sexta-feira, 2 de maio de 2008

Saigão 2008: é ver, é ver, não fica assim muito mais tempo!


Na terceira visita a Saigão, depois de lá ter estado em 2006 e 2007, a mudança em curso é notória: mais carros, mais motas, e algop parecido com uma ordem a emergir (mas ainda muito ténue...). O barulho infernal da apitadela compulsiva continua mas começa a ver-se o esforço de alargamento das ruas e da disciplina que se tenta impor no trânsito. Arranha céus modernos começaram entretanto a brotar, lojas mais decentes surgem, Saigão faz finalmente juz ao excelente café apresentando um número crescente de agradabilissimos ciber-cafés sofisticados... A travessia das inúmeras pontes da cidade já não dá sempre a sensação de se estar a passar um esgoto a vau, ao contrário do que acontecia num passado recente. Enfim, o mundo pula e avança, ao ritmo de 100 novos carros e 300 novas motas registadas em Saigão... POR DIA! O governo em dois meses já aumentou o imposto sobre importação de carros por duas vezes (é agora de 85% do valor da importação), a inflação galopa para a casa dos 20%, o imobiliário em Saigão atinge preços do mais caro da Ásia, mas a febre não pára. Vejam as fotos da cidade tal como está hoje: não vai ficar assim muito tempo! Também já podem ver online o habitual álbum de fotos dedicado às pessoas e suas vidas, mais que aos lugares: a não perder os últimos apanhados do povo mais fotogénico do mundo! Desta vez comecei em Ho Chi Min (Saigão), passei para Nha Trang e Cam Ranh a cerca de 400 Km a Norte, depois voei para Danang (ainda mais a Norte, talvez a uns 800 Km de Ho Chi Min, já no Vietname Central), de onde dei um salto a Dung Quat, isto antes de regressar voando a Saigão onde passei ainda dois dias. Muita gente fotografada à pressa pelo caminho e também fotos dessas paragens, que colocarei online em breve.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Regresso à Cochinchina


De novo na terra do melhor café do mundo (qual bica, qual Itália, nem mesmo o Nespresso lá de casa se aproxima ...), das massagens sumptuosas, de um mundo a mudar rápidamente, do paraíso dos fotógrafos mal jeitosos como eu. Estou a falar-vos, claro, do Vietname. Onde nem tudo é bom: a cacofonia constante das apitadelas do trânsito, a mania de espetar com um pedregulho de gelo dentro dos copos de cerveja, enfim...

Desta vez o asteróide tem singrado mais para Norte: começou em Ho Chi Min (Saigão), passou para Nha Trang, de praias excelentes e com uma das baías mais belas do mundo, agora paira sobre Danang, para onde voei esta manhã.

A moça da foto foi surpreendida através do vidro do restaurante onde almoçava, pelas 11 da manhã. Ela vendia jornais, eu comia galinha, apresentada na travessa com cabeça e tudo, acompanhada por umas saborosas flores cozinhadas a modos como se fossem grelos.

Fotos não faltam (falta é tempo para as publicar...), principalmente dos autóctones, espantosamente fotogénicos nas suas exóticas lides. Hoje consegui um par de horas disfarçado de turista, subindo a ladeira dos pagodes de Ngu Hahn Son e bebendo cerveja e petiscando na praia de Non Nuoc, quilómetros de areia branca em tempos apelidados de China Beach por um grupo de marines fazendo wind surf enquanto eram espiados pelos Viet Congs... Quanto a Hahn Son é a capital dos mármores, orgulhosa de ter fornecido o material para o mausoléu de Ho Chi Min em Hanói e onde estátuas de todos os tipos e dimensões se aninham no sopé de colinas verdejante, esperando pelos turistas para as comprar.


Até à próxima

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A gente da terra dos gerúndios

De facto “está faltando” relatar muita coisa sobre a minha foguetória passagem recente pelo Brasil, em duas semanas demasiado aceleradas entre final de Fevereiro e início de Março últimos. Foi uma semana no Rio, com base na Barra, e outra semana rodopiando por parte do país, com São Paulo a servir de dormitório e os seus aeroportos (usei os dois...) no papel de placa giratória. Dormir quatro horas em São Paulo entre o avião de regresso de Ipatinga, a Capital do Aço de Minas Gerais, e o pássaro que me levou no outro dia antes da alvorada para Camaçari, Bahia, não é propriamente fazer turismo... Ainda deu para passar de carro na Avenida Paulista há noite e nada mais. Do Estado de São Paulo acabei por conhecer, a 100 Km da grande cidade, a bucólica Quiririm, o maior contraste possível com a megapólis...

Como eventualmente já leram mais abaixo, estou em Singapura, agora como visitante apenas, mas sinto um certo remorso por ainda não ter declarado alto e bom som que SIM, é VERDADE, e só peca por defeito: o Rio de Janeiro é de facto a Cidade Maravilhosa! Que dizer do Rio? Vou guardar comentários para um post mais tarde, quando publicar no Picasa as fotos da cidade.

Ficam para já a estranheza desse país de uma força estonteante que é o Brasil, onde tudo é violento, ou belo, ou arrebatador, ou louco, ou uma mistura de tudo isto ao mesmo tempo. Este turbilhão é depois temperado pela exótica pitada do português falado já em conformidade com o Acordo Ortográfico que será assinado no ano de 2124... Quem se poderia lembrar de chamar a uma pen-drive USB de “chupa-cabra” se não os brasileiros?! E que dizer do “camelódromo”, que ao contrário do que possam pensar não é um sítio para corridas de camelos como no Dubai? No Brasil um “camelódromo” é um mercado de venda ambulante, sendo os vendedores itinerantes alcunhados de “camelos”.

O Brasil não consegue ser descrito, então por um falta de jeito como eu. Não sabendo como o descrever, vou dizendo que é o sítio onde por exemplo uma propaganda do Estado clama “O Candidato que Você Elegeu é Você Lá. Olho nele!”. Poxa vida... E que dizer das estatísticas? Dezassete assassinados por dia no Rio, quatro dos quais na Barra da Tijuca, supostamente um canto mais calmo, a 500 metros do meu hotel numa manhã em que devia estar a dar o mergulho das seis da manhã: bandidos mandaram granadas, abalroaram carro da polícia e finalmente foram feitos em picado, os quatro, a tiro de metralhadora. Outra estatística: uma média de dois moto-boys morrem diariamente no Rio (os moto-boy são os estafetas que compõem o sistema circulatório documental da cidade, porque correio não é fiável para os negócios). E as praias que nunca mais acabam, a praia omnipresente do Rio? Na realidade não se sabe bem o que é PRAIA antes de ter ido ao Rio... Tudo isto com um certo ar de familiaridade, como quando dei comigo, no único dia que parei para um chôp de fim de tarde na Praia do Pêpê, a cumprimentar um conhecido actor de novela que me foi apresentado enquanto passava de calção de banho e prancha debaixo do braço.

Para lá do Rio, nas minhas voltas, ficou a constatação que as línguas de raiz índia (Tupí-Guarani) se mantiveram fortíssimas na toponímia dos lugares. Estive em Quiririm e Caçapava no estado de São Paulo, em Camaçari na Bahia, em Ipatinga em Minas Gerais...

