diferiu muito do da visita anterior, em Fevereiro: trabalho, trabalho, trabalho... Depois de me deitar exausto em Lima, aonde cheguei de Madrid pela mão da Iberia, levantei-me exausto às 3 da manhã para começar o dia com uma reunião a 1000 Km a Norte de Lima, em Talara, na desértica costa nortenha. Avião das 6 da manhã para Piúra, depois duas horas de carro por uma estrada sulcada por condutores assassinos, muitas vezes com volumosos camiões em contramão como arma... One day at the office... Nada muito diferente do pernoitar em Saigão e começar o dia com uma reunião em Vung Tau.

Como troféus turísticos ficaram as fotos que foram sendo capturadas a eito e sem jeito. Ficam duas para a posteridade, incluindo a evidência de que Deus nos guia. Por satélite. Só assim se percebe que se consiga sobreviver a duas horas na estrada para Talara, pisando riscos continuos a meio de pontes para ultrapassar vacas motorizadas... 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A 5 de Junho vota-se... no Peru

O Asteróide tem estado pelo Peru nos últimos dias. E agora deambula a seco: devido às eleições presidencias de Domingo próximo, foi instituída a Lei Seca desde a meia-noite passada, quando a campanha eleitoral chegou ao fim. Está proíbida totalmente a venda de alcool no Peru até às eleições, para evitar ânimos exaltados.
A escolha será entre Keiko Fujimori, a filha do Fujimori em tempos Presidente (e agora em prisão, condenado a 25 anos por atentados aos direitos humanos, corrupção, etc...), e o populista "A La Chavez" Ollanta Humala. Aparentemente mais um caso de "venha o Diabo e escolha", que não será único a 5 de Junho...