Bom, por hoje chega de Brasil... para lerem mais esperem que eu volte a ter tempo. Talvez em Maio, quando estiver de novo por aquelas bandas, desta vez apontado ao Recife. Entretanto já podem ver online um álbum de fotos da Bahia (desta vez pouco vi da Bahia, as fotos são de 2005 quando estive em Salvador) e outro de fotos à traição no Brasil desta última viagem: pessoas, animais e coisas apanhadas enquanto passava a correr...

Já com a consciência mais tranquila, deixarei agora o Asteróide subir para Norte, até ao Vietname que desta vez vou conhecer em maior extensão durante a próxima semana. Depois, uma saltada mais a Oriente, o meu recorde em teremos de deslocação para Leste: a Coreia. Não prometo quando voltarei a dar notícias!

Crime, crime, crime: o caso do terrível chihuahua malaio

Enquanto a crónica das escaldantes noites de Singapura (dark side...) se faz esperar, acho adequado mitigar-lhes a impaciência (já que tenho estado aqui por Singapura desde a última semana, de passagem) com um parente, embora pobre, do sexo: CRIME!

É assim que vos apresento o criminoso Liu Liangwu, que escapou por um triz a ser engavetado por 12 meses por ter sido apanhado a entrar na República de Singapura com uma arma proibida, na fronteira rodoviária com a Malásia. Safou-se pagando uma multa de 10,000 SGD (cerca de 4650 EUR ao câmbio de hoje), o que eu acho uma prova da doçura com que Singapura trata este tipo de empedernido facínora. Na imagem acima exponho-vos o Criminoso e a Arma do Crime (um Chihuaha de aspecto nitidamente letal, capaz de provocar uma mortandade na população local de pitons, iguanas ou coreanos por atentado à digestão).

À parte o Caso do Vil Chihuahua de Johor Bahru, ali do outro lado da ponte (de lá só vem desgraça, desde que o Sultão de Johor se aliou aos Holandeses para correr com os portugueses de Malaca) ficam as 10 acusações de maus tratos que recaem sobre uma senhora local. A pobre senhora está em risco de pagar 1500.00 SGD (700 EUR) de multa por ter repetidamente esmurrado, puxado os cabelos e dado com a colher de pau à sua empregada indonésia.

De resto, crime à parte, a vida é boa aqui em Singapura (excepto para mim, que trabalho como um cão – mas com gosto - deixando o Asteróide à deriva). Os preços de compra e aluguer de casas começam finalmente a travar a subida. Chegado o fim do prazo de entrega do IRS só 15% ainda não entregaram a declaração (ainda o podem fazer na net, como já fizeram cerca de um milhão de contribuintes, de um total de 1,5 milhões de pagantes). O Cristiano Ronaldo aparece todos os dias em pelo menos um jornal. O Singapore Flyer, a maior roda gigante panorâmica do mundo (165 metros de diâmetro deu finalmente a sua volta inaugural para fazer inveja ao London Eye. Os indonésios aqui do lado são gozados por um Presidente da Câmara estar a ameaçar uma dançarina-cantora de dangdut com uma proibição de actuar se não aceitar tornar o seu espectáculo menos sexy. “Jovens do sexo masculino disseram-me que ficavam sexualmente excitados quando vêem Dewi Persik actuar”, acusou uma líder religiosa indonésia, o que levou Dada Rosada (!) o Presidente da Câmara de Bandung, a proferir que “o que desperta o apetite sexual não é arte...”. Alamah! Fiquei com vontade de apanhar o ferry para Java...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Último da espécie?


Primeiro não queria acreditar no que ouvia. Um silvo agudo subia e descia de tom, levando-me consigo muitos anos (décadas!) atrás, aos tempos em que no meu bairro se ouvia o mesmo assobio com frequência. Depois, para além de ouvir, vi, incrédulo, algo que pensava já estar extinto à uma eternidade: o Amolador! Com esta foto, que por incrível que me parecesse foi tirada numa manhã de um Sábado de Março do ano do senhor de 2008, ali para as bandas da estação de comboio do Areeiro em Lisboa, faço uma homenagem a estes bravos exploradores de "niche markets" da cidade, verdadeiros heróis da mais antiga das publicidades: o assobio aos quatro ventos!

Nota: eu sei que o Asteróide anda preguiçoso, apesar do muito que tem para publicar sobre as voltas recentes nas terras de Vera Cruz, mais as voltas passadas em muitos outros sítios. Lentamente, no entanto, espero que se ponha em movimento de novo... Agora em órbita geostacionária na Europa do Sul (que é como quem diz lá para as bandas dos Olivais...), estará em breve de regresso à Ásia para mais um périplo errático. Até já.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Crónicas do Rio: porque se come um bom rodízio em Singapura


Olhando vocês para a foto do mítico Copacabana Palace, auto intitulado “o mais famoso hotel da América do Sul, hospedando ricos e famosos desde 1923” perguntarão: o que tem o título deste post a ver com a foto? Tudo, garanto-vos! Dias atrás, estando eu no Rio de Janeiro a tirar apressadamente a foto enquanto o carro parava por segundos entre a praia de Copacabana e a branca beleza que aqui ilustro, veio-me à memória uma estória que me foi contada por dois manos brasileiros do Paraíba há cerca de um ano atrás. Estava nessa altura a ser servido de um belo pedaço de picanha no Mamma Lucia, em Robertson Walk, zona medianamente animada da noite de Singapura.

Não custa pensar que há 508 anos atrás um qualquer obscuro grumete da frota de Cabral, depois de escala retemperadora nas terras de Vera Cruz, se tenha feito à vida em Calecute para mais tarde chegar a Malaca pela mão de Afonso de Albuquerque. Não deixa de ser plausível também que o mesmo moço possa ter acabado por desaguar nos pântanos da Singapura de então, caso se tivesse deixado aprisionar por algum nefasto pirata javanês do Estreito. Terá sido, o dito grumete, o primeiro ser humano a fazer a rota Brasil-Singapura! Não custará portanto muito fazê-los acreditar que, passados vários séculos de evolução dos meios de transporte, um empreendedor Singapurense tenha decidido tirar um ano sabático para viajar pelo mundo nos anos 90. O Mr. T. (chamemos-lhe assim...) acabou por passar pelo Rio de Janeiro e, encantado por aquelas paragens, por ali ficou uns tempos. Um modelo de negócio particularmente inovador (para ele) chamou-lhe a atenção: o rodízio brasileiro, em particular aquele que via diariamente ser principescamente servido na churrascaria do Copacabana Palace. Homem de meter a mão na massa, arranjou trabalho a servir à mesa nessa mesma casa, anotando cuidadosamente todos os detalhes de um filão que contava poder reproduzir em Singapura. Até o dia em que foi apanhado...

Aconteceu quando Mr. T. foi visto por um colega recolhendo ao lar após uma jornada de árduo trabalho... num quarto do Copacabana Palace, o mais caro hotel do Rio! Informado, o gerente da churrascaria não descansou enquanto não se sentou com Mr. T. para pôr tudo em “pratos limpos”. Dessa conversa saiu algo que ainda hoje eu e os meus amigos Tugas em Singapura podemos usufruir: as várias churrascarias brasileiras de nível entre o aceitável e o bom que pululam na Lyon City. De facto Mr. T. regressou a Singapura para fundar a churrascaria “Brasil” da 6th Avenue e com ele trouxe uma selecção brasileira de excelentes funcionários brazucas, cedidos pelo novo sócio de Mr. T: o gerente do Copacabana. Foi o começo da saga. O primeiro assador-mor, tio dos meus amigos Paraíbas do Mamma Lucia, foi trazendo cada vez mais família, fulano traz sicrano, o novo modelo de restaurante pegou de estaca, os imitadores surgiram (o Carnivor do Chijmes e do Vivo City até já virou “franchise”...), mais Brasileiros vieram. Enfim, uma multidão de dignos herdeiros do grumete quinhentista, todos ao espeto!

Um bom epílogo para esta saga: um dia estava um amigo meu, Tuga dos sete costados com raízes no Vale de Alcântara, a confraternizar com um empregado de um restaurante em Saigão, Vietname, quando ao falar sobre o Mamma Lucia de Singapura (o restaurante, tal como o empregado, eram Brasileiros...) o seu interlocutor se deixa surpreender com os olhos marejados de lágrimas. Pois o nosso Paraíba em Ho Chi Min era, nem mais nem menos, que um irmão há muito não noticiado dos nossos amigos do Mamma Lucia! Mas que cadela de caipirinha, quando para Singapura se trouxeram as notícias deste afastado mano...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Um quarto com uma vista: Rio de Janeiro, seis da manhã


Depois de ler o post anterior alguém se preocupou que eu estivesse a ficar com os pés frios, abandonadas as paragens exóticas da Ásia (pelo menos não tão visitadas). Não se preocupem, já estou a aquecê-los de novo, desta vez para Oeste, na "Cidade Maravilhosa". Fiquem por enquanto com esta vista do meu quarto, na Barra da Tijuca, tirada há pouco. Uma "Glorious Morning" como deve de ser, em que antes de tomar o pequeno almoço pelas 7.30 já vi e enviei emails e dei dois mergulhos na praia do Pepê... Até breve!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A glorious morning


No seu início, nada neste dia de 18 de Fevereiro de 2008 deixava adivinhar a foto que aqui apresento. O dia começara às 5 da manhã em Lisboa, com a cidade sob um dilúvio apocalíptico e eu de sapatos na mão, descalço e com água pelos joelhos para conseguir alcançar o meu carro, na garagem inundada do meu prédio. No par de quilómetros até ao aeroporto vi o caos que se formava, com carros bloqueados por grandes lençóis de água aqui e ali. No entanto, umas horas depois, estava no quentinho de um táxi londrino a fotografar esta imagem solarenga do Big Ben em Londres. Os bifes passavam sorridentes nas ruas, até os condutores dos carros a passo de caracol na M4 pareciam descontraídos e afáveis. Enfim, quando regressei a Lisboa, ao fim do mesmo dia, pensava como é sensato refrear a confiança em estereótipos... Este post é dedicado aos meus amigos que vivem ou já viveram em Londres. Para os primeiros é uma mensagem de esperança: nem sempre Londres é cinzenta, escura e molhada, e nem sempre o regresso à Pátria resolve a falta de sol! Cliquem aqui para verem mais fotos de sol Londrino.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Bienvenidos a Houston, Texas!


Estou siderado: os Estados Unidos da América são, hoje, um país completamente bilingue (inglês e espanhol). Escrevo-lhes de Houston, de onde daqui a poucas horas voltarei a embarcar de volta a Newark e daí para Lisboa. Foi uma visita relâmpago: saí de Lisboa Domingo e depois de muitas peripécias consegui ter ontem em Houston a reunião de uma hora e meia para a qual me desloquei ao Oeste. Como tal não tive tempo para fazer de turista, mas foi o suficiente para me aperceber que o espanhol se ouve na rua, no hotel, no aeroporto tanto ou mais do que o inglês e que todas (mas TODAS) as indicações que vejo, desde o aeroporto de Newark até às vias rápidas de Houston no Texas surgem dobradas, em espanhol e em inglês. Até a vida selvagem, neste caso os abutres dos advogados, se faz anunciar em Espanhol, como se pode ver na foto tirada em Houston.
Á parte o omnipresente espanhol (a pressão demográfica é de facto algo esmagador, só na cidade de Houston, 4 milhões de habitantes, estima-se que vivam 400,000 imigrantes Mexicanos ilegais...) e a confirmação dos hábitos necrofágicos dos abutres, pouco mais recolhi neste pulo-vou-num-pé-venho-noutro. Tenho umas fotos dos arranha céus de “down town Houston” (tiradas da “highway”), umas fotos dos principais monumentos do Texas, ou seja, as refinarias a perder de vista (tiradas da “highway”...) e também um sortido de semáforos, cartazes orientativos, camiões titânicos e pick-ups gigantes com condutores gordos: tudo tirado na “highway”! Talvez ponha o album no Picasa um dia destes, o mundo real também é feio e monótono de vez em quando... (nota posterior: já podem espreitar algumas fotos no Picasa)
Ah, ia-me esquecendo: abaixo a TAP! O voo Lisboa-Newark foi cancelado, embarquei com duas horas de atraso no voo seguinte, um avião raptado no Porto (era para ter ido directo e teve de apanhar as sobras de Lisboa...), perdi mais uma hora na pista da Portela encolhido no assento enquando arranjavam uma avaria na porta do porão, finalmente chegado a Newark já tinha perdido a ligação da Continental para Houston mas ia a tempo de apanhar o último voo do dia ainda disponível, não, seria bom demais, era um avião da TAP, amocha aí, mais uma hora parados na pista, desta vez em Newark, até nos darem uma porta para desembarcar... De cortar a respiraçã, hem? Tudo isto foi péssimo, não acham? Ainda não viram nada... Eu e a minha dor de costas já espumava quando os serviços da TAP em Newark me informaram que eu tinha mesmo acabado de perder o último voo para Houston, devido ao atraso no desembarque... Despejaram-me num hotel ranhoso no aeroporto, onde dormi 3 horas para apanhar o voo das 5:30 que a TAP me reservara. Reservara? Nãããooo, claro que o código de reserva que eu tinha no papel que a TAP me dera não era válida, a menina da Continental não me podia pôr no dito voo, nem no seguinte que também estava cheio, só no das 8:50 que já chegava tarde para a minha reunião em Houston! Inenarrável... Bem acabei por ter a sorte de, em lista de espera, conseguir arranjar um lugar no das 5:30, devido à desistência de outros passageiros. Agora ala, vou para o aeroporto de novo, até me arrepio a pensar que aventuras me esperam agora no regresso! Até breve.

O mico da Sentosa



Já vos tinha falado (quando vos apresentei o Louro de Bukit Timah) sobre a relativa riqueza da vida selvagem de Singapura, tendo em conta que é um território essencialmente urbano. Esta é uma oportunidade de mostrar mais um cromo. A foto tirei-a em Sentosa, a ilha que faz de Costa da Caparica para os singapureanos. Estava numa das praias, neste caso a Tanjong Beach, no único dia de Janeiro passado em que me permiti ir a banhos. Claro que entretanto, regressado ao frio de Lisboa no Inverno, já estou com saudades do calor... De qualquer forma escrevo este post não para falar de praia mas sim para expor mais um troféu na minha colecção de vida selvagem. O mico que aparece na foto (na realidade não é um mico, é maior) visitou a praia e estava nesta altura a fugir pelos telhados do bar que abastece os banhistas. Entretanto, através de uma notícia no Straits Times, fiquei a saber que em Singapura também há pangolins, um exemplar dos quais foi visto e fotografado em cima de uma árvore na cidade à vista de todos. Para quem não sabe, o pangolim é um bicho esquisito, assim a modos que um papa formigas escamudo com uma costela de preguiça. Até eu fiquei espantado com a sua existência naquelas bandas!
Já agora um aparte para os meus amigos de Singapura: na foto do macaco podem ver, mais à esquerda, o que parece ser uma camera de vigilância video. Será? Alguém que passe na Tanjong Beach nos próximos tempos poderá tentar verificar antes de fazer figuras indecentes na praia... ;-)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

"Joga bonito" leva seis na pá...


Acho que foram seis-a-zero, mas como a foto que acima documenta ninguém nessa noite de 31 de Outubro do ano passado ficou deprimido. Éramos seis tugas, um sérvio, um equatoriano e, claro, uma maioria de Singapurenhos, jogando futebol 11 contra outra equipe de jovens jogadores locais. Relembro este episódio um pouco por saudosismo, pois embora esteja a escrever-vos de Singapura vou no final da semana voltar à base. E apercebo-me que me fartei de escrever sobre os arredores Asiáticos aqui da Lion City e nem por isso sobre Singapura, onde tenho vivido. Vou fazer por recuperar terreno neste capítulo.

Infelizmente não houve arte futebolística que nos safasse... Os adversários jogavam todas as semanas, eu por mim já não jogava desde que o Reagan era Presidente dos EUA (acho...) e todos os tugas apesar de darem uns toques jeitosos não estavam rotinados na coisa. Verdade se diga que quando entrei, para fazer miséria a lateral esquerdo, já havia 4 - 0, nada de histórias, por mim os putos adversários nunca passaram (acho que tiveram pena...). Bem, a verdade é que o campo, ali para os lados de Ang Mo Kio Ave 3, mais parecia um batatal. E não tinha balneários, nem um buraquinho para fazer uma mijinha, nem um bebedouro... Desde o Euro 2004 com os seus magníficos estádios que nós os tugas não papamos disto, falta de condições assim não, por favor! Bem, ficou a foto. Um dos que está na foto arriscou-se a ser preso e vergastado por em desespero de causa se ter aliviado, de cócoras e por uma nesga da perna do calção enquanto assobiava para o lado, quando estava no banco. Outro sorri alegremente, longe de saber que um par de meses mais tarde havia de partir uma perna noutro jogito deste tipo... E eu, bem, acho que posso tirar férias da bola durante mais umas décadas...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A surpresa Persa


Já tinha saudades do Asteróide... A verdade é que não tenho tido tempo de cá vir. Neste momento estou de volta a Singapura, desta vez em visita mais fugaz. Apercebo-me agora que o Asteróide tem estado em órbita Geostacionária sobre o Extremo Oriente. Acho que é tempo de começar a rebuscar o meu arquivo para o enriquecer com outras paragens.

Em Maio de 2003 fiz uma visita relâmpago de duas noites a Teerão. Foi o tempo de me surpreender q.b. e arrumar com alguns estereótipos... Voei do Dubai, onde também ia frequentemente em trabalho na altura, e aterrei já de noite. O meu passaporte exibia um magnífico visto colado numa página inteira, cheio de cores e marcas de água, do tipo que mais tarde havia de experimentar em países igualmente desenvolvidos como a Indonésia e o Vietname. Para minha surpresa tinha à minha espera uma beldade persa de 28 anos, super descontraída e falando fluentemente Inglês. Era a Shadi, da agência que tinha contratado para me conduzir durante a estadia, junto com um rapaz dado a motorista mais o seu carrito. Passada uma hora já tinha transitado pelo hotel a tomar um duche e estava com a Shadi a beber cerveja (sem álcool!) num parque a Norte de Teerão, já passava da meia-noite. E esta, hem? Bom, a verdade é que o seu marido, um jovem engenheiro trabalhando numa empresa de produção de electricidade, se juntou a nós mais tarde... O parque está alcandorado nas faldas dos nevados picos no sopé dos quais a cidade se aninha e do bar tinha-se uma magnífica vista sobre a cidade.
A cidade é dominada pelas montanhas Alborz, que ocupam todo o horizonte virado a Norte. Fiquei albergado num decadente hotel de 5 estrelas com cheiro a mofo e uma patine a-la-anos-setenta feita de alcatifas, brilho de cromados, padrões com bolas vermelhas e candeeiros de globo pendurados do tecto. Visa? Népias, só em cash... O trânsito é infernal. A cidade, a espaços, tinha algo da Lisboa da minha meninice. Não sei explicar o porquê deste sentimento... Desde o hotel com o espírito dos anos setenta até aos bairros mais calmos onde até nas ruas estreitas havia árvores, passando pelos cafézinhos ou tascas abertos prodigamente um pouco por todo o lado, debaixo das varandas.... enfim, não sei explicar, mas cheirou-me a Lisboa!

Bom, espreitem mas é as fotos. Desculpem serem de má qualidade, naquela altura usei uma camera que pouco mais era que uma webcam !

sábado, 15 de dezembro de 2007

Na terra de D. Laurinda


Estranha mistura esta a de Macau, sentimos simultâneamente o aconchego de casa e o exotismo da Ásia. Talvez por viver na Ásia vai para dois anos já não sou tão sensível ao exotismo e portanto os rostos de Macau sorriram-me mais Portugueses do que poderiam parecer... Principalmente o de Laurinda, que dá rosto à foto com que ilustro este post!

A minha passagem por Macau deu-se durante um fim de semana de Novembro, na sequência da visita a Hong Kong em Novembro. Foram apenas dois dias, mas com pouco sono e muito palmilhanço, que terminaram com o regresso a Hong Kong da mesma maneira em que cheguei: embarcado no super-rápido jet-foil que faz a ligação entre as duas Regiões Administrativas Especiais da China. No final tinha as pilhas bem embaixo mas a alma bem alimentada de imagens e de pessoas. Macau preencheu bem as minhas expectativas, com o prazer de ver tanta de Luso num local tão Asiático... Ver a minha Língua um pouco por todo o lado, desde a toponímia dos edifícios e ruas aos nomes das lojas e outros negócios, caminhar sobre calçada portuguesa ou beber uma Sagres ao almoço, empurrando uma espécie de carne de porco à alentejana, soube-me maravilhosamente bem.

Os Macaenses disfarçam bem mas fiquei com a sensação que o número daqueles de etnia chinesa que falam Português são mais do que eu pensaria. Claro que os taxistas não falam nada, nem Português, nem Mandarim, nem Inglês, provávelmente se lhes falaram em Cantonês também não percebem, só para ver se nos levam a dar a volta ao bilhar grande! Bem, vamos às imagens da Macau ensolarada e fresquinha (temperatura pelos 20 e poucos) que conheci em Novembro de 2007. Publiquei dois albuns no Picasa, um com imagens da cidade, outro com as pessoas e aspectos das suas vidas.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Casa!


Estou de volta. Apesar das inúmeras vezes que cheguei a Lisboa vindo de Norte, sobrevoando o rio em Belém, dando a volta ao largo da Costa da Caparica e reentrando na cidade com a ponte 25 de Abril aos meus pés, não me canso... Adoro a minha cidade. Adoro a luz, os cheiros, a familiaridade de tudo o que me rodeia. E adoro os meus com quem volto a estar, a rir, a partilhar este nosso espaço em comum.

Cheguei no dia 28 de Novembro, voando de Singapura para Lisboa via Frankfurt na Lufthansa, junto com dois Anjos da Guarda que muito contribuiram para que eu conseguisse chegar ao meu destino com toda a bagagem... Os meus amigos J. Vespa e A. Branca (acho que estes nomes lhes assentam bem, não sei porquê...), viajando em Executiva (eu raramente o faço apenas porque é contra a minha religião, claro) salvaram-me por duas vezes. Primeiro foi o J. no check in, juntando ao meu sorriso o seu cartão gold da Lufthansa de forma a convencer a senhora ao balcão a não me cobrar excesso de bagagem. Como saí de Singapura com uns maciços 48 Kg de tralha, provávelmente teria que hipotecar de novo a casa de Lisboa para pagar a conta! Mais tarde, já a bordo e esperando que o avião iniciasse a sua viagem, uma hospedeira estava sem eu saber a tentar mandar borda fora dois russos bêbados que foram proíbidos de voar dado o seu estado clínico, juntamente com a minha mala de cabine com 15 Kg de posses valiosas que erradamente alguém pensou pertencerem aos Russos! Eu já tinha mergulhado na música do meu iPod e estava literalmente a Leste quando a A. Branca me apareceu, agarrando a hospedeira que trazia a minha mala por um braço e perguntando-me se aquela era a minha mala. Pois que sim, claro, disse eu, é a minha mala! A hospedeira lá pediu desculpa e arrumou a dita cuja algures perto de mim. Só 12 horas depois, em Frankfurt, é que os meus amigos me disseram que viram a mala passar à frente deles, repararam na etiqueta e placaram a hospedeira antes da minha bagagem ser despejada do voo!

Mas tudo está bem quando acaba bem, o aeroporto da Portela estava sossegado, em Lisboa o sol tem brilhado (que saudades que eu tinha de ver um céu 100% azul!), a comida portuguesa continua excelente, enfim: viva Portugal!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Um Natal de manga curta


E lá estava eu, atravancando a passadeira que cruza a Orchard Road no cruzamento com a Scotts Road, em Singapura, para tirar esta foto. Se há ponto G do diabólico consumismo de Singapura é precisamente este cruzamento... Claro que o Natal já está em grande, como podem ver pelas iluminações da Orchard Road, considerada a rua com maior quantidade e densidade de centros comerciais no mundo, quilómetros de Pradas, Rolexes, Armanis, luxuosamente distríbuidos por dezenas de shoppings enormes. Um festim... Se tiver paciência talvez ponha online um album de fotos deste passseio de uma hora ontem à noite no coração da cidade.

Rapidinha: a incrívelmente internacional Caldeirada a la Asteróide

Uma moça filipina acabou de me telefonar, a mim, inveterado nabo culinário, para eu lhe dar a minha receita de caldeirada. Empregada como “made” numa casa de família chinesa toda a semana, quer cozinhar o meu prato esta noite para os seus patrões chineses... Meu Deus, é a minha coroa de glória!

Este é o único prato de minha invenção (é uma caldeirada sui generis...) e de facto consigo servi-lo para geral satisfação e aprovação dos raros convivas que já o provaram (eu sozinho em casa, por exemplo, como terapia no final dos dias mais acelerados, ou a minha cara metade e os meus miúdos quando de 3 em 3 meses estamos juntos!). Num famoso convivio tuga aqui em Singapura há uns meses, no Les Chameaux Bar, a minha caldeirada aguentou estoicamente o embate com uma feijoada maravilhosamente confeccionada por um casal de amigos aqui também desterrados e toda a malta gostou (venham de lá os comentários ao post, ó companheiros tugas de Singapura, sempre quero ver se andam a ler isto...).

Estou mesmo orgulhoso... Bem, orgulho à parte, não esqueci que ainda vos devo o relato das minhas andanças em Macau. Espero conseguir pôr-me em dia até ao final do fim de semana... Até porque para a semana volto a voar de encontro a mais um destino exótico!

A foto: a caldeirada à Singapurense em 2019, ainda vivinha da Silva.



segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Hong Kong, último episódio...


Já sei, estou a abusar de Hong Kong... Mas este é o post definitivo sobre Gothan City, prometo! E que é ilustrado pelo álbum de fotos mais completo, pelo que os que tiverem paciência podem finalmente passar das impressões laterais para uma ideia mais abrangente da cidade.

Para nos movermos mais rápido em Hong Kong há que palmilhá-la cá por baixo, a norte, nunca muito afastado do Victoria Harbor, a costa virada para Kowloon. É nessa franja que se concentram os maiores arranha céus, os centros comerciais e as principais artérias por onde se pode rápidamente navegar no eixo Leste - Oeste, apanhando o tram, o metro (a Island Line, que não experimentei) ou a pé. Uma alternativa também fácil é caminhar de edifício em edifício com um certo desafogo usando as passadeiras superiores que os unem, apanhando às vezes os passeios cá embaixo quando a vista vale a pena. Mas para "mergulhar" devidamente em Hong Kong há que penetrar para Sul, logo que chegamos à vertical de uma zona que vale a pena explorar. Para Sul a cidade sobe e adensa-se em ruas estreitas, cobertas de cartazes e anúncios, de lojas, de venda ambulante em muitos zonas, de bares e restaurantes noutras. Aqui ou ali encontram-se pequenos oásis de paz ou de espaço, como o Hong Kong Park no Central District, o Victoria Park mais a Leste em Causeway Bay ou o templo de Man Mo, no Western District, não longe do meu hotel. Destaco o que em Hong Kong mais me fascinou: subir ao The Peak (Victoria Peak), do qual já falei em posts anteriores, a 396 metros de altura e com uma vista fabulosa sobre a cidade, visitar a mini-feira da ladra de Cat Street, nas imediações de Hoolywood Road e usar o escalator, sobrevoando o bulício de Hong Kong até chegar ao SoHo para comer algo num restaurante castiço. Bom, vejam mas é o álbum...

Transportes em Hong Kong: algo de "dejá vu"...


Criei um álbum que passa os olhos por um conjunto de transportes utilizados em Hong Kong durante os dias "à turista" de 7 a 10 Novembro de 2007. O meu preferido é o "tram", a modos que como o nosso amarelo da carris, também eléctrico... mas com dois andares! E coberto de publicidade. Mas também encontrarão outras fotos familiares, como o "cacilheiro" como o de Lisboa ou os taxis Toyota Crown (como os de Singapura).

sábado, 17 de novembro de 2007

Arranhando os céus em Hong Kong

Claro que umas das imagens mais conotadas com Hong Kong são os seus arranha-céus... E merece a fama, pois rodando desde os 420 m do IFC2 (inaugurado em 2003, com direito a um honroso 6º lugar na hierarquia mundial dos arranha céus) até às formas arrojadas do Bank of China, o pescoço passa o tempo a contorcer-se para conseguir apreciar devidamente a visão. Os panoramas de conjunto, com o Central District da Ilha de hong Kong visto do outo lado do canal (de Kowloon) ou do alto do The Peak merecem bem a visita por si só! Ficam as imagens, algumas repetidas dos mesmos edifícios mas em vários ângulos... Quem estiver em Hong kong com uma câmera fotográfica nas mãos sente-se como um fotógrafo de moda liliputiano rodeado de dançarinas de aço e vidro vestidas... Gostaria de ir a Nova York, que não conheço: um marujo americano que se cruzou comigo num eléctrico disse-me que desde as "caves" das ruas fumarentas até ao topo dos arranha céus Hong Kong lhe fazia lembrar New York!


Para um fotógrafo de jeito com uma camera melhor e com um tripé, tudo detalhes ausentes durante a passagem por Hong Kong, poderia trazer-vos fotos nocturnas espectaculares do "sky line" de Hong Kong... Em vez disso terão poucas e nem por isso muito boas fotos tiradas de noite, resultado das minhas experiências com a camera em manual (uma desfocagenite aguda alastrou a quase todas, ficando impróprias para serem partilhadas...).

Lisboa, 29 de Janeiro de 2006

Singapura? Hong Kong? Vietname? Malásia? Indonésia? Macau? Angola? Cuba? Tailândia? Brasil? Não, na maior parte dos momentos quero mesmo é estar em casa, em Lisboa, mesmo que neve! Esta foto é do famoso 29 de Janeiro de 2006, quando nevou em Lisboa pela primeira vez em mais de 50 anos. Foi poucas semanas antes de eu marchar para Singapura...
Peço desculpa por este momento de saudade... O programa voltará a Hong Kong dentro de momentos...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O caldeirão humano de Hong Kong



Hong Kong fervilha com pessoas de todos os tipos e em todas as posições da "cadeia alimentar" social. A etnia dominante é a cantonense, e é na sua lingua que falam entre si normalmente (e não em Inglês, nem em Mandarim que é suposto ser a língua franca na China). Singapura contrasta com Hong Kong nesse aspecto, por o Inglês ser a língua que todos usam. Quando não é assim é porque duas pessoas da mesma etnia estão a sós e acabam por usar a língua materna (malaio, tamil, mandarim ou outros dialectos chineses). Em Hong Kong, pelo contrário, cruzei-me com muita gente que mal falava inglês... E que nem mesmo Mandarim falava! Esta coisa da língua é aliás causa de atrito entre Cantão e o resto da China, ou antes, entre os cantonenses e o “Poder” em Pequim ou Changai. O Comité Central não papa bem esta mania dos Cantonenses dizerem que a lingua do Cantão é que é “O” Chinês e o que o Mandarim é um “dialecto”. E conheço pelo menos um russo, com origem alemã, que fala português e se sente macaense, que concorda com os Cantonenses. E ele sabe o que diz, pois fala fluentemente Mandarim e Cantonense! Mas isto já são histórias para posts futuros, vamos agora ficar com as personagens de Hong Kong. As imagens falam por si...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Atribulações de Batman em Hong Kong







Se pensam que isto de ter estado em Gotham City (vejam o post anterior...) é só uma figura de estilo, uma metáfora para armar ao pingarelho, estão muito enganados! Na realidade tive (mesmo) o prazer de me cruzar com o Batman em Hong Kong, como podem ver pelas fotos... Estava a passar pelo “Escalator”, uma passadeira mecanizada que sobe pelo Soho acima no Central District de Hong Kong, quando fiquei entupido numa aglomeração de gente a tirar fotos lá para baixo, para as ruelas que passam 10 metros sob a passadeira. Espreito também e começo a tirar fotos mesmo antes de saber o que era, esticando o braço entre dois ou três concorrentes na primeira fila... Foi assim que apanhei o Morgan Freeman da foto que podem ver, em plenas filmagens do “Dark Knight”, o próximo filme do Batman que estreará em 2008. Quando me fartei dos apertos dirigi-me ao outro lado da passadeira, onde não estava quase ninguém. Estava serenamente a tirar fotos do material de filmagem empilhado nos passeios da ruela quando pára um Mercedes Classe S e se ouve um burburinho... Pois era o Batman, AKA Christian Bale, a sair do carro a uns 20 metros de distância de onde eu estava. Por um instante fui o mirone mais bem posicionado daqueles milhares de turistas a encher o “escalator”! E cá vai a foto também, assim um pouco de ladecos...

Claro que as filmagens do Batman em Hong Kong foram motivo de muito zumzum nos jornais, e no dia seguinte às fotos que tirei surgiu o cartoon que também partilho convosco... Nem o Batman se safa no meio da esmagadora Hong Kong!

Da Legolândia para Gotham City


Estas são as primeiras impressões de um “Singapurenho” ao chegar a Hong Kong... Mais tarde partilharei convosco mais relatos e imagens (não tenho tido muito tempo para digerir as milhentas fotos que tirei nem para blogar sobre as aventuras do último fim de semana prolongado...)

Quando vos falo de Hong Kong refiro-me apenas à metrópolis que se aninha na costa norte da ilha de Hong Kong, no sopé do The Peak. O território completo da Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong é bastante maior que eu esperava, maior mesmo que Singapura (1042 Km2 contra 682 Km2). No post anterior podem comparar os mapas de ambos os territórios e saber detalhes sobre cada país clicando nos mesmos. Na realidade a RAE de Hong Kong inclui até zonas com campo e praia, tanto na costa Sul da Ilha de Hong Kong como em vastas áreas dos Novos Territórios, a Norte da Ilha e ligando com a eufemisticamente chamada “main land” (a China...). Hong Kong, como Macau, pertence à China desde 1997 (Macau desde 1999) mas ainda goza de um estatuto de autonomia especial durante 50 anos, mantendo uma identidade muito forte. Usam o termo “main land” de forma semelhante ao termo “continente” usado pelos Portugueses das ilhas Atlânticas.

Para quem vem de Singapura, um paraíso urbano todo arranjadinho, espaçoso e verdejante mesmo sob a sombra dos arranha céus (onde os há), a primeira impressão quando se “mergulha” em Hong Kong é esmagadora... Esta metrópole é em muitos aspectos considerada semelhante a Singapura (em dimensão, história – passado Britânico, pujança económico-financeira, população maioritáriamente de etnia chinesa). Mas na realidade são dois espaços completamente diferentes! O título deste post diz tudo: se Singapura parece a Legolândia (ouvi este paralelismo da boca de uma senhora Portuguesa em Macau, que aprecia mais a confusão de HK que a paz de Singapura...), Hong Kong faz lembrar Gotham City! O espaço entre arranha céus é muito mais diminuto, as ruas mais sujas e cheias de população, lojecas chinesas a vender de tudo por todo o lado, becos e ruelas entalados entre gigantescas paredes, sobrevoados por passadeiras aéreas que ligam os arranha-céus, onde milhares de pessoas se fazem às suas vidas sem repararem que estão num autêntico filme... Por falar em filmes, o título Blade Runner também me ocorre de vez em quando, aquela noção de cidade multi-nível onde os píncaros de aço e vidro rebrilhante albergando uma população sofisticada contrastam com as profundezas fumegantes onde seres barulhentos andam aos encontrões no meio do labirinto de lojas, tascos, vendas ambulantes...

Bom, é só uma primeira impressão! Vou digerindo as fotos e relendo as notas do meu Moleskine para em breve vos dar mais detalhes...

Singapura vs. Hong Kong





Vamos todos reclamar a Pedra Branca!


Estava eu a pensar com os meus botões como poderemos nós não perder as estribeiras ao ouvir histéricos “gritos do Ipiranga” provenientes de energúmenos como o iminente Gabriel Drumond (que clamou recentemente pela independência da Madeira) quando a solução me apareceu escarrapachada num jornal de Singapura: o caso Pedra Branca! Se é verdade que a Madeira é Portuguesa concerteza, não deixa de ser notório que uma franja da população nacional, à força de abusar da boa vontade de um estado democrático e tolerante, endoidou a um ponto que pode estar para lá da recuperação... Se os Portugueses que nasceram e vivem na Madeira concordassem (o que eu duvido...), porque não utilizar a ilha para internar para todo o sempre abéculas como o senhor Drumond da notícia, o respectivo Presidente Regional e, já agora, todos os outros serial-abusadores da República e da nossa paciência que pululam por todo o país, desde caciques dados a autarcas a presidentes de clubes de futebol dados a caciques? Claro que perderíamos uma fatia da nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE), mas é aí que entrava a Solução Pedra Branca!

Tal é o nome (tal e qual o escrevo, em bom Português!) dado a uma ilhota que pouco mais é que um rochedo granítico, onde só cabe um farol, erigido pelos Ingleses no século XIX. Os Portugueses baptizaram o rochedo no inicio do Século XVI (vejam este artigo na Revista da Armada). E Pedra Branca ficou por alva ser a côr do guano ressequido deixado por muitas gerações de aves marinhas que abundam por aquelas bandas...

A Pedra Branca está a 25 milhas náuticas de Singapura e é disputada por Singapura e pela Malásia. O caso é actual porque está neste preciso momento a ser apreciado por um juri do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) cujo veredicto, esperado lá para Junho do ano que vem, ambas as partes admitem aceitar. Mas atentemos aos argumentos das partes(espreitem os detalhes na Wikipédia). A Malásia esgrime que a Pedra Branca pertencia ao Sultanato de Johor (sim, aqueles morecões que se aliaram aos Holandeses para nos correr de Malaca em 1641...) desde tempos imemoriais, “imemoriais” significando meados dos século XVI. E Singapura argumenta, com alguma razão, que a Malásia sempre se esteve borrifando para a dita Pedra desde que é independente e que tem sido Singapura a limpar a caca das aves e a acarinhar o seu Farol. No recorte que coloco no post o jornalista relembra apenas a treta de um navegador Holandês de segunda (que deve ter chegado cá por engano com uns mapas mal amanhados copiados em terceira mão de originais roubados aos Portugueses) falar sobre a Pedra Branca em 1583. Sessenta ou setenta anos depois dos Portugueses estarem carecas de conhecerem o pedregulho como marco nas suas rotas para a China e as Ilhas das Especiarias! Ninguém se lembra de trazer a terreiro porque é que a porra da Pedra Branca se escreve P-e-d-r-a-B-r-a-n-c-a?! A verdade é que décadas antes do Sultão tropeçar na Pedra e mais de 400 anos antes da independência da Malásia e de Singapura já a Pedra Branca era Portuguesa. Pronto. Tenho dito.

E cá está a solução: mandar imediatamente uma comitiva Lusitana a Haia (vai dar um particular gozo fazê-lo debaixo do nariz dos Holandeses...) e reclamar a Pedra Branca para a nossa bandeira perante o TIJ! Resolvido o assunto, trocaremos a metade da ZEE que perderemos com a “libertação” da Madeira (e com a nossa “libertação” dos furúnculos que mancham o Estado Democratico em que gostamos de viver) por uma outra, muito maior! Uma faixa de umas milhas valentes de largura, saindo do Algarve para cruzar o Mediterrâneo, passando o Suez (passava a ser nosso, claro, temos jeito para portageiros...), o Mar Vermelho (finalmente vou poder dar uns mergulhos de jeito em águas nacionais!), roçando a Peninsula Arábica de forma a catar um terço das reservas de petróleo offshore do mundo, continuar pelo Índico até ao Mar de Andaman, meter pelo estreito de Malaca (a nossa vocação portageira seria aqui exercida pela 2ª vez, 500 anos depois!), passar ao largo de Singapura e, finalmente, chegar à nossa nova possessão. Já estou a ver a nossa bandeira a flutuar no farol da Pedra Branca!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cromos de Koh Lanta


Os meus tempos livres (as noites até à 1 da manhã e o último fim de semana quase inteirinho) desde que regressei do meu fim de semana prolongado de mergulhos na Tailândia têm sido dedicados ao meu mais recente hobie: peixes... Sinto-me como quando era miúdo a fazer colecção de cromos ou a ler os calhamaços do Readers Digest, daqueles cheios de bichos coloridos e em vias de extinção. Consegui reunir num álbum online (quase) toda a bicharada que capturei com a minha camera durante os três dias de mergulhos ao largo de Koh Lanta, de 26 a 28 de Outubro de 2007. Foram quase 6 horas debaixo de água! Para classificar os bicharocos uso uns livros lindissimos sobre a vida nos corais que comprei aqui em Singapura. Talvez um dia venha a fazer um blog só para isto! Além dos peixes podem espreitar outro álbum, onde reuni as fotos da malta no barco e debaixo de água, antes, durante e após os mergulhos.

Koh Lanta está situada na costa na costa Oeste da Tailândia (o mar de Andaman, já parte do Oceano Índico) mas a Leste das Phi Phi e de Phuket. Só em 1996 ficou ligada à electricidade. No mesmo ano inaugurou-se a ligação por ferry para carros entre o continente e as duas ilhas principais que compõem este distrito da província de Krabi (ambas as travessias não são mais que umas poucas centenas de metros...). Um clã de Chao Ley (os "Ciganos do Mar") ainda habitam estas paragens, tentando preservar os seus costumes antigos, mas a população de hoje é uma mistura de Tailandeses budistas e muçulmanos, chineses, malaios e... Suecos! Estes últimos dominam o desenvolvimento recente do turismo nesta zona. Não sei porquê, o que é que os trouxe, mas práticamente colonizaram Koh Lanta! Os Vikings são donos dos resorts, das empresas que organizam os mergulhos, têm restaurantes Suecos, escolas Suecas. E tal como os chalets suiços dos nossos imigrantes quando regressam a Portugal, aqui os Suecos gostam de viver sobre telhados zincados preparados para a neve, em vez de usar a magnífica arquitectura rural Tailandesa!

Cheguei numa quinta-feira à noite a Krabi, capital de provincia, com um casal amigo. Krabi fica a norte de Koh Lanta e tem um aeroporto novo para escoar os números crescentes de turistas (começa a ser uma alternativa a Phuket, do outro lado do golfo). Voámos para lá na Tiger Airways por pouco mais de 100 euros cada. Um motorista do resort apanhou-nos e demorou duas horas e os tais dois ferries para nos despejar finalmente, pelas 1.30 da manhã, no Noble House resort na Klong Dao Beach, na ilha de Koh Lanta. O resto foram 3 dias de mergulhos no Índico, ao largo de Koh Lanta. Saíamos de manhã pelas 8 da manhã e estávamos de volta pelas 4 da tarde. Mas ainda deu para um relax de vez em quando na piscina, duas doses de massagens na praia e uns copos num bar "rasta" surreal! Espreitem o album “Koh Lanta a seco”... E não se esqueçam dos albuns “Peixes” e “Divers”!

domingo, 4 de novembro de 2007

O choque dos Mundos aplacado por Buda: a feérica Bangkok


Bangkok foi a primeira paragem, de poucos dias, antes de rumar a Phuket numas miniférias no início de Julho de 2007. Aqui o Primeiro Mundo tipo-Singapura choca-se com o Terceiro Mundo tipo-Saigão de uma forma desconcertante. A cidade moderna dos shopping-centers ultra modernos e dos arranha céus flutua no seio da sujidade, exotismo e caos típicos das metrópoles Ásiaticas. Talvez Buda zele pela harmonia desta mistura pouco natural... Verdadeiros oásis de paz espalhados um pouco por toda a cidade, os templos (milhares...) zelam pelo espírito dos passantes com os seus budas de jade, pagodes dourados e monges de laranja vestidos, salvaguardando quem necessita da vibração demente do ambiente urbano de Bangkok. Quando a paz se torna aborrecida, o cidadão ou o turista pode mergulhar de novo no bulício, rumando por exemplo ao mercado de Chatuchak (12 hectares revestidos por 8,500 lojas-tendas a vender de tudo!) ou satisfazendo a líbido na zona de Patpong com os seus bares go-go.

Bangkok é também a cidade de todos os meios de transporte: chega-se de avião, apanha-se o taxi para o hotel, usufrui-se do moderno metro para visitar os mercados dos arredores, sobrevoando a cidade em viadutos futurísticos ou mergulhando no seu subsolo, apanha-se o barco de carreira para avançar umas paragens rio acima (o Chao Phraya, verdadeira artéria da cidade), salta-se para uns barquitos tipo gôndolas motorizadas para percorrer os canais da labírintica Bangkok “profunda” e, last but not the least: o tuk-tuk! Claro, aqueles triciclos de motor a dois tempos que enxameiam as ruas e que por 20 ou 40 bats (50 cêntimos a 1 euro...) nos levam por todo o lado. Até de graça nos carregam, acho, se os deixarmos arrastarem-nos pelas lojas de Bangkok que lhes pagam comissões!

Os Tailandeses são de uma simpatia desarmante, em geral. Há sempre um sorriso, mesmo que seja o de um condutor de tuk-tuk a fazer-se despercebido para nos despejar num alfaiate manhoso, numa rua esconsa... A limpeza das fardas escolares contrasta com os farrapos dos mendigos, da mesma maneira que os shopping centers de Rama I contrastam com as barracas nas margens dos canais.

A densidade de templos em Bangkok é impressionante. E no coração de Bangkok, no ponto da margem do Chao Phraya onde encontramos o complexo do Grande Palácio Real, a riqueza dos edíficios e dos seus conteúdos é fabulosa... Mas não só. Um pouco por toda a cidade, desde o Golden Mount Temple no topo de uma colina com vista magnífica até ao Buda Dourado (5 ton de ouro maciço...) escondido num templo algures numa rua mais perdida, os pagodes sucedem-se e os dourados ferem-nos a vista.

Um conselho: se forem a Bangkok façam como eu mais a minha companhia: esfalfem-se nos mercados, sacudam-se de barco pelos canais, dêem cabo dos pés a calcorrear templos e, quando estiverem bem derreados e suados, vão usufruir do chá das cinco no The Authors Lounge do Oriental Hotel. É chegar ao céu. O chá de primeira, os scones a babarem manteiga derretida e compota caseira, a terrina cheia de bolinhos, tudo a ser saboreado ao som de uma guitarra clássica tocada ao vivo, suavemente, no sítio onde Conrad em 1888 ou Sommerset Maugham em 1923 já beberricaram o seu chá...

Espreitem por partes a Cidade, as Pessoas e os Templos nos albuns que publiquei no Picasa online.

A Grey Area da Gay Law: uma Guterrada em Singapura...


É a Secção 377A do Código Penal da República de Singapura. Proíbe terminantemente o sexo entre homosexuais masculinos em Singapura, mesmo no recato da sua privacidade. Curiosamente nada diz sobre sexo entre lésbicas... É daquelas hipocrisias que Singapura ainda não conseguiu debelar. Porque a realidade, mesmo aos olhos dos heterosexuais como eu, é que Singapura é um local particularmente aberto aos gays, desde os transsexuais Tailandeses que pululam na noite até aos mais recatados cidadãos comuns, que se juntam nos bares conhecidos como ponto de encontro da vasta comunidade homosexual local. E os que sentem necessidade de tal não se coibem de se vestirem ou mexerem mais amaneiradamente: ninguém os incomoda por isso.

Em Setembro, decorridos 23 anos desde a última revisão do Código e após um período de reflexão e “debate” (interno...), o Governo anunciou as revisões feitas ao Código Penal que se julgaram necessárias. Uma muito esperada decisão seria a eliminação da aberrante Secção 377A. Muitos activistas, nos jornais e na net, homosexuais ou simplesmente cidadãos mais evoluídos que o grupinho de retrógrados que o Governo não quer ofender, clamaram pelo fim da hipócrita lei. Mas os abaixo assinados e cartas ao Primeiro-Ministro não resultaram: a 18 de Setembro os jornais anunciaram as revisões e a 377A lá continuava...

O brado de revolta que se seguiu, sem se comparar com alunos a baixar as calças à frente de Ministros ou polícias a brincar aos bombeiros como em Portugal, foi invulgarmente sonoro para os padrões de Singapura. Nos jornais e na internet, mais fielmente esta última, muito boa gente “cascou” forte e feio na falta de coragem do Governo. Ao ponto de o Primeiro Ministro Lee Hsien Loong ter que vir fazer um discurso para aplacar as massas, uma verdadeira pérola ao melhor estilo uma-no-cravo-outra-na-ferradura dos tempos do nosso PM Guterres. A mensagem de Lee foi bastante simples: mantiveram a Secção 377A porque em Singapura ainda existe uma “maioria conservadora” que não aguentaria tais mudanças (não sei como é que o PM mediu a dita “maioria”). No entanto não se esforçarão por implementar a Lei! É a chamada “Grey Area”: faz de conta que a Lei existe mas para efeitos práticos não se aplica... Dito pelo PM de Singapura: 'If we force the issue and settle the matter definitively one way or the other, we will never reach an agreement... Instead of forging a consensus, we will divide and polarise our society', explicou Lee!

A imagem que ilustra o post foi retirada de um dos blogues que se dedicaram ao tema. Podem ainda espreitar o teor da mensagem do PM Lee. Ou o site do mais barulhento movimento pelo Não ao 377A.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Safari Tailandês... a 18 metros de profundidade


Estou de volta. Atrasado, eu sei... E só de raspão, a energia é pouca depois de uma semana dura de trabalho. Isto de meter um fim de semana grande para ir a banhos na Tailândia paga-se com muito suor e pouca inspiração para escrever. Mas para que vocês, essa minoria hiper-culta e super-amiga (só mesmo...) que frequenta este blog não continuar à espera de mirabolantes aventuras em vão, decidi dar sinal de vida. E cá vão as primeiras fotos dos meus mergulhos em Koh Lanta, Tailândia, 6 horas debaixo de água distribuídas por 3 dias de 26 a 28 de Outubro. Em breve publicarei o álbum completo, dentro e fora de água e ficarão a conhecer melhor aquelas paragens. Mas por hoje só mesmo a Moreia Gigante (este bicho tinha para aí metro e meio de comprimento, a cauda saía da rocha do lado oposto!) e, se rolarem a página para baixo, a Tartaruga de Pente, o Long Fin Bannerfish (ó pá, não sei traduzir bannerfish, mas que a barbatana é comprida é...), o Peixe Palhaço (o famoso Nemo na sua anémona), o Peixe Leão (aquele vermelho cheio de espinhos), o Tubarão Leopardo (que passou quando tinha a minha lente embaciada!), o Clark (outro frequentador de anémonas) e o horroroso e bem camuflado Peixe Escorpião (este pode matar, se o pisarmos, é uma espécie de peixe aranha ao cubo...). Bom mergulho